Posts com Tag ‘Dolores Fonzi’

trumanTruman (2015 – ESP/ARG)  estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Eis o grande vencedor da última edição dos prêmios Goya (filme, ator, ator coadjuvante e etc). Trata-se de outro filme bastante masculino do diretor Cesc Gay. O que os Homens Falam era uma comédia de costumes masculinos, bem ruim por sinal. E neste novo trabalho, Gaye repete parte da fórmula, e dois dos atores desse filme anterior (Ricardo Darín Jávier Cámara).

Eles são os dois amigos inseparáveis à procura de uma família adotiva para o cão de Julian (Darín) que está com câncer em estágio avançado. O mote das despedidas e outras crises sentimentais pessoais, ou de pessoas próximas, é bastante óbvio. É um filme carregado de melancolia, de olhares adocicados e trilha sonora tranquila, enquanto assiste a essas despedidas, pequenos acertos de contas, e comportamentos amáveis do galã de teatro que vem o fim próximo. O resultado é outro filme de pobreza cinematográfica, calcado apenas nesse contar uma história para emocionar.

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paulinaLa Patota (2015 – ARG/BRA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Ainda que já com alguns trabalhos no currículo, o diretor Santiago Mitre era mais conhecido por roteiros de três filmes de Pablo Trapero. Provalvemente, após sua premiação na Semana da Crítica em Cannes, seu nome possa levantar voo-solo maiores. E é facilmente perceptível a semelhança deste filme com os trabalhos de roteirista de Mitre. Via uma protagonista (Dolores Fonzi) de decisões sempre questionáveis, e louca por discutir com o pai, juiz (Oscar Martínez), o roteiro parte em busca de uma luta entre Paulina e o próprio público.

Na primeira sequencia, pai e filha discutem, ela pretende largar tudo por um projeto social, em região pobre e rural. As tantas discussões a seguir provam que Paulina tem essa necessidade de se autoafirmar frente ao pai, tomando decisões até pouco racionais, mas que sejam próprias (desde que contrárias às dele). Essa disputa familiar é o ponto mais interessante do filme. Para chegar às discussões, Mitre vai da violência sexual à tortura policial. Antes disso, tenta criar clima e justificar a ação do grupo (a tal patota) que caua os atos violentos do filme. Esse sadismo em manter a relação pai-filha tão questionadora, capaz de manter a personagem distanciando da justiça, por uma justiça própria quem nem ela crê, reduzem o resultado a um mero brinquedo provocador.

O Crítico

Publicado: dezembro 25, 2014 em Cinema
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ocriticoEl Critico (2013 – ARG) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O diretor estreante Hernán Guerschuny começa brincando com a vida do crítico de cinema, faz humor com a reação de diretores às críticas, ou à percepção de cinema do público médio, não esquece de demonstrar que não é das profissões mais bem remuneradas do mundo. Guerschuny dá um tom leve, acusa os clichês da comédia romântica, vende seu filme com um quê indie.

Porém, esse artifício vai até a página 2. Mais adiante, ele resgata todos os clichês criticados, como se o artifício inicial fosse um mea culpa. A ideia inicial se dissolve com personagens que desaparecem, com a precariedade cujo roteiro não consegue evitar. O crítico (Rafael Spregelburd) se apaixona (Dolores Fonzi), se vende ao amor, e à necessidade financeira, e o roteiro tenta tornar tudo isso divertido e romântico.

A Aura

Publicado: abril 6, 2011 em Cinema
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El Aura (2005 – ARG) 

O cineasta argentino Fabián Bielinsky se foi há alguns anos, encontrado morto num quarto de hotel em São Paulo. Seu legado foi curto, apenas alguns curtas e dois longa-metragens finalizados, e uma sensação de talento prematuro. Seu primeiro longa foi a pequena pérola Nove Rainhas (que revelou Ricardo Darín, e virou remake em Hollywood), por mais que alguns críticos tanto prefiram seu último trabalho, que chegam a considerar como o melhor filme argentino de todos os tempos.

E novamente temos Darín com protagonista, na pele de um taxidermista quieto, que sofre com ataques epiléticos, e brinca de planejar um assalto ao museu onde fornece suas peças. É tudo muito bem filmado, Bielinsky sutilmente dá formato sensorial ao seu thriller, os silêncio, os sons, o medo do perigo, do desconhecido e de um possível ataque, tudo envolto nesse exercício do cineasta em dar roupagem pessoal ao roteiro. A fotografia acinzentada, os leves travellings, e um personagem de ambição implosiva. Inseguro e autoconfiante, hipnotizado pela floresta e por um mundo que ele acredita que possa controlar.