Posts com Tag ‘Dermot Mulroney’

conspiracaoepoderTruth (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Voce deve ter visto alguns filmes de James Vanderbilt como roteirista, desde grandes acertos como o primeiro Homem-Aranha e Zodíaco, a equívocos como O Espetacular Homem-Aranha. Agora, ele se aventura como diretor. Num filme ousado, até certo ponto, e que esteve nas listas de cotados para o último Oscar, até acabar esquecido (até porque guarda semelhanças com Spotlight, e na comparação… Vanderbiltt perde feio). É outro filme sobre o jornalismo americano, dessa vez a história verídica dos bastidores de uma reportagem que fez tremer o consagrado 60 Minutes. A ideia de um furo de reportagem que poderia mudar os rumos de uma eleição presidencial, ao jogo de poder para abafar, negar, e difamar os envolvidos, tal como manda a cartilha da boa política dos poderosos.

Portanto, não faltam elementos intrigantes à história, que conta ainda com elenco de peso (Cate Blanchett e Robert Redford), mas deve mesmo acabar meio esquecido e com público restrito (tal qual sua bilheteria ndos EUA). Vanderbilt cai nas convenções do gênero, de usar trilha sonora, tom dramático, e tomar totalmente partido de sua protagonista. Passa longe do brilhantismo de O Informante, e se alguns diziam que Spotlight tinha cara de telefilme, esse intensifica ainda mais essas características. Como história é intrigante, como cinema é banal, e nesse limbo o filme vai ficando tão esquecido…

albumdefamiliaAugust: Osage County (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Até tento não comparar, tratar apenas como mais um filme, mais uma história, mas quando surgem os comentários sobre a “veracidade” do drama familiar, como as famílias são tão cheias de problemas, mágoas e segredos. Como um filme onde a única pessoa “decente” é a índia que trabalha como doméstica, fico me questionando se é só a minha família que tem uma relação mais light, com seus problemas, mas muito longe desse mundo perverso onde ninguém presta.

O filme dirigido por John Wells, adaptação de uma peça de teatro escrita por Tracy Letts, segue esse caminho das imperfeições. O patriarca (Sam Shepard) desapareceu, as três filhas voltam com seus maridos, filhos, e problemas a conviver com a mãe (Meryl Streep com a mesma peruca de Cate Blanchett interpretava Bob Dylan) que sofre de câncer na boca. A reunião familiar é estopim, Wells filma guerras verbais em cada cômodo, basta transpassar outra porta para dar de cara com outro quebra pau.

Nesse mar de discussões e humilhações surgem alguns momentos engraçados, aquele humor provocativo costumeiro, mas a proposta é mesmo de jogar para baixo qualquer ser vivo que aparece por aquela casa. Não questiono nenhum dos dramas, mas o conjunto parece tão diabolicamente perpetuado para o propósito de desestruturar a instituição falida (família) que fica difícil dar crédito ao peso de interpretações tão carregadas (ok, Julia Roberts convence, Chris Cooper também, Streep dá outro show), ainda assim, parecem andorinhas isoladas que juntas não fazem nem um veranico sequer.

contracorrenteUndertow (2004 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Com apenas três filmes, David Gordon Green desenvolveu uma obra consistente sobre o sul dos EUA, fugindo das metrópoles para estabelecer suas histórias nos rincões, nas regiões rurais, naquelas localidades onde as novidades tardam a chegar. Lugares onde o ritmo de vida é bem menos afetados pela velocidade das grandes cidades. O discípulo de Terrence Malick mostra esse Estados Unidos que cheira a barro, que sente o suor longe de Manhattan, que guarda o mais conservador da tradição dessa nação.

O filme é sobre temas universais, relações familiares, ou, mais precisamente, disputa entre irmãos e relação pai x filho. Segredos do passado, rusgas mal resolvidas, tudo vem à tona quando o viuvo (Dermot Mulroney) pede que seu irmão (Josh Lucas), recém saido da prisão, o ajude a cuidar dos filhos (Jamie Bell e Devon Alan). É um negocio arriscado, feridas do passado ainda não foram curadas, e surgir a faísca é apenas questão de tempo. Gordon Green foge do thriller (por mais que haja uma caçada em tom de road movie) para um gênero próprio e inclassificável, numa familia de culpados e homens com disturbios morais, resta a duas crianças desbravar o desconhecido numa luta pela sobrevivência.

ocasamentodomeumelhoramigoMy Best Friend’s Weeding (1997 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O auge da carreira de Julia Roberts nas comédias românticas. Já nasceu como novo clássico de um cinema de apelo popular fácil, de um público ávido por histórias que tenham romance e finais felizes. Um dos sinônimos do gênero, com todos os clichês possíveis e imaginários, sob direção de P. J. Hogan, mas poderia ter sido qualquer outro.

Jules (Julia Roberts) é uma crítica de culinária, não tem relacionamentos muito duradouros. Há nove anos, viveu um breve romance, de um mês, com Mike (Dermot Mulroney). Para variar não deu certo, mas nasceu uma forte amizade, que os anos consolidara. Não há segredos entre eles; ligações de madrugada são bem vindas, não importando o motivo. A quebra da barreiras da intimidade. Ao conversar com seu editor gay George (Rupert Everett), Jules recorda-se de uma promessa feita entre ela e Mike, de que caso eles chegassem aos vinte de oito anos, sem terem se casado com ninguém, eles ficariam juntos. A idéia agrada Jules, que começa a pensar mais seriamente nessa alternativa. Na mesma noite, Mike lhe telefona jogando um balde de água fria nos planos da amiga. Está de casamento marcado para o fim de semana, e a quer como madrinha.

A notícia abala Jules que resolve correr atrás de seu grande amor a qualquer custo. Ao conhecer a noiva (Cameron Diaz) linda, rica, compreensiva, apaixonada, dispara um belo resumo “Ela é irritantemente perfeita”. Eis a fácil tarefa de Jules: destruir o casamento e fazer seu amigo se apaixonar perdidamente por ela, num espaço curto de tempo. A trama já nasce de bases nada sólidas, tanta amizade e surge um casamento em 1 semana? E não para por ai, a química do casal não funciona bem, falta carisma para Dermot Mulroney no papel. Resta Julia Roberts, mesmo sendo uma vilã-romântica, conquistar o público, mantendo-o dividido entre torcer contra ou a favor. Auxiliada, é verdade, pelas aparições antológicas de Rupert Everett, principalmente na cena em que todos cantam I Say a Little Prayer, onde o clima festivo-amoroso transmite ao público essa pequena delicia mirabolante e água com açúcar.

assassinaPoint of no Return (1993 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Refilmagem de Nikita, filme francês de Luc Besson. Maggie (Bridget Fonda) é uma criminosa, condenada à pena de morte. Bob (Gabriel Byrne) trabalha para uma organização governamental, não oficial, que recruta criminosos, e os transforma em assassinos profissionais. Maggie acaba recrutada, e após treinada, ganha nova identidade, e é bancada pela organização, em troca de alguns “servicinhos”. Segunda chance, a redenção, Maggie se estabelece, arruma namorado (Dermot Mulroney), e tenta conciliar sua rotina com os crimes, sem que ninguém descubra ou pode ser desligada da organização e consequentemente morta. Porém, Maggie se sente culpada por suas execuções e vive o dilema. O diretor John Badham tenta dar um clima mais humano para a personagem, mas além de um ritmo agradável, há pouco a se empolgar com esse thriller de ação.

 

 

assassinatoemhollywoodSunset (1988 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Bruce Willis vivia aquela fase em que acreditava que poderia entrar em qualquer filme, até mesmo numa comédia, com ecos de western, dirigida por Blake Edwards. Ele encarna um grande astro dos faroestes de Hollywood, bon-vivant por excelência. Um produtor (Malcolm McDowell) quer levar aos cinemas a vida do delegado Wyatt Earp (James Garner) e o contrato como consultor técnico da produção.

Como a tônica geral dos filmes de Edwards são o caos humorístico, a trama arruma um assassinato de uma dona de boate, e coloca o ator e o delegado investigando o assassinato. Suspeitos inocentes (Dermot Mulroney), gangsteres, policiais corruptos, confusão por todos os lados. Se não fosse James Garner dar uma pequena aula de classe e requinte, o resultado seria ainda mais sofrível e afetado. “Foi tudo mais ou menos assim, tirando uma mentira ou outra…”