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The Thin Red Line (1998 – EUA) 

E Terrence Malick visita a guerra. Um hall gigante de estrelas de Hollywood incorpora membros das tropas americanas no período da Segunda Guerra. Porém, Malick segue fiel às suas origens e obsessões, e foge do filme de geurra convencional, como era de se esperar. Em seu início, privilegiando alguns diálogos, com personagens mais burocráticos, é a forma como o cineasta questiona valores do exército. É no fogo cruzado que o filme realmente mostra sua força.

Pense num filme de guerra onde não importa quem está lutando, onde a vitória na batalha está ali sem que heroísmos sejam foco, e sim a sensação de se estar ali entre as vibrações da natureza, o medo e sua presença fundamental. Resumindo, onde o que se sente dentro da alma e não dentro da mente, Malick consegue aqui o que talvez seja o seu grande filme. Um trabalho intuitivo, que pode estar permeado do dia a dia de um pelotão, mas está totalmente focado nas relações dos soldados com seus momentos, com seus temores, com a dor da perda, ali ao seu lado. Ou a saudade de casa, mas, sobretudo com o ambiente que os cerca, onde o inimigo está presente, ali escondido e pronto para o bote.

Crash (1996 – CAN) 

Estamos falando de sexo e fetiche nessa adaptação do livro homônimo de J. G. Ballard. E, também, estamos em mais um trabalho do diretor David Cronenberg, que sempre se apodera do bizarro e do provocador para atrair o público. O mais fascinante do filme é quase propor um estudo psicológico da sede dos personagens por viverem o prazer do fetiche, de descobrir e extravasar seus limites. Fetiches são fetiches, mas essa sede vai muito além porque eles adicionam o risco, e essa estranha ligação entre acidentes e sexo que excita. A trama tem um casal (Deborah Kara Unger e James Spader) vivendo um casamento aberto, compartilhando na cama as experiências e fantasias realizadas fora do matrimônio. Ele se envolve num acidente de carro fatal e desenvolve uma atração doentia pela recém-viúva (Holly Hunter) que acaba o levando a um grupo de acidentados e deformados que reconstitui acidentes fatais de famosos (como o de James Jean). Carros, sexo e cicatrizes juntos. Há limites para o prazer?

Cronenberg nos faz mergulhar nas perversões entre o excitante e a repulsa, não faltam exemplos como a incrível cena em que todos assistem a um vídeo sobre testes com cinto de segurança, enquanto deliram e acariciam-se uns aos outros a cada batida. A libido ganha um ingrediente adicional que é essa relação com a máquina e com o que ela pode causar (no caso, as cicatrizes). De maneira chocante, crua e inteligente o cineasta apresenta a obsessão doentia como atalho ao clímax sexual.

possuidosFallen (1998 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O detetive John Hobbes (Denzel Washington) ficou famoso após capturar um serial killer (Elias Koteas). Instantes antes de morrer, na câmera de gás, o condenado cantarola uma canção que Hobbes começa a ouvir insistentemente nas ruas. Crimes voltam a ocorrer da mesma forma como o serial killer agia, o verdadeiro assassino ainda está a solta. Seu nome é Azazel, um espírito do mal que troca de hospedeiro com um simples toque ou pelo ar (e sobrevive mesmo que o corpo morra).

Nas investigações Hobbes encontra ajuda de Gretta Milano (Embeth Davidtz), professora de teologia e filha de um antigo detetive que morreu vítima do mesmo espírito. Juntos investigam o mistério, enquanto Azazel passa a perseguir o detetive, armando-lhe uma cilada. Cenas de alta tensão, perseguições emocionantes, eis o ponto alto do filme e do trabalho do diretor Gregory Hoblit. Um suspense sobrenatural com momentos de tirar o fôlego, típico caso do universo do seriado Arquivo-X. Porém, cheio de irregularidades, de lado positivo os truques de câmera para retratar Azazel, de outro lado as falas em off exageradas de Denzel e a incapacidade do roteiro em fugir dos clichês do gênero.