Posts com Tag ‘Drica Moraes’

Rasga Coração

Publicado: dezembro 10, 2018 em Cinema
Tags:, ,

Rasga Coração (2018) 

Ainda me surpreendo, negativamente, com o desinteresse do público pelo cinema nacional, ou a própria desconexão dos filmes com esse público. O novo filme de um diretor como Jorge Furtado, não poderia chegar assim, de mansinho, na reta final do ano, seus filmes anteriores e trabalhos na tv o credencial a uma atenção bem maior. Dito isso, o diretor e roteirista gaúcho mantém sua capacidade de falar com os mais diferentes públicos, de trazer humor para debates relevantes, e uma narrativa marcada pela simplicidade.

Adaptando uma peça de teatro, a narrativa se divide em duas épocas. Nos dias de hoje, um casal de classe média em conflito com o filho que aderiu ao mundo vegano, que só anda de bicicleta para proteger o planeta e etc. Esse pai (Marco Ricca) é o jovem que enfreta seu pai moralista durante a ditadura Militar.

O filme trata desses conflitos de gerações, principalmente o poder do amadurecimento x o idealismo juvenil. Nesse contexto explora política, do macro até a política do nosso cotidiano, a relação pai x filha, marido x esposa na casa dos cinquenta anos.

Talvez a trama em flashback sofra com irregularidade, quase trampolim para a história dos dias atuais, mas é um filme interessante e que dialoga tanto com a situação atual. Os filmes todos de Furtado são assim, tentam se diferenciar muito entre si, mas são carregados de uma pegada jovem e de uma fluidez narrativa, por isso mereciam mais interesse. Inclusive, talvez seja este seu melhor filme, e todos sempre deixam o gostinho de que o próximo vai ser um dos bons. Que venha esse tão aguardado.

Anúncios

GetulioGetúlio (2014) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Os 15 anos da Era Vargas são um período razoavelmente conhecido pelos brasileiros, os livros de escola são ênfase a essa fase de golpe de estado, constituições outorgadas e outros mandos e desmandos de Getúlio. Seu retorno à presidência não é muito lembrado, apenas citado. Esse é o período de observação de João Jardim. Antes, o filme se preocupa em pontuar um pouco, em primeira pessoa e narração em off, os feitos trabalhistas do presidente que mais governou o Brasil. Serão os últimos dias antes do suicídio do presidente, a crise de corrupção parece pouco, o roteiro prefere culpar o caso do atentado a Lacerda (Alexandre Borges) como o culpado pelo ato de Getúlio (Tony Ramos).

Detalhes do palácio do Catete, os pés ou as mãos do presidente, João Jardim tenta filmar todo o peso do mundo sob as costas do presidente. Às vias de ser deposto (aliás, o filme termina veemente acusando os militares de 54 de serem os mesmos de 64, portanto um golpe iminente), Getúlio se vê traído por todos, um presidente como Lula e seu mensalão, que não sabia de nada. Figuras históricas entrarão e saem de cena, desde os ministros militares, até Tancredo (então, Ministro da Justiça). Estão lá em vão, ou com o único intuito de fazerem os atos históricos virem a conhecimento do público. O filme é mesmo uma tentativa de criar a claustrofobia e o orgulho patriótico de Getúlio. Muito peso e pouca ação, Tony Ramos se esforça em se tornar parecido, o Catete filmado de maneira quase fúnebre, e o sono da madrugada mais tensa de sua vida são tentativas fugazes de reconstituir fatos, muito melodramaticamente. Nesse mar de aspirações surge Drica Moraes, na pele da personagem mais interessante, que com candura consegue se sobressair desse mar de parcialidade.