Posts com Tag ‘David Fincher’

O Podcast Cinema na Varanda debatendo os seguintes temas:

 

Se7en – Os Sete Crimes Capitais e a carreira de David Fincher em debate

 

garotaexemplarGone Girl (2014 – CAN/EUA)  estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O best-seller homônimo, escrito por Gilliam Flynn (que também assina o roteiro do filme) tem início com o desaparecimento de uma mulher (Rosamundo Pike). Sinais de violência em casa, estilhaços de vidro e manchas de sangue. O livro é narrado sob duas diferentes óticas, a da mulher desaparecida, e do seu marido (Bem Affleck) cujas as inventigações o tem como principal suspeito. A escolha de David Fincher em trazer ao cinema este thriller pop faz muito sentido pelo caminho que vem trilando sua carreira. O material tem o quê de suspense que perfaz sua carreira (Seven, Millenium), mas também dialoga com A Rede Social, mais precisamente com a imprensa, manipulação de opiniões.

Fincher conduz o suspense de maneira tecnicamente perfeita, sua mão suntuosa, ajuada pela trilha precisa de Trent Reznor e Atticus Ross, formam uma narrativa empolgante, pop, próximo ao público e ainda assim diferenciada por seu domínio do clímax.Por outro lado, seu cinema patina sobre sua própria carreira, o que esse filme acrescenta ao seu trabalho? Nada, é outro thriller competente. Ainda agravado pelo próprio roteiro que tão marcado por reviravoltas e precisão cirúrgica nos atos dos personagens, que a trama abusa da capacidade de manipulação, do excesso de dramatização.

A personalidade do casal é descoberta aos poucos, Fincher não consegue manter a narrativa dividida, ela fala em off, a dele é tomada como o tempo presente, a narração oficial. Isso também ajuda a desgastar o clímax, a saber que há os vilões e os que só não são bonzinhos. Em resumo é passatempo puro e simples, sofisticado por Fincher estar acima da média, mas é só uma roupagem especial para o mesmo rocambole do entretenimento.

Vamos para a segunda parte do post sobre filmes que vem por ai!

Zama (de Lucrecia Martel) [Los Andes] [IndieWire] [Hollywood Reporter]

Francofonia: Le Louvre Under German Occupation  (de Aleksandr Sokurov) filmado no Louvre [Screen Daily] [24 FPS Verite] [C7nema]

Gone Girl (de David Fincher) – adaptação do livro Garota Exemplar [IndieWire] [Vulture] [Youtube]

Cemetery of Kings (de Apichatpong Weerasethakul) [Hollywood Reporter] [IndieWire] [IonCinema]

Jersey Boys  (de Clint Eastwood) [Variety] [Omelete]

April (de Vincent Gallo) [IndieWire] [Film Buff]

filmedoano_alfred• Tabu na  cabeça, como era de se esperar. Essa semana finalmente foi divulgado o Alfred 2013. Os melhores filmes de acordo com a Liga dos Blogues Cinematográficos. É imperdível acompanhar o grande momento do ano, do que podemos chamar de o Oscar da Internet Brasileira, vejam os demais vencedores [Liga dos Blogues Cinematográficos]

• Nova biografia sobre Steve Jobs em pauta, frisson no twitter quando foi anunciando que David Fincher seria o possível diretor do filme [Variety]

• O bafafá da semana foi essa história das empresas de Blu-Ray do país se negarem a produzir os Blu-Ray’s de Azul É a Cor Mais Quente, devido a seu conteúdo sexual forte. Quando pensamos que estamos evoluídos… [Omelete]

• Narco, série que será produzida pelo Netflix terá direção de José Padilha e Wagner Moura como Pablo Escobar [Rolling Stone]

• Cambodia, uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e as mudanças que podem ser geradas em um país [LA Times]

• César 2014 os premiados [Deadline]

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The Girl with the Dragon Tattoo (2011 – EUA)

Sou totalmente contra a febre dos remakes, principalmente casos desse tipo de filmes ultra-recentes, filmados em outros países que não seja os EUA. Só que, infelizmente, é a forma de se propagar esses trabalhos de alta qualidade. Se bem que, a trilogia Millenium nem prima pela qualidade, ao contrário, a versão sueca adapta a trama interessante dos livros, de qualquer jeito, só para aparecer na tela grande.

Essa é a grande diferença aqui, David Fincher é um cineasta, sabe o que fazer, seu filme de investigação ganha a sutileza de pequenos momentos (e movimentos de camera), ao mesmo tempo que filma cenas de violencia e estupro deliberadas, tudo charmoso. De resto, nada além da história do jornalista politico-invetigativo (Daniel Craig) tentando desvendar o mistério do desaparecimento de uma jovem há mais de quarenta anos. Contando com a ajuda de uma hacker, Lisbeth (Rooney Mara), cuja própria história divide o protagonismo da trama.

Há diferenças sensíveis entre os dois filmes, na forma como surge a relação do jornalista e Lisbeth, essa diferença muda totalmente a tônica dos filmes (e principalmente o final, segundo informações a versão americana é mais fiel ao livro, nesse ponto prefiro a versão sueca). De um lado algo mais “casual”, de outro mais “platônico”, interessante que a mudança do tonica, em ambos os casos, não interfere em nada, os rumos da história. Fincher volta a seus filmes “mais violentos”, aqui de forma limpa, o sangue surge de forma quase cirurgica, mas, é um filme de observação, de investigação, e essencialmente, um filme sem nenhuma emoção.

Panic Room (2002 – EUA)

Os méritos são todos de David Fincher. Este não é o tipo de filme em que a história consiga resgatar o mínimo interesse, o roteiro está lá apenas para oferecer ferramentas, insinuar situações, nada além de idéias (possibilidades) para que o talento do cineasta seja colocado à prova. Levar em consideração a elevação do drama com doenças e outros exageros melodramáticos é perder tempo com a purpurina enquanto o baile corre frente a seus olhos. O segredo está naquela cena em que você sabe exatamente o que vai acontecer, ela (Jodie Foster) vai correr aquele risco, é óbvio o que está por vir, ainda assim seu coração está na boca, batendo acelerado, sua mão suando, seus olhos não piscam, Fincher você venceu, deixou todo mundo eletrizado. Deve haver, pelo menos, uns trinta minutos de tensão extrema, umas 3-4 cenas que praticamente enlouquecem o público, tudo obra de Fincher que conduz o suspense com seus toquinhos modernos e a excessividade dramática do roteiro.

The Zodiac (2005 – EUA)

Sinceramente fui enganado, a programação do Telecine falava o título do filme, e eu, fui direto, acreditando que teria a chance de rever o filme de David Fincher. Ledo engano, primeiros minutos e já se percebe que a história é a mesma, mas a abordagem completamente diferente. Este foi lançado antes do filme de Fincher, sem grandes astros (o policial responsável pelo caso é Justin Chambers, o Alex Karev do seriado Grey’s Anatomy), e narrado de uma forma extremamente tradicional e dentro da cartilha.

A direção de Alexander Bulkley é a cara do filme, totalmente dentro do padrão, sem marca autoral, sem nada que o diferencie de um telefilme ou capítulo duplo de um seriado de tv. Está lá o serial killer misterioso, seus métodos, o medo de toda uma cidade, as cartas indecifráveis. Assim como os problemas particulares, a vida familiar desgastada, a obsessão no trabalho em desvendar o mistério. Trata-se de um filme descartável, nunca irritante, apenas desnecessário, serve muito para se comparar com seu exemplar mais famoso e entender as razões que fazem de Fincher um cineasta diferenciado.