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quandoteconheciEquals (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Romances futuristas são um tema que vem sido explorado em alguns filmes, mas os resultados são bastante questionáveis. A Ilha ou Não Me Deixe Jamais, e até mesmo um dos episódios da série Black Mirror, são alguns desses exemplos recentes, que naufragaram na tentativa de enxergar um futuro em que a humanidade viveria ludibriada por seus líderes, vivendo a vida entre ser um robô e gado. E em todos estes filmes, o amor é colocado como objeto da discórdia, da não-aceitação.

Foi a vez de Drake Doremus se aventurar, após o sucesso indie Like Crazy, que o colocou em destaque. E, tal qual os demais trabalhos do subgênero, seu filme peca pela excessiva preocupação com a frieza mecânica, em explicar apenas os mecanismos da nova sobrevivência social. São todos roteiros diferentes, mas quase filmes irmãos, como se houvesse uma convenção desse subgênero com regras claras e bem estipuladas (tons brancos por todos os lados, diálogos sem emoção, a revolta sentimental). Silas (Nicholas Hoult) e Nia (Kristen Stewart) são o casal às escondidas, que colocam em xeque o establishment para lutar pela sobrevivência de seus sentimentos. Quase sempre são filmes com final amargo, mas mesmo que eles tenham finais felizes, estão sempre presos dentro de uma estrutura que camufla qualquer assinatura autoral, gélidos como seus filmes-irmãos.

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LikeCrazyLike Crazy (2011 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Chegando com atraso ao filme que levou a consagração de Drake Doremus, onde ganhou o prêmio de melhor filme da seleção principal, fica o sabor de olhar para o início de carreiras consolidadas. Veja o exemplo da coadjuvante Jennifer Lawrence, ainda era um papel pequeno, atualmente ela é protagonista na indústria do cinema.

O romance doloroso do cineasta Drake Doremus coloca de um lado as impossibilidades de conter um amor, e de outro as barreiras das leis que regem os vistos de permanência pelo mundo à fora. Felicity Jones e Anton Yelchin são os protagonistas que se equilibram entre a explosão do coração, e o início de suas carreiras que se solidifica.

Doremus filma com doçura, delicadeza, muitas vezes carrega no tom melado amoroso, em outras aprofunda-se nas crises e dores do amor. Há cenas bem construídas como o encontro no café, ainda na fase de flerte, com a câmera se dividindo entre eles (distantes) e uma coluna. Mas, o que de mais interessante o roteiro capta é essa necessidade psicológica de preencher com amores vazios, que talvez nem existam. A coisa de uma história que precisa de um ponto final, Doremus leva às últimas consequências, desperdiçando coadjuvantes, mas nunca perdendo o tom urgente do verossímil.