Posts com Tag ‘Dennis Hopper’

palermoshootingPalermo Shooting (2008 – ALE) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Muito curioso que no mesmo dia faleceram, dois monstros sagrados do cinema mundial, Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni. Algo dessa coincidência sensibilizou Wim Wenders, trazendo-lhe a ideia de unir Blow-up e O Sétimo Selo num mesmo filme. Para isso, o cineasta alemão vai até a Itália, cria uma estrutura gráfica futurista e high-tech, contraste do fotógrafo nas belas edificações de Palermo.

O bem-sucedido fotógrafo de estrelas (como Milla Jovovich) entra num jogo com a morte, enquanto o público entra num espécie de filme de autoajuda permeado por essa riqueza técnico-visual, mas tão pobre de autoafirmação, de um drama consistente, que rapidamente se vê enjaulado pelo cinza que pouco evoca de lúcido e próspero. Wenders tenta homenagear, mas fica tão abobado pela tecnologia que se torna quase um arquiteto narrando uma história qualquer.

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veludoazulBlue Velvet (1986 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Uma orelha encontrada num terreno baldio por um jovem que prima pela curiosidade, uma cantora de boate sofrendo nas mãos de um sádico, uma rede de corrupção policial envolvida com tráfico. Numa daquelas cidades do interior dos EUA, onde as casas não têm muros e há flores espalhadas por todos os cantos,a persona repugnante do sádico Frank Booth (Dennis Hopper) é o líder de uma gangue de arruaceiros que aterroriza a pacata cidade. O excêntrico viciado é comovido pelas canções de Roy Orbinson, mas é o veludo azul que lhe desperta incontroláveis desejos sexuais.

A cantora Dorothy Vallens (Isabella Rossellini) é sua refém sexual, a relação baseada no masoquismo, no puramente bizarro. O curioso Jeffrey Beaumont (Kyle MacLachlan) encontrou a tal orelha e decide investigar clandestinamente após ser incentivado por Sandy Williams (Laura Dern). Acaba ligado a Frank e Dorothy, apaixona-se por ela, que também se sente atraída pelo jovem. Suspense pouco convencional nas mãos do sempre intrigante David Lynch, entre cenas extravagantes há uma curiosa bipolaridade entre o moralismo da sociedade e a bizarrice.

Tudo com um forte cheiro de noir, misturado com cores fortes e o recorte pessoal de Lynch. A superficialidade de algumas sequências é combalida pela inventividade de tomadas delirantes e fabulosas, por mais que a trama siga com poucas surpresas efetivas. Ambíguo, heterogêneo, nos limites do provocante, críticas seladas pelo simbolismo, parece encaixar-se perfeitamente na obra de Lynch, não o bastante para que possa ser unanimidade.