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Dancer in the Dark (2000 – FRA) 

Câmera na mão, trepidante. Enquadramentos fora do padrão, com planos fechados e rostos cortados, Lars Von Trier está por trás de mais uma direção. O acerto do tom cinemoatográfico é de suprema importância ao resultado final, a escolha da intensidade de carga dramática pode produzir fiascos impensáveis ou sucessos inesperados. Vejo como principal acerto desse filme o tom, a precisão cirúrgica com que Lars Von Trier (que também assina o roteiro) conduziu seu musical. Fugindo das fórmulas do gênero e acrescentado camadas em sua interpretação moral da humanidade.

Claro que vindo desse cineasta ninguém esperaria os tais padrões do gênero, mas o detalhe curioso é que ele utiliza os musicais de Hollywood como arma em sua história. Sua protagonista é uma imigrante do Leste Europeu, morando nos EUA com seu filho. Ela nutre paixão especial por musicais, sonha acordada com situações de seu cotidiano, transformando-se em seqüências cantadas, com sapateado.

Selma (Bjork) está perdendo a visão, sofre de uma doença que a deixará cega em pouco tempo. Seu filho tem o mesmo problema, mas pode ser operado. Para isso, ela trabalha duro numa fábrica de chapas de inox, economiza cada dólar para a operação do filho. O filme reserva personagens de caráter distintos, a luxúria sem limites desperta a reviravolta na história, enquanto alguns demonstram solidariedade infinita.

Esse antagônico comportamento é a maneira como Lars Von Trier vê a sociedade americana, como se o american way of life de décadas passadas pudesse ser alcançado a todo custo. A pureza daquela heroína não é corrompida, seus valores permanecem, mas as aparências são o que de mais credibilidade há naquela sociedade. É um filme delicado, parcial em sua maneira autoral de ser, o tom nada melodramático mascara a poderosa crítica contra o Imperialismo. Ou por que vocês acham que a coitadinha imigrante da Tchecoslováquia, cega, pobre, simples, e íntegra (não ingênua) sofre tanto por culpa da ganância alheia, exatamente no país das oportunidades?

 

aesperadeummilagreThe Green Mile (1999 – EUA)  estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Outro livro de Stephen King adaptado aos cinemas, suas famigeradas tramas de suspense ficam de lado, mesmo que haja algo de sobrenatural, em detrimento ao melodrama puro, pragmático em temas cuja moral e os bons costumes são elevados a enésima potência. Humano, tem na bondade o alicerce para desenvolver temas como racismo, sentimentos puros, e a derrota da maldade e egoísmo frente o “bem” maior. Sim, é piegas ao extremo, mas o filme de Frank Darabont acerta em cheio a parte do público carente por questões universais e tão humanas.

O palco é uma penitenciária, e a narração, em flashback, feita por Paul Edgecomb (Tom Hanks), que bem velhinho já mora num asilo enquanto narra a incrível história que presenciou a uma amiga. Paul era o chefe da Milha Verde, setor de uma penitenciária onde ficavam os presos julgados, e condenados à cadeira elétrica. Paul sofria com suas infecções urinárias, até que um novo preso grandalhão chega, John Coffey (Michael Duncan) era acusado (injustamente) de estupro e assassinato de duas meninas brancas. Seu tamanho impõe respeita a todos, e a surpresa ficava ainda maior pelo grau de ternura e ingenuidade que conquistava a qualquer um. Com um dom sobrenatural, ele tinha o dom da cura, e num dos ataques infecciosos de Paul o detento oferece-lhe a cura.

A rotina da Milha era pacata, clima amistoso entre presos e agentes carcerários, exceto o agressivo e prepotente Percy Wetmore (Doug Hutchison). Até que começa a mudar com as visitas do ratinho Mr Jingles, que se torna bichinho de estimação de um detento. E também com as loucuras do perigoso bandido William “Wild Bill” Wharton (Sam Rockwell). Tanta passividade se torna uma panela de pressão prestes a explodir, e todos aqueles presos estão na reta final da cadeira elétrica.