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The Square (2017 – SUE) 

Ruben Östlund está de volta, como nada mais, nada menos, que vencedor da Palma de Ouro. Metralhando criticas à futilidade e hipocrisia do mundo cultural. Christian (Claes Bang) é a marionete nas mãos do cineasta sueco para expor suas pseudo-metáforas e questionável escrotidão através de atos em sua vida particular que se contrapõe ao lado bom moço e humanitário de curador de um um museu de arte.

Provocar a burguesia europeia do champagne e caviar em festas de doação de fundos para arte é como ameaçar com estilingue uma vidraça de vidro. É um alvo fácil, frágil e facilmente provocativo. Östlund não fica só nele, e ao revelar mais da personalidade de Christian, tenta fazer esse retrato cínico de quem acha que está fazendo o bem, quando abusa dos marginalizados pela sociedade (imigrantes, mulher, funcionários).

Mais frágil que seus alvos são as próprias ideias de Östlund, como em todas as cenas com a dupla que faz um plano de marketing para a nova exposição do museu (The Square). O didatismo com que tenta provocar, como quem acredita que está banalizando a arte, quando talvez seja mais um que demonstre que ser incapaz de compreendê-la. Em tempos de tanta confusão e censura nos museus brasileiros, o filme dialoga muito com a visão conservadora daqueles que vendem a ideia de que arte é um bem supérfluo e desnecessário. Ataca o todo, e nunca a pobreza do público mais preocupado com checkin’s e selfies, do que a reflexão e novas perspectivas.


Festival: Cannes

Mostra: Competição Principal

Prêmios: Palma de Ouro

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conspiracaoepoderTruth (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Voce deve ter visto alguns filmes de James Vanderbilt como roteirista, desde grandes acertos como o primeiro Homem-Aranha e Zodíaco, a equívocos como O Espetacular Homem-Aranha. Agora, ele se aventura como diretor. Num filme ousado, até certo ponto, e que esteve nas listas de cotados para o último Oscar, até acabar esquecido (até porque guarda semelhanças com Spotlight, e na comparação… Vanderbiltt perde feio). É outro filme sobre o jornalismo americano, dessa vez a história verídica dos bastidores de uma reportagem que fez tremer o consagrado 60 Minutes. A ideia de um furo de reportagem que poderia mudar os rumos de uma eleição presidencial, ao jogo de poder para abafar, negar, e difamar os envolvidos, tal como manda a cartilha da boa política dos poderosos.

Portanto, não faltam elementos intrigantes à história, que conta ainda com elenco de peso (Cate Blanchett e Robert Redford), mas deve mesmo acabar meio esquecido e com público restrito (tal qual sua bilheteria ndos EUA). Vanderbilt cai nas convenções do gênero, de usar trilha sonora, tom dramático, e tomar totalmente partido de sua protagonista. Passa longe do brilhantismo de O Informante, e se alguns diziam que Spotlight tinha cara de telefilme, esse intensifica ainda mais essas características. Como história é intrigante, como cinema é banal, e nesse limbo o filme vai ficando tão esquecido…