Posts com Tag ‘divórcio’

Scener ur ett Äktenskap (1973 – SUE)

O estrondoso sucesso da mini-serie feita para a TV levou Ingmar Bergman a condesar as cinco horas de histórias numa versão de quase três hora para o cinema. Resultados? Na Suécia um crescimento gigantesco do número de divórcios, no mundo um sucesso impressionante. Mas essa é uma história triste ou feliz? Uma história de amor ou uma relação decadente e degradante? Simples ou não, são cenas de um casamento.

Com um longo plano-sequencia com câmera fixa o filme começa com uma entrevista, o casal Marianne (Liv Ullmann) e Johan (Erland Josephson) narram o casamento de sucesso, tantos anos de uma relação “perfeita”. Repare nos dois, na posição passiva dela e recatada dela, na auto-confiança e completa falta de humildade dele. Da entrevista em diante, não só nós, como eles próprios, descobrirão que esse mar de rosas é falso, que a relação não prima pela perfeição, mas por bases ais próximas do tédio, do mecânico, de uma tensão velada.

Começa o martírio, ele decide revelar o caso extraconjugal, se separar. Ela se desespera, o filme é praticamente de planos fechados e discussões intermináveis, ele não gosta de discutir a relação, ela acredita no amor de conto de fadas, de que tudo possa ser concertado, basta uma nova chance. E as verdades veem a tona, as pessoas revelam com todo o sarcasmo, os anseios e as decepções. Bergman derruba seu público que claramente se viiu em discussões parecidas na vida, e aquilo pesa nos ombros, a dor daquele casal que se autodestrói ferozmente, a quebra das fronteiras e a verborragia extrapola.

Liv Ullmann carrega a carga dramática a nivéis colossais (não que Erland Josephson não dê conta do recado, é que Liv brilha, se transforma, do recato para uma mulher madura, insinuante, fatal). Bergman foi capaz de resumir todas as brigas, todos os motivos, toda a insatisfação sexual e o analfabetismo de sentimentos, num único casal, num único casamento, em algumas horas que não te deixam respirar.

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A Separação

Publicado: novembro 29, 2011 em Uncategorized
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Jodaeiye Nader Az Simon / A Separation (2011 – IRA)

Asghar Farhadi parece especializar-se em filmar o caos verborrágico de discussões intermináveis, e que, aparentemente, jamais terão uma solução por si só. Câmera na mão, intensidade nos diálogos, o entra e sai de cômodos, tentativas de afirmação de opinião (conhecemos bem os formatos de discussões, não?), desculpas e dramas. Farhadi cria o clima impecavelmente, mas não se contenta apenas com um drama familiar sobre um casal que opta pelo divórcio. Não, ele vai além, contratam uma diarista para cuidar do pai enfermo e nova discussão, confusão, o caso vai parar no tribunal.

Estamos falando do mundo contemporâneo e metropolitano no Irã, onde a religião está presente no dia-a-dia, assim como os problemas financeiros, as crises pessoais e familiares, o descontentamento geral. De uma série de discussões nasce o caos, duas famílias com seus próprios problemas rotineiros praticamente travam a 3a Guerra Mundial, numa situação onde é difícil (ou impossível) distinguir a razão para qualquer um dos lados. Farhadi está sim discutindo seu país e fazendo-o de maneira micro, buscando nos problemas gerados pela contratação de uma empregada doméstica, toda a desestabilidade de um povo regido por dogmas rígidos e questionáveis.

* indicado pelo Irã ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro