Posts com Tag ‘Ellen Burstyn’

InterestelarInterstellar (2014 – EUA)  estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Chistopher Nolan não se conteve com dominar Gotham City, ou penetrar nos sonhos e mudar completamente as vidas dos que dormiam, o diretor precisava de mais, o planeta já não era o bastante para sua mente megalomaníaca (palavras de quem gosta de seus filmes, e muito em muitos deles). Nolan partiu para o espaço, a salvação da humanidade em outra galáxia, vamos abandonar a Terra (esgotada) e transferir a humanidade para outra localidade.

Vejo uma mensagem clara em sua Ficção Científica, ele mira em 2001 – Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, mas o máximo que ele consegue atingir é um episódio, bem longo, e caro, de Doctor Who. A questão verossímel da história, o excesso de explicações para o público médio que só compra o que entende, nem me parecem o maior dos problemas. O filme é fraca dramaturgicamente, começando por como o fazendeiro (Matthew McConaughey) volta a sua vida de astronauta, passando por todo o drama de deixar a família pelo “bem da humanidade”, os ensinamentos de livros de autoajuda do cientista da Nasa. Resumo, o bolo é esburacado, deformado, q beleza gráfica apenas repete Gravidade, mas já perdeu o sabor de novidade.

Dessa forma, essa gigante nave espacial orbita pelos cinemas de forma meio desajeitada, nem tão ruim quanto parecem, porém incapaz de se movimentar, e escapar, da própria teia que o roteiro usa para aprisionar seu público. Tentar emplacar Anne Hathaway no Oscar é quase uma piada de mau gosto, Nolan parece incapaz de domar sua própria ideia, de tão grande que ela se tornou. Depois do espaço, quais as fronteiras que poderão contê-lo?

providenceProvidence (1977 – FRA/SUI) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Quem conhece alguns dos filmes de Alain Resnais já sabe que ele transformava o didático em difícil, seja em adaptações literárias, teatrais, vivia sempre além, buscando novas maneiras de contar histórias, de retratar sentimentos, de fazer cinema. Providence é o casarão onde mora o escritor que narra essa história, um palacete burguês de um homem que sofre de câncer, que mistura realidade e delírios, e que enxerga os seus com uma interpretação peculiar.

A narrativa fragmentada não nos ajuda a entender tudo facilmente, esse é o grande trunfo de Providence. Clive Lnagham (John Gielgud) destila a visão de seu filho primogênito (Dirk Bogarde), como um advogado de sucesso, e uma vida particular frustrada. A esposa (Ellen Burstyn), e uma próxima relação com um inocentado pelo júri (David Warner).

Pouco a pouco você verá que os personagens e fatos não são exatamente estes, os delírios de noites de insônia perfazem a narrativa desse homem de classe, e dono de uma inveja e petulância, que apenas o público poderá compreender. Resnais trata da velhice, de uma forma que ficará ainda mais marcante dias após assistir ao filme, porque ele expõe as fraquezas interpretativas de quem não compreende a geração a seguir, ou sente inveja da vitalidade que lhe falta. São perguntas cujas respostas vão me perseguir, talvez a você também enquanto recordamos da acidez do escritor e seu chá numa manha ensolarada.

quandoumhomemamaumamulherWhen a Man Loves a Woman (1994 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O dramalhão é inevitável. A versão feminina do alcoolismo, com os mesmos predicados. O casal feliz abalado pela dependência, a instituição familiar desestabilizada onde todos passam a sofrer com os males da bebida.  Obviamente que o foco principal está nos relacionamentos entre o casal e as filhas, sofrimento mútuo compartilhado.

O casal é formado por Michael Green (Andy Garcia), piloto de aviões, e Alice Green (Meg Ryan) que trabalha em uma escola. As filhas Casey (Mae Whitman) e Jessica (Tina Majorino), filha de Alice com outro homem. A desconstrução do lar em harmonia, o marido atencioso que viaja muito a trabalho, a esposa que precisa estar “alta” para levar sua vida. Vodca, aspirinas, um acidente.

Michael assume a cada, as filhas, e o apoio incondicional à esposa. É um drama intenso, comovente, tradicional, sempre em prol da adaptação à nova vida. Dirigido por Luis Mandoki, o peso emocional é todo calcado em Andy Garcia, no auge de seu prestígio. Sempre buscando o tom comovente, maduro, heroico, como na cena clichê em que discursa no AA. Drama familiar para emocionar facilmente, preparem os lenços.