Posts com Tag ‘Edward Norton’

birdmanBirdman: or (The Unexpected Virtue of Ignorance) (2014 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Exagero, extravagância, eloquência. Não faltam adjetivos capazes de rotular o novo filme de Alejandro González Iñarritu. O cineasta mexicano, que explorou o recurso das histórias que se entrecruzam até esgotar a paciência do público, vem agora, com o ego nas alturas, discutir a inesperada virtude da ignorância. O ator (Michael Keaton) que tenta na Broadway a redenção após o estigmar de ser o herói dos cinema (Birdman) é prato cheio para Iñarritu preencher com histerismo os bastidores de uma peça prestes a estrear.

O ego de Iñarritu começa pelo falso único plano-sequencia, a qual o filme ser apresenta. Personagens berrando o tempo todo, os nervos à flor da pele, é tudo capturado pelo exagero de discursos agressivos, e pela petulância de quem tenta resumir os males do mundo em meia-dúzia de personagens caricatos. É o cinema da demasia, da loucura calculada na pretensão de um estudo psicológico humano, que não vai além da arrogância da sátira do absurdo.

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ograndehotelbudapesteThe Grand Budapest Hotel (2014 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A patifaria de sempre de Wes Anderson, só que dessa vez travestida da década de 30, o Nazismo e o período entre as duas Grandes Guerras. De um lado o fino, o elegante, um luxuoso hotel e seu consierge (Ralph Fiennes) alcançando o cumulo da sofisticação. De outro lado a estrutura estéreo, imersa em cores berrantes (elevador vermelho e uniformes roxos), dos filmes de Wes Anderson. No meio disso uma intricada trama com direito a roubo de quadro, e vilões patifes (Willem Dafoe, Adrien Brody).

É mais uma aventura para unir atores famosos, e eternos colaboradores de Wes Anderson. Assim, Bill Murray e Owen Wilson aparecem em pequenas pontas, enquanto personagens esboçam humor por meio das sequenciais ágeis e picotadas de Anderson. Ele simplesmente traz seu universo para uma época específica, troca os losers da classe média pela alta aristocracia europeia versus um charmoso gerente de um hotel. Com direito a fuga da cadeia e outras patifarias, Wes Anderson é incorrigível.

todosdizemeuteamoEveryone Says I Love You (1996 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Visto atualmente ele parece mais que um típico filme de Woody Allen, e sim um típico e atual filme do cineasta. Afinal, além do tom positivo, ele é filmado entre NYC, Paris e Veneza, quase um precursor dessa fase mais turista do diretor.

As inserções musicais, o humor padrão, o universo enorme de personagens e atores consagrados, as manias do personagem de sempre interpretado por Allen, está tudo ali. A trama principal sobre um romance nascido de uma falsa relação (o cara pega as dicas das lamentações da mulher na psicóloga e se mostra como o “homem dos sonhos”), divide muito espaço com os outros casais que se amam, se separam, vivem suas vidas de emoções. É Allen doce com o amor, vendo no brega a beleza, acreditando que nas aventuras que se tem certeza do amor.

Moonrise Kingdom (2012 – EUA) 

Wes Anderson conseguiu imprimir marca autoral, uma assinatura clara, e isso é um ponto que respeito em cineastas. Antagonicamente, toda essa característica própria e ímpar soa tão artificial, falsa. A repetição de personagens e situações, onde a esquisitice, sem graça, impera como um comportamento que almeja ser cool.

Os enquadramentos trabalham como uma aula de perspectiva, com profundidade, explorando os ambientes. Afinal, Anderson não quer deixar nenhum detalhe da direção de arte de fora do quadro. Cores berrantes, objetos estranhos, reações mecânicas, tudo faz parte do seu jogo de cena, onde a melancolia tende ao excêntrico. E essa excentricidade opaca, sem vida e nem cor. Inodora, incapaz de explorar além da mesmice de sua fórmula se torna mais e mais a base de sua filmografia.

Dessa vez a história volta aos anos 60. Dois adolescentes desajustados, um bando de adultos esquisitinhos, o primeiro amor e um desejo de romper com os limites impostos pelos pais. Tantas tolices entre as relações entre adultos, enquanto o que de realmente interessante está naqueles dois jovens e em sua fuga, o misto de inocência e rebeldia. O melhor do filme está ali, nos dois jovens atores desconhecidos, o peso do elenco de estrelas pretende trazer alívio cômico (tão desnecessário).

The Legacy Bourne (2012 – EUA)

O pecado de Tony Gilroy é a mesmice. Começando por um início arrastado no Alasca, e reciclando a história do agente sem passado. Se Matt Damon não topou o quarto episódio, melhor começar novamente, com um outro agente secreto (Jeremy Renner) que possa render mais alguns filmes. Conteúdo? Usamos o mesmo e está tudo resolvido, afinal a fórmula funciona.

De repente é hora de acabar com o projeto, liquidar com todos os envolvidos. Rachel Weisz como a cientista que pode ser a salvação de nosso super agente vive as aventuras da CIA à sua captura. Coadjuvantes de luxo ficam sem função, afinal não há nada no filme, são cenas de perseguição construidas para entreter e tirar o folego dos que acreditam naquilo tudo.

Sem dúvida, o melhor do filme, é o título, legado é palavra que cabe perfeitamente nessa trama. Há duas sequencias de ação interessantes (serial killer no laboratório e a perseguição de motos), porém a segunda é tão cheia de cortes e com absurdos da física que a adrenalina termina diluida. É o peso da mesmice, espalhado por pílulas coloridas e mudanças genéticas que deixam os agentes da CIA “especiais” e aquele mar de explosões e tiroteios correndo o mundo.

People vs. Larry Flynt (1996 – EUA)

Escolher adjetivos para definir o sujeito que criou a revista Hustler e tornou-se um dos maiores nomes do mundo pornográfico no mundo seria uma tarefa fácil, ele é altamente rotulável, cheio de manias e dono de uma irreverência sem limites. O filme de Milos Forman fala versa sobre a liberdade de expressão? Que nada, Larry Flynt (Woody Harrelson) levantava essa bandeira para mérito próprio, mas é verdade que sua luta era justa e sua coragem inestimável. Só que, por incrível que pareça, o filme chega a ser careta se pensarmos no tamanho dos temas e tabus retratados (e principalmente pelo perfil explosivo e depravado de Flynt). Em alguns momentos mal arranjado, cortes de qualquer jeito e essa sensação de que a depravação está dentro dos personagens e pouco no que vemos. Forman prefere as cenas de tribunais, onde Edward Norton nem chega a brilhar, quando era em Courtney Love que poderia se explorar melhor a relação com Flynt, a revista e esse submundo despudorado que foi primeiramente retratado nas páginas da Hustler.

Tenha Fé

Publicado: agosto 22, 2002 em Cinema
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tenhafeKeeping the Faith (2000 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Primeira experiência de Edward Norton como diretor. A opção foi por uma comédia que tem religião, lealdade e amizade como temas centrais. Jacob “Jake” Schram (Ben Stiler), Brian Finn (Edward Norton) e Anna Reilly (Jenna Elfman) foram amigos inseparáveis quando criança. Porém, os pais de Anna acabaram transferidos de cidade, e a distância acabou afastando-a dois outros dois. Passados alguns anos, Jake e Brian decidem tomar caminhos parecidos e opostos, a religião. Jake torna-se rabino e Brian padre. Anna, agora uma grande executiva, vem passar um tempo, a trabalho, na cidade ,e procura seus antigos amigos.

Acontece o inevitável, os dois se apaixonam pela amiga de infância, e devido as escolhas religiosas, acabam tomando atitudes diferentes. Enquanto Brian esconde seus sentimentos, Jake e Anna engatam um namoro, às escondidas, por ela não ser judia. Brigas e confusões, declarações de amor, e argumento oferece uma enormidade de possibilidades cômica que o roteiro aproveita para resultados divertidos, porém tolos, e muitas vezes exagerados.