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Free Solo

Publicado: março 14, 2019 em Cinema
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Free Solo (2018 – EUA)

A ideia é acompanhar a preparação e o feito do alpinista Alex Honnold, em subir a montanha El Capitan, em estilo free solo, sem ajuda de cordas ou qualquer equipamento de alpinismo. Em resumo, na raça. Tudo que se refere às cenas nas alturas são fascinantes, de dar vertigem, tudo captado pelo cinegrafitas e co-diretor Jimmy Chin, que assina esse filme com a documentarista Elizabeth Chai Vasarhelyi. A tensão, ou a emoção de Alex, a cada dificuldade alcançada, sem dúvida uma escalada espetacular.

Fora as imagens impressionantes, há a fase de preparação, que toma boa parte da história e seria bem padrão, se não fosse a entrada em cena da namorada de Alex, que vivia da irresponsabilidade dos 30 anos, morando dentro de um carro, e começa a ter planos a dois, montar uma casa com móveis, e perebemos o quanto a entrada dela em sua vida causa uma total transformação. E, meio sem jeito, ele vai se adaptando, enquanto treina e se prepara para um feito incrível, kamikaze, quase inaceitável por tamanha falta de segurança.

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Human Flow (2017 – ALE) 

Incorruptible (2015 – SEN) 

As coincidências da vida me levaram a assistir aos dois filmes, no mesmo dia. E mesmo que não tenham o tema em comum, é possível encontrar paralelos, e reflexos de urgências globais, entre os interessantes documentários. Incorruptible (disponível na Netflix) é da diretora Elizabeth Chai Vasarhelyi e trata a questão eleitoral no Senegal, novamente um governante tentando se perpetuar no poder. Human Flow é a estreia do polêmico artista chinês Ai Weiwei (um dos grandes nomes da atualidade e que merece ser descoberto) tratando a inflamada questão dos refugiados.

Em ambos os casos temos fome, miséria e a população completamente jogada à sorte frente a decisão autoritária e egocêntrica de seus governantes. No Senegal, a corrupção política, a sede de poder, e o desrespeito as leis, despotismo, políticas infelizmente comuns nos países africanos. Chai Vasarhelyi acompanha o processo eleitoral, as ameaças e os confrontos, enquanto existe a real possibilidade da oposição disputar, voto-a-voto, a eleição que era tida como certa do presidente. Talvez, o mais impactante seja a imagem, já no segundo turno, dos mais de dez candidados derrotados, se alinhando ao opositor que chegou nessa segunda etapa. É impressionante como todos podem se unir numa escolha única, que esteja além de suas convicções políticas.

É decepcionante que Ai Weiwei tenha preferido uma narrativa tão quadrada e “jornalística”. De um artista tão inventivo, poderia se esperar o novo. Ele viaja à Europa, Oriente Médio, África e fronteira do México com EUA atrás de refugiados. Algumas entrevistas, porém o foco é mais o modus-operandi da vida de refugiado. Flagra da vida desumana, da ausência de necessidades básicas, da impossibilidade de voltarem a seus países e da total desesperança de uma solução a curto, médio ou longo prazo. Weiwei ousa mais quando se apodera da força das imagens, aéreas com drones, ou no epicentro dos dramas entre tempestades de areia, incêndios ou cidades completamente destruídas. Ainda que inegavelmente interessado em seus resultados, Weiwei vende essa ideia de plural, de democrático, e de mostrar o drama como-ele-é.


Human Flow

Festival: Veneza

Mostra: Competição Principal

Prêmios: