Posts com Tag ‘Eddie Redmayne’

A Garota Dinamarquesa

Publicado: fevereiro 11, 2016 em Cinema
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agarotadinamarquesaThe Danish Girl (2015 – RU) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O acadêmico Tom Hooper vai colecionando filmes chatos e abjetos. Dessa vez segue a história de um casal de artistas (Alicia Vinkander e Eddie Redmayne), a qual nele desperta a feminilidade a ponto de desejar a mudança de sexo. Trata-se de um dos primeiros casos da história, mas nas mãos de Hooper o filme excede a delicadeza causando artifiacialidade onde deveria surgir leveza. Assim como em O Discurso do rei, o tom solene joga contra, a pompa de época perde espaços para esses excessos evidentes que culminam no fracasso completo pela narrativa estenuatemente monótona. Resta um Eddie Redmayne caricato, e o brilho ofuscado pelo próprio filme de Alicia Vikander.

ateoriadetudoThe Theory of Everything (2014 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Um dos mais cotados postulantes ao Oscar 2015, a nova cinebiografia do físico Stephen Hawking (Eddie Redmayne) busca os limites do piegas melodramático. Lembra muito Uma Mente Brilhante, mas desce ainda mais profundamente em todos os elementos capazes de traumatizar as lágrimas de um público que esteja ávido por isso.

O roteiro é baseado no livro escrito pela primeira esposa, Jane Hawking (Felicity Jones), e há muito dela no filme, ela praticamente rivaliza o protagonismo de Hawking na história. Porém, o que sua personagem tem a oferecer? Uma mãe dedicada, uma esposa que encara de frente as lamentações físicas do marido gênio? Pouco que acrescente realmente há história de Hawking. O fraco telefilme da BBC não dá toda essa importância, consegue focalizar melhor as idéias e trabalhos de Hawking, o cineasta James Marsh prefere o romantismo, por isso surge com força a presença de Jonathan (Charlie Cox), outro que nada oferece a persona de Hawking.

Restam dramas, cujos atores principais não conseguem ir muito longe em suas atuações, e falta a figura de Hawking, o tamanho de sua importância para o mundo da física. Não basta colocar um plano com a capa dos livros sendo vendidos nas livrarias, claro que dosar o tom das conversas científicas é algo delicado, praticamente bani-las já é uma amputação da própria paixão do cinebiografado, de demonstrar quem ele realmente é.

osmiseraveisLes Misérables (2012 – ING) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O poder da visão crítica de Victor Hugo sobre a diferença entre classes sociais, na França do século XIX, passou longe, mas muito longe. A direção de Tom Hooper apenas se apodera da fama do musical que fez sucesso estrondoso no teatro, mundo afora. De forma irregular, alongada, melodramática e cansativa. A primeira hora só não é totalmente entediante por duas cenas, a da fábrica e a apresentação da população miserável, de resto apenas a ladainha do início da caça, de uma vida.

O inspetor de Russel Crowe (pior cantor do planeta?) passa anos na captura do assaltante faminto (Hugh Jackman), Hooper desperdiça a miséria, privilegia a richa. Por essa disputa passam outros personagens, da vida execrável à novos vultos da Revolução Francesa, o amor jovem e pueril e aproveitadores baratos. São duas horas desperdiçadas entre canções pouco empolgantes (destaque para o solo de Anne Hathaway que lhe valerá o Oscar), até a chegada da questão política, os rebeldes civis lutando contra o governo.

Nesse ponto se apresenta , mesmo que timidamente, o conteúdo que Victor Hugo trouxe ao mundo, o desfile de coadjuvantes doando sua vida à uma causa, lutar por ideais. Mas o sofrimento é tão árduo para chegar nessa parte (tão regular), que o esforço nem vale a pena.