Posts com Tag ‘Dostoiévsky’

serafin-geronimo-the-criminal-of-barrio-concepcionAng Kriminal ng Baryo Concepcion (1988 – FIL) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Faz todo o sentido Lav Diaz ter revisitado Crime e Castigo em Norte, O Fim da História. Esta sua estreia no cinema é também uma variação do livro de Dostoievsky, cujo arrependimento do crime leva a confissão. Diaz começa com a direta crítica social, uma jornalista (Angel Aquino) incisiva frente ao governo devido a grande quantidade de sequestros nas Filipinas. Cai sob seu colo Serafin (Raymond Bagatsing) que carrega todo o peso do mundo sob suas costas.

O filme em si é cru, desajeitado, algumas vezes com trilha dramático exagerada, em outras diálogos artificiais (principalmente quando a jornalista lamenta o horror do que está ouvindo). Ainda assim, são os primeiros passos de Lav Diaz, que compreende bem que a redenção do personagem é mais importante do que uma história bem tramada e um roteiro que possa surpreender.

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homemirracionalIrrational Man (2015 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A concepção da trama do professor de filosofia (Joaquin Phoenix) angustiado e alcoolatra, que causa fascínio imenso em sua aluna (Emma Stone) durante conversas pelo campus ensolarado ou à beira do mar, traz repetição da filmografia de Woody Allen, mas não é problema algum. A causa se complica quando, efetivamente, entra em operação a terceira adaptação de Allen de Crime e Castigo.

O didatismo dominante está presente em todas as falas, na narrativa em off, por todos os lados. Allen não deixa uma sombra sem explicação, de forma além de explícita. Chega ao irritante, algumas cenas até mesmo patéticas. Que há tempos que a vida não é um filme de Woody Allen, nós sabemos, mas tratar o público com tamanha incapacidade de compreender o que está acontecendo, sem se repetir, explicar tudo, já vai se tornando um desserviço ao cinema.

E não adianta florear com bonitos planos de por do sol, caminhadas por belor parques arborizados, e o jazz característico, a racionalidade humana e a discussão da moralidade requer argumentos mais elaborados do que simplificar, de maneira tão ingênua, a obra de Dostoiévsky.

Páginas Ocultas

Publicado: junho 4, 2013 em Cinema
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paginasocultasTikhiye Stranitsy / Whispering Pages (1994 – RUS) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Novamente Aleksandr Sokurov toma emprestado algo de um clássico da literatura mundial, sem que faça o que se possa chamar de adaptação. Crime e Castigo, de Dostoiévsky, é sua inspiração para narrar sua descrença da vida em metrópole, a falência da sociedade como convívio social.

 Imagens congeladas que se transformam em perfeitas representações de quadros que poderiam estar presentes em qualquer museu, Sokurov transforma a plástica inebriante de seu cinema em visões estáticas e representativas. A fome e a pobreza, um assassinato, e a grande cena em que se revela o verdadeiro assassino. Sokurov expõe seus personagens a ausência total de sentimentos, ou de doenças religiosas. Frios, como a vida ingrata e os ambientes fétidos os fazem viver, ainda assim sem crueldade.