Posts com Tag ‘Denis Podalydès’

Plaire Aimer et Courir Vite / Sorry Angel (2018 – FRA) 

Christophe Honoré, normalmente, se sai melhor quando trata do amor do que em outros temas. Seu grande filme continua sendo Canções de Amor, e a magia de ser pop e plural, de tratar esse amor de quem gosta de pessoas, e não de gêneros. Seu novo filme se equilibra em certa irregularidade, em conjunto de situações que criam cenas e diálogos que representam melhor o que o cineasta almeja sensibilizar, do que o simples acompanhar uma história.

Há algo de lúdico no maduro autor de teatro, sofrendo com a AIDS, e que encontra um jovem cheio de vitalidade em descobrir a vida, em viver um romance. Talvez o lúdico esteja na mistura de refinamento social,  e sua forma de empregar seu lado culto como um conquistador. Dessa forma honesta e aproveitadora que ele estabelece amizade com o vizinho, que mantém seus relacionamentos profissionais, que cuida do filho, e que causa atração do jovem interiorano apto a se abrir ao mundo.

Por isso tudo que o título original condiz muito com o protagonista, através de encontros ou telefonemas, conquistar, amar e viver intensamente parece um mantra, mas funciona melhor para resumir esse protagonista que parece inquebrável para alguns, mas tão frágil em outros momentos. Afinal, somos assim, mostrando fortalezas e fragilidades, vivendo nessa busca incessante pelo prazer, pela felicidade, ou por viver aquele momento como se fosse o último.


Festival: Cannes 2018

Mostra: Competição

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apontedasartesLe Pont des Arts (2004 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Eugène Green vai apurando seu estilo a cada filme. São novas camadas de complexas relações entre dramas humanos e referências artísticas, onde cada vez menos importante se torna o rumo dos personagens, e mais importante a maneira como Green conduz público e personagens, como absorve e divide referências. A Ponte das Artesm em Paris, é focalizada por diversos pontos, e também o local de uma tragédia que divide a trama. Entre eles a música, clássica, lírica, uma cantora humilhada (Natacha Régnier) por seu maestro (Denis Podalydès), e um universitário (Adrien Michaux) que se paixona por sua voz.

Lamento Della Ninfa, de Monteverdi, se torna o estopim. Desilusões matrimoniais e profissionais unem e separarm estes dois jovens ligados pelo amor à arte. Green permanece com a rigidez, com planos e contra-planos, e os diálogos repletos de citações filosóficas. Há diretores que poderiam ser citados para exemplificar, mas Green merece ser um desses casos únicos, que misturam filosofia com música lírica, e ainda espaço para absorver relações matrimoniais, desgastes pessoais. Seu filme é sobre o amor, sobre o amor à arte, mas, também sobre poder e seu abuso, sobre fragilidades, e, sobretudo sobre Paris e sua beleza edificante.

vocesaindanaoviramnadaVous N’Avez Encore Rien Vu (2012 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O altamente teatral, Alains Resnais, retoma esse diálogo entre palcos e cinema. Dessa vez coloca em cena uma versão de Eurídice, e usa alguns dos maiores atores franceses para contracenar e se integrarem a um grupo de jovens. O mote é simplesmente genial, a forma como Resnais encontra para reunir esse elenco (Sabine Azéma, Michel Piccoli, Mathieu Amalric, Lambert Wilson, Pierre Arditi, e Anne Consigny, a lista é extensa) e fechar a trama, é simplesmente sensacional.

Mas, o filme é mesmo sobre essa representação da peça, e os atores veteranos (utilizam seus próprios nomes) interpretam com um misto de carinho e paixão, ternura oriunda de um pedido especial de um grande amigo dramaturgo (Denis Podalydès). A história de amor de Eurídice e Orfeu, o jogo que mistura a projeção do grupo teatral e os veteranos que não resistem a simplesmente assistir, e voltam a atuar os papéis que viveram há muitos anos. Resnais traz vigor, sintetiza teatro e cinema, e realiza assim um dos melhores filmes do ano.