Posts com Tag ‘Darren Aronofsky’

Mother! (2017 – EUA) 

Entre vaias e aplausos que foi recebido o novo thriller psicológico dirigido por Darren Aronofsky durante a competição do Festival de Veneza. Mais ousado e pretensioso do que nunca (lembrem-se que ele dirigiu Noé e Fonte da Vida), o cineasta nova-iorquino provoca o público na estética, e principalmente na forma de síntese com que aglutina todas as mazelas do mundo.

Os posters e trailers já ofereciam a estranha sensação visual, algo entre o religioso brega e o dark misterioso, além da artificialidade gritante. E o filme não nega as aparências, repleto de planos-sequencias circulares e insanos, e a atmosfera da presença de um mal sobrenatural naquele lar, o casal começa a receber visitantes (sem convidá-los) e a hospitalidade do marido (Javier Bardem) assusta a passiva esposa (Jennifer Lawrence). Entre o medo e a insegurança e o ar acolhedor do poeta em bloqueio criativo, que o filme constrói arcos dramáticos que sempre colocam-na como a figura frágil e perturbada frente uma normalidade que não existe.

Mais adiante na história, desses arcos dramáticos surgem sequencias ainda mais insanas em que Aronofsky tenta refletir sua visão sobre nossa sociedade tão violenta e desumana. Nada de metáforas, é tudo explícito e visual, exagerado e acelerado. A cada novo horror, o filme faz referências a dramas pessoais ou universais como: crime, guerra, religião, maternidade, dor. Interpretações over, conceitos didáticos, Aronofsky não consegue dar cabo de nem metade de todos os conceitos que pretendia, e sua pretensão realmente incomoda muita gente. Por outro lado, sua ousadia em colocar tudo isso num filme de estúdio, com os grandes astros de Hollywood, vem de encontro com as pretensões que sempre estiverem fortemente claras em sua filmografia.

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Noé

Publicado: abril 18, 2014 em Cinema
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noeNoah (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Darren Aronofsky vai provando que não se dá bem com grandes orçamentos. A coisa sai de controle, se torna faraônica, imensa. Fonte da Vida era seu filme mais fraco, e o maior orçamento que Aronofsky havia trabalhado. Agora adaptando parte do Velho Testamento da Bíblia, revivendo a figura de Noé e sua Arca, o orçamento enorme resultou num monstrengo oco.

A força religiosa da história está presente, porém, além da mensagem de Deus que Noé (Russel Crowe) interpreta e leva adiante, o filme foca muito mais nos dilemas de um homem integro em sua fé. E, também, se torna, talvez, o primeiro defensor do ambientalismo da história. Os animais quase não aparecem no filme, e quando aparecem são apenas efeitos especiais. Por outro lado, em dado momento, a história vira um grande filme de ação, com lutas e gente correndo por todos os lados.

Aronofsky deixou tudo grandioso demais, por mais que a história seja realmente definitiva (afinal, o planeta foi inundado e só sobrou quem estava na Arca), há sempre essa necessidade pela emoção, pela disputa, o vilão está presente até o último minuto. Por outro lado, há o drama familiar, que coloca a prova tantos questionamentos de Noé, seria o melhor do filme se não ficasse quando chamuscado por essa necessidade de ação a todo custo.

Abdellatif-Kechiche-Palme-d-or-pour-La-Vie-d-Adele_article_popin-1024x713 Meu ranking, com todos os filmes, de Abdellatif Kechiche, cujo último filme (Azul é a Cor Mais Quente) venceu a Palma de Ouro e estreia na próxima sexta [Top Abdellatif Kechiche]

 Entrevista com Spike Lee, que afirma ser uma “reinterpretação” e não um remake, sua nova versão de Oldboy [Slant Magazine]

 Antes de falar dos melhores, quais foram os principais fracassos o ano? Lista interessante [Uol Cinema]

• Tarantino vem ai com outro faroeste [The Guardian]

• Festival de Berlim homenageará Ken Loach, com o Leão de Ouro honorário, em sua próxima edição [Berlinale]

• Trailer de Noé, novo filme de Darren Aronofsky [Omelete]

• No CCBB a Mostra Maurice Pialat, programação no link [Vai e vem Produções]

E no MIS, a Mostra Philip K. Dick, com clássicos como Blade Runner e Vingador do Futuro [MIS]

Sinais do fim de ano, as listas de melhores do ano e os indicados aos primeiros prêmios (que vai se falar são todos prévias do Oscar:

• A Cahiers du Cinéma divulgou sua lista do Top 10 de 2013, ainda acho que eles fazem umas piadinhas no meio da lista [Cinema7Arte]

• Já a lista da Sight & Sound pode ser chamada de óbvia, ou de sintetiza exatamente os melhores do ano [Sight & Sound]

• Enquanto isso 12 Years a Slave, com 7 indicações, confirma seu favoritimo, ao ser indicado a 7 prêmios do Spirit Awards, Nebraska conseguiu 6 indicações [Spirit Awards]

Black Swan (2010 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O mundo do balé não é composto só de flores, dança, coreografias expressivas e boa dose de graça e sutileza. Por trás das apresentações encantadoras há jogos de ego intermináveis, muito suor e dor, superação. Não, Darren Aronofsky não traz um melodrama de uma bailarina tentando se superar, seu filme vai muito além disso. Ele flerta com os bastidores, as disputas internas. Dá uma esnobada na sutileza em prol de uma violenta invasão de privacidade Com o foco em Nina (Natalie Portman), o cineasta ganha armas para ousar, e aprofundar-se numa personagem meiga, doce. Garota inocente, educada com mão de ferro da mãe (ex-bailarina).

Uma nova adaptação de O Lago dos Cisnes, o novo diretor  (Vincent Cassel) a considera perfeita para o Cisne Branco (com sua doçura, ternura, leveza), mas totalmente incapaz de assumir a sensualidade e poder controlador do Cisne Negro. Sem dúvida, um filme sobre sexualidade, sobre libertação, Nina luta por uma transformação fundamental. Tenta, de todas as formas, se livrar de uma adolescência tardia, que a mãe a enjaulou. Pouco a pouco se entrega ao personagem, num misto de libertação sexual e paranoia, que a tira da realidade, aflorarando seu lado mais agressivo e autodestrutivo. É como se o Cisne Negro tomasse sua alma lentamente, Aronofsky flerta até com o horror, enquanto Portman brilha nessa mistura antagônica de filhinha da mamãe, e o mundo das artes, com toda a inveja, e poder de dominação, que as estrelas que transbordam sex appeal impõem.

O drama torna-se claustrofóbico, as tintas escuras tomam conta da tela, enquanto essa transformação de personalidade nos salta aos olhos, nos fazendo mergulhar num mundo de luxúria, de relações promíscuas, e de rara beleza nas formidáveis apresentações performáticas dos bailarinos.

Pi (1998 – EUA) 

Mesmo com um orçamento modestíssimo (US$ 60 mil), o filme de estréia de Darren Aronofsky não poderia ter sido melhor. Além do impacto e repercussão, o prêmio de melhor diretor no Festival de Sundance. Roteiro muito esquemático, e audacioso, mexendo com questões polêmicas e intrigantes, numa tentativa de unificar e representar num único número ciência, religião e economia.

Max Cohen (Sean Gullette) é um gênio da matemática, solitário e excêntrico, que mora num pequeno apartamento, entre seus equipamentos eletrônicos e muitos insetos. Desde garoto tem dores de cabeça terríveis, e toma doses cavalares de remédios para suportá-las. Ele acredita que tudo no mundo segue um padrão, como na matemática, e tenta encontrar um conjunto de números, que aplicados em Wall Street, provem sua teoria. Sol Robeson (Mark Margolies) foi professor de Max e teve um derrame enquanto procurava uma padronização dentro do número Pi, Max sempre aconselha-se com ele enquanto jogam Go. Mergulhado entre os números Max passa dias em busca de respostas enquanto é cercado por alucinações, paranóias e é perseguido por investidores de Wall Street e alguns líderes de uma seita religiosa. O que Max não sabe é que ele está próximo de descobrir algo muito maior do que poderia imaginar.

O ritmo é frenético, os ângulos de câmeras são muitas vezes fora do comum e a fotografia preto e branco dá o toque alucinante que faltava. As inserções sonoras com músicas eletrônicas completam o clima muitas vezes paranóico flagrado no olhar profundo de Sean Gullette. Exemplo dessas características são as cenas com clima angustiante em frente ao espelho dão um clima angustiante.