Posts com Tag ‘Elena Anaya’

La Piel que Habito (2011 – ESP) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Da safra mais recente de filmes da carreira de Pedro Almodóvar, este é o que mais se aproxima de um mundo almodovariano anterior à sofisticação de Fale com Ela. Inclusive, desde Fale com Ela Almodóvar tenta reencontrar seu caminho. Até ali sua obra vinha marcada por fases distintas, por uma evolução natural rumo à sofisticação. Dali em diante, o cineasta busca, em suas próprias obsessões, o caminho a seguir. Qual o próximo estágio? Enquanto não encontra o caminho, patina em possibilidades (às vezes acerta, como no caso de Volver). Nesse novo filme voltam a vingança, o bizarro, e o tema sexual, adaptando o livro Tarantula de Thierry Jonquet, o cineasta praticamente traz à tona um Frankenstein moderno totalmente obcecado pela junção desses três tema (vingança, voyeurismo, sexualidade).

Ainda assim, mesmo sendo um filme com “cara” tipicamente almodovariana, troca-se a sofisticação pelo peso. A mão do cineasta não acerta nem em suas características primitivas. O tom tragicômico passa longe. Os diálogos carregados de um melodrama típico, aqui parecem passar do ponto (pesados), as cores berrantes dão lugar a tons cinzas modernos que nada dialogam com seu cinema, o protagonista (Antonio Banderas) peca pela canastrice quando poderia se colocar como um personagem tão fascinante dentro desse jogo de vingança-saudade-desejo. Fora os tiros, tiros, e mais tiros, e armas para todos os lados, há alguma coisa de errado quando um filme precisa apelar tanto para esta artimanha.

inimigopublicon1Mesrine: L’Instinct de Mort (2008 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A figura de Jacques Mesrine (Vincent Cassel) é extremamente cinematográfica, no sentido showman da coisa. Um bandido desmiolado capaz de atitudes mirabolantes, como a fuga, e posteriormente auxílio para a fuga de outros que com ele estavam presos num presídio de segurança máxima no Canadá (só em dois num carro e como único plano sair atirando para todos os lados), já é argumento para um filme de ação. Nas mãos de Jean-Fraçois Richet (e sua passagem pelo cinema de ação hollywoodiano) o filme perde os laços com o cinema europeu para flertar um pouco com o que estamos acostumados no mainstream, se bem que há um ar, um toque de Richet, principalmente na montagem rápida, nos cortes secos e no estilo “moderninho” de filmar.

A primeira parte da saga de Mesrine narra o início de sua vida no crime, sua relação com o chefão da máfia Guido (Gerard Depardieu), dois grandes amores à espanhola, Sofia (Elena Anaya) e Jeanne Schneider (Cécile de France), que trabalhando em dupla ganharam o apelido de Bonnie & Clyde. Richet recorre a participação de Mesrine na Guerra da Argélia (no fim da década de 50) numa forma de justificar a opção de Mesrine pelo mundo do crime, ao tomar partido escancara essa adoração por parte dos franceses a uma figura truculenta, violenta, e faz do seu filme um grande entretenimento com um personagem desajustado. É válida toda a seqüência inicial que deixa no ar uma armadilha para matar Mesrine, a seqüência se impõe com estilo, mas não chega ao impacto esperado (torna-se diapasão do próprio filme).