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murielMuriel ou Le temps d’un retour (1963 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Comparado a seus dois trabalhos anteriores, Hiroshima e Marienbad, este é o primeiro filme de Alain Resnais mais próximo a uma estética convencional. Mais próximo, mas não necessariamente assim pois sua edição acelerada, falsamente descompassada, são um novo sinal das experimentações de Resnais, que resultam na inesquecível sequencia no bar, dois planos-contraplanos, alternados e simultâneos.

 Na pequena Boulogne, sob reconstrução pós –Guerra, como acusam os primeiros planos do filme, Hélène (Delphine Seyrig) espera a chegada de seu amor da juventude (Jean-Pierre Kérien) que voltou a pouco da Argélia. Já vivem a terceira idade, reatar um romance da juventude pode até ser uma possibilidade, uma tentativa vã de reencontrar o que se perdeu. Mas, jamais algo que seja completamente possível.

Dos jovens temos Françoise (Nita Klein), que chegou com Alphonse, uma pretensa sobrinha. O personagem chave é Bernard (Jean-Baptiste Thiérrée), ex-combatente da Guerra da Argélia, meio perturbado com seu passado, enquanto vive amores, principalmente de sua noiva Muriel (que nunca aparece, pode ser até uma invenção de Bernard).

É um filme sobre maturidade, o fim das esperanças, mas não aquele desesperador, um fim por notar as reais possibilidades da vida. Seja esse afim resgatando cartas e recordações do passado, seja ele pela dificuldade das relações humanas. Muriel é essencialmente sobre solidão, do casal maduro que tenta eliminar a solidão com um passado que já se foi. Ou, nos dois jovens perdidos, desamparados, à beira do loucura, ou dae uma autorredenção.

oanopassadoemmarienbadL’année Dernière à Marienbad (1961 – FRA/ITA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O luxo e o requinte vão desde as edificações, passando pelos ambientes onde trafegam damas e cavalheiros, bem trajados, tão distintos, em jogos, conversas, copos. Obras de arte pelas paredes, detalhes riquíssimos da arquitetura. Uma câmera flutuante desnuda o palacete, a narração em of descreve detalhes, enquanto um homem flerta com uma mulher casada que reluta em lembrar-se do caso que os dois “supostamente” tiveram no ano anterior.

Narrativa nada convencional, nem retilínea, Resnais, caprichosamente, dirige com maestria. Jamais saberemos se estamos num sonho ou num flerte, por exemplo. O filme é construído como um poema. Narrador, conversas ao pé do ouvido, imaginações consentidas, falas que parecem soltas, o abstrato. Entre o lúdico e o concreto, a grandiosa e o onírico, um espetáculo de genialidade minimalista e linguagem ímpar. Galanteios, um filme de amor por essência, e de uma proposta riquíssimaem libertar a imaginação das fáceis amarras do convencionalismo cinematográfico.