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Hoje

Publicado: maio 7, 2013 em Cinema
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hojeHoje (2011) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Vera (Denise Fraga) está de mudança. O tal de abrir caixas, escolher onde os móveis ficarão, encontrar pequenos problemas aqui e ali – como uma torneira que não para de pingar. Nesse turbilhão de novidades e pequenas preocupações, ela reencontra um fantasma do passado e a mudança se torna um ajuste de contas entre acusações e emoções.

Todo filmado dentro do apartamento, a diretora Tata Amaral resgata a ditatura militar (o público já cansou desse tema, só os cineastas brasileiros não perceberam) com lembranças das torturas, desaparecidos e a ferida que não cicatriza. A sensação claustrofóbica de um Quem Tem Medo de Virginia Wolf?, ou até mesmo de um Deus da Carnificina, não chega a ser projetada com a mesma eficiência.

hoje2Enquanto a tensão toma conta de Vera, dois homens carregam a mudança, praticamente sem função na trama a não ser trazê-la novamente à realidade. O desenrolar justifica o retorno ao tema, mas a total despreocupação com a existência de smartphones em 1998 (filme se passa nessa data) é apenas um exemplo da maneira carinhosa, porém nada descuidada com que o filme é todo construído.

O Auto da CompadecidaO Auto da Compadecida (1999)  estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O sucesso da tv foi parar no cinema, a minissérie baseada na obra de Ariano Suassuna ganha as telas em seu tom de comédia rasgada retratando o cotidiano nordestino de fome, ganância, poder e miséria. Tudo mostrado com bom humor e inteligência. Entre os personagens inesquecíveis, um misto da obra de Shakespeare (O Mercador de Veneza) e tipos populares e representativos da região, alguns clichês como o marido submisso, a esposa adúltera, o padre e o bispo gananciosos, o matador sem piedade, que funcionam perfeitamente no tom cômico e altamente critico.

Chicó (Selton Mello) e João Grilo (Matheus Natchergaele) vivem armando as mais terríveis confusões para se safar da fome e da miséria em que vivem. Chicó é um contador de histórias, as mais absurdas e mentirosas. João Grilo é o bom de papo, e quem acaba sempre colocando os dois em confusões. Tudo começa quando a dupla arruma emprego na padaria de Dora (Denise Fraga) e seu marido (Diogo Vilela), e o cachorro da patroa morre, e eles tentam convencer o Padre João (Rogério Cardoso) a fazer o enterro do cão. Para convencer a santidade local, eles inventam uma história onde envolvem até o coronel da região.

Sempre que as coisas se complicam, eles inventam novas histórias (mentiras) ainda mais mirabolantes, que os salvam de imediato para criar uma bola de neve, ainda maior, logo adiante. Quando Chicó apaixona-se casualmente por Rosinha, a filha do coronel, as coisas começam a piorar. A moça, também, é pretendida pelos dois maiores valentões da cidade, e lá vai a dupla ter que enfrentar mais essa situação delicada. Sem falar no cangaceiro (Marco Nanini) chegando para assaltar toda a cidade.

A direção de Guel Arraes permite que todo o folclore e miscelânea de nordeste de Suassana e Shakespare funcionem num ritmo primoroso, numa linguagem simples e eficiente. Seu maior problema está exatamente nessa transposição do cinema para tv, os cortes bruscos em muitos pontos da história, já que a minissérie era muito maior que o filme, são como um corpo decepado. Ficando assim calcada na excelência do texto e nas interpretações iluminadas de todo o elenco. Realmente, só com o juízo final para resolver tanta teimosia e invencionismo.