Posts com Tag ‘Ellen Page’

amorpordireitoFreeheld (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Outro daqueles casos de bonitas e comoventes histórias que no cinema se tornam melodramas pegajosos. A aposta era alta com um elenco tão renomado, mas o filme dirigido pelo pouco conhecido Peter Sollet é apenas outro draminha para conquistar plateias fáceis.

A história é simples, clama por justiça quando um casal lésbico (Julianne Moore e Elen Page) compram briga com vereadores de um pequeno Condado pela igualdade de tratamento de pensão, quando uma deles está prestes a morrer de câncer. Cria-se um palanque onde os famosos atores tem suas aparições para defender a justiça, beirando um filme de tribunal. Enquanto isso, Moore se entrega ao trabalho de maquiagem que a deixa cada vez mais caquética. Não há nada de dramaturgia ou cinematográfico que se possa aproveitar, além da história que está sendo encenada.

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To Rome, with Love (2012 – EUA/ITA/ESP)

Woody Allen peca pelo excesso de vontade. Já falei sobre isso, ele filma demais, tem ideias demais e dá tempo de menos para elaborar melhor cada uma delas, ou desistir das que fossem desnecesárias. Fora que essa fase “turística” pode cair no mundo dos videos institucionais em prol do turismo para os ricos de gosto médio.

Ele chega a Roma e parece ter lido o manual, escrito por um estrangeiro, dos costumes para se achar engraçado dos italianos. Em pequenas histórias que se passam em Roma, Allen brinca com a celebridade instantanea, com a dificuldade de se localizar pela cidade, com situações inusitadas (que só numa comédia desse tipo caberiam) como o casal que se desencontra e só entra em confusão. São ideias demais de possíveis piadas, para efetivaçao de menos em risos, e em requinte que ele encontrou tão bem em seu filme anterior (em Paris).

O próprio Woody Allen volta a interpretar, pega a piada pronta dos cantores de banheiro e leva a sério, e a repete tantas vezes que dá a sensação de que apenas ele poderiam estar se divertindo com aquilo. A beleza de Roma aparece, mas tão de lado, já que Allen está tão preocupado com suas piadas “nada geniais”.

Inception (2010 – EUA) 

Incomoda a mania de tantos, carregados de preconceito, assistir ao filme, gostar, mas buscar, alucinantemente, por furos,e maneiras de criticar. Justificando, às vezes, o injustificável só porque é um filme com a assinatura de Christopher Nolan, e não podem “gostar” de seu tom de grandiosidade. Já disse que esse é o filme do ano, sim por sua qualidade, pelas possibilidades autorias de um Blockbusters, mas principalmente por esses sentimentos que ele sucita.

A arte de procurar furos no roteiro cega as possibilidade de enxergar um dos trabalhos mais inovadores de Hollywood. De tão intricado, audacioso e complexo, as explicações dadas pelo filme de Nolan podem terminam mal explicadas, ou inventadas, detalhes que quando captados demonstram absurdos. Registrado, pulemos isso tudo, de tempos em tempos, vem um filme que reinventa a exposição da imagem, o último talvez tenha sido Matrix (não Avatar não revolucionou tanto assim, pelo contrário aquilo está mais para videogame). A Origem não chega exatamente a inovar, ele vai além dos irmãos Wachowski, pela visão futurista de um plano imaginário (aqui no mundo dos sonhos e a possibilidade de mudá-los, e principalmente de inserir pensamentos e conceitos) e por todo o conceito visual que amplifica ambientes, que cria limites, que oferece visão tri-dimensional num filme 2D.

É a perfeição dos efeitos especiais a serviço de um filme (e não como razão da existencia do filme como muitas vezes acontece e me irrita profundamente). Um misto de drama romântico e ficção científica, que nos deixa sem fôlego por mais de duas horas. Um conjunto de cenas eletrizantes, ultra planejadas e bem dirigidas, atuações convincentes e aperfeiçoamento técnico invejável, formam a delirante história de sonhos dentro de sonhos. Essa lógica pode existir, apenas dentro de sua própria concepção, Nolan estabelece as regras do jogo e o público tem apenas que absorvê-las, e não acreditar que está diante de um jogo de quebra-cabeças a ser desvendado.

Outro ponto é a edição dinâmica, acelerada, as elipses que oferecem ainda mais dinamismo à narrativa. Discutir o filme, destrinchar toda a trama de sonhos, isso é tarefa para amigos na mesa de um bar, discutindo alucinadamente a lógica, os equívocos e as explicações que os detalhes não nos deixaram ver. A Origem é o filme do ano por trazer ao cinema parte do que gregos e troianos esperam, por mais que nem sempre os dois lados percebam, ou não queiram assumir.