Posts com Tag ‘Ed Harris’

Cymbeline (2014 – EUA) 

Tragédia shakespeariana adaptada aos dias atuais. O cineasta independente americano, Michael Almereyda, já havia filmado Hamlet, com Ethan Hawke, e repete a dose, com um extenso elenco de famosos aos adaptar Cymbeline (que tem, facilmente reconhecíveis, traços de Romeu & Julieta). Manter o linguajar formal do século XVII, inserindo no mundo dos celulares e gangues de motos é tarefa complicada. O risco de parecer pedante, das interpretações exageradas, são características complicadas para transpor ao cinema atualmente. E Almereyda, realmente não consegue escapar da armadilha que seu autodesafio criou. Seu filme de intrigas, um quê de poesia em cada diálogo, romances e amores desiludido,s tem o sabor de uma velharia com roupa moderna. Além de aproveitar alguns de seus personagens e acabar refém da limitada Dakota Johnson no papel da mocinha romântica e indefesa.

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Mother! (2017 – EUA) 

Entre vaias e aplausos que foi recebido o novo thriller psicológico dirigido por Darren Aronofsky durante a competição do Festival de Veneza. Mais ousado e pretensioso do que nunca (lembrem-se que ele dirigiu Noé e Fonte da Vida), o cineasta nova-iorquino provoca o público na estética, e principalmente na forma de síntese com que aglutina todas as mazelas do mundo.

Os posters e trailers já ofereciam a estranha sensação visual, algo entre o religioso brega e o dark misterioso, além da artificialidade gritante. E o filme não nega as aparências, repleto de planos-sequencias circulares e insanos, e a atmosfera da presença de um mal sobrenatural naquele lar, o casal começa a receber visitantes (sem convidá-los) e a hospitalidade do marido (Javier Bardem) assusta a passiva esposa (Jennifer Lawrence). Entre o medo e a insegurança e o ar acolhedor do poeta em bloqueio criativo, que o filme constrói arcos dramáticos que sempre colocam-na como a figura frágil e perturbada frente uma normalidade que não existe.

Mais adiante na história, desses arcos dramáticos surgem sequencias ainda mais insanas em que Aronofsky tenta refletir sua visão sobre nossa sociedade tão violenta e desumana. Nada de metáforas, é tudo explícito e visual, exagerado e acelerado. A cada novo horror, o filme faz referências a dramas pessoais ou universais como: crime, guerra, religião, maternidade, dor. Interpretações over, conceitos didáticos, Aronofsky não consegue dar cabo de nem metade de todos os conceitos que pretendia, e sua pretensão realmente incomoda muita gente. Por outro lado, sua ousadia em colocar tudo isso num filme de estúdio, com os grandes astros de Hollywood, vem de encontro com as pretensões que sempre estiverem fortemente claras em sua filmografia.

expressdodoamanhaSnowpiercer (2013 – COR/EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Pense no futuro a Arca de Noé, e a substitua por um trem. Nele espaço e tecnologia para manter vivos todos os sobreviventes (humanos, animais e plantas) de um fenômeno que congelou toda o planeta Terra. Coprodução entre sul-coreanos e americanos, sob direção de Bong Joon-ho, é mais um filme de ação apocalíptico. Com heróis desbravadores (Chris Evans, Octaviana Spencer, John Hurt e Jamie Bell), lutando contra a terrível minoria que controla o trem (Tilda Swinton, Ed Harris).

Influencias de campos de concentração nazistas não devem ser tratadas como mera coincidência. Joon-ho não consegue ir muito além de sua proposta, cria suas próprias regras para manter vivos os personagens que interessam ao roteiro, enquanto a locomotiva cruza o planeta congelado. Vilões canastrões, lutas inimagináveis, tudo dentro dos espaços pequenos de vagões, sejam eles ecossistemas completos ou a represetanção de aquários fabulosos. Muita ideia para pouco resultado prático.

oshowdetrumanThe Truman Show (1998 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Essa ideia de reality show, de estar sendo observado o tempo todo, já vem desde George Orwell. Antes de sua disseminação como a grande praga do século, o roteirista Andrew Niccol (que dirigiu S1mone, pode-se perceber seu fascínio pelo tema) e o diretor Peter Weir, trouxeram ao cinema essa história do homem vivendo tracando em um programa de tv. Enganado por todos, tendo sua vida fabricada e planejada por um diretor de tv (Ed Harris).

A questão é interessante, a necessidade de libertação humana frente a curiosidade. Não há na trama nada além de alguém vivendo seus dramas corriqueiros, com o detalhe de ser observado (sem saber) por cameras de tv, 24h/dia. Porém, no fundo, seus dramas são o desejo de se libertar, de viver o desconhecido, de se apaixonar. Nada que a vida, natural, não tenha como desafios a todos. Jim Carrey não consegue se desprender de suas caras e bocas, é uma pena, seus filmes dificilmente escapam do estigma de “mais um filme de Jim Carrey”.

 

Places in the Heart (1984 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Há pouco além da conexão familiar nas duas histórias paralelas que o filme aborda. Robert Benton carrega bem nas tintas do melodrama da trama de Edna (Sally Field), a mulher de fibra que na década de 30 assume o controle da fazenda após a morte do marido. Sem nem saber como assinar um cheque, ela entra de cabeça na plantação de algodão e na administração da fazenda. Garra e coragem são suas bandeiras, mas o filme não deixa de abordar o racismo e a inocência como temas importantes.

De outro lado, há a trama de Margarete (Lindsay Crouse), irmã de Edna, a cabeleira que sofre com a infidelidade do marido (Ed Harris) com sua melhor amiga (Amy Madigan). Essa parte do filme não  vai além de repetir clichês de outros filmes, sem nenhum atrativo ou diferencial. E facilmente poderia ter sido preterida, frente a poderosa presença de Sally Field e sua relação com Moze (Danny Glover) que diz ser especialista no plantio de algodão. É a atuação sofrida e contundente de Sally Field que carrega o filme, e mantém ainda mais distanciada a banalidade da trama sobre infidelidade. O resultado final é essa irregularidade onde as atuações se sobressaem ao todo.

FIRM, THE, Wilford Brimley, Tom Cruise, 1993

The Firm (1993 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Houve uma época de uma febre de filmes baseados nos livros de suspense policial, envolvendo advogados e júris, do escritor John Grisham. Sob a direção de Sydney Pollack, o best-seller sobre ética profissional não passa de um típico produto do cinema de Hollywood da década de 90, quando este tipo de suspense criou astros e marcou grandes bilheterias. A previsibilidade do roteiro, desfechso mirabolantes, sempre conectados com narrativas de prender a atenção marcaram o gênero na época e Pollack não conseguiu desvencilhar-se desse movimento.

Quando dois advogados morrem, misteriosamente, em um acidente com um barco em Cayman, é que o promissor récem-formado advogado, Mitch McDeere (Tom Cruise), descobre as verdadeiras facetas da firma (câmeras os observando, telefones grampeados, chantagem) que parecia preocupar-se tanto com o bem estar de seus funcionário, pregando a estabilidade, apoiando os casais a terem filhos, e mantendo a inabalável estatística de nenhum funcionário divorciado.

O FBI investigando os donos da firma, acusados de lavagem de dinheiro. Mitch é forçado a roubar provas, em troca de sua proteção, e da liberação de seu irmão que está preso por homicídio. Entra em cena a discussão da ética, do juramento de advogado, frente a própria sobrevivência. A dúvida ética é logo substituída pelo thriller de ação e perseguição, tão presentes nos livros de Grisham.

 

opoderabsolutoAbsolute Power (1997 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

E se você presenciasse um assassinato? E se o envolvido fosse do alto escalão do governo? Delicado, não? Mas, e se você estivesse assaltando o local na hora do crime? Eis a premissa proposta pelo filme de Clint Eastwood. Luther (Clint) é um assaltante que há tempos não atua, até que decide entrar na casa do magnata Sullivan (E G Marshall). O assalto corria bem, mas Luther ouve barulhos de um casal e se esconde no cofre. O casal era formado pela esposa do magnata (Melora Hardin), e Alan (Gene Hackman), ninguém menos que o presidente dos EUA. Começam uma discussão que acaba em agressão, os seguranças do presidente, assustados, invadem o quarto e disparam. Clint transforma Luther num assaltante-mártir após assistir um discurso do presidente na TV, ficando revoltado contra a injustiça e impunidade. Exagera nesse lado bonzinho, nessa ânsia pelo correto, enquanto o roteiro cria uma rede de policiais e estratégias para incriminá-lo. O resultado é bem banal, e até difícil de engolir.