Posts com Tag ‘Emily Watson’

everesteEverest (2015 – Reino Unido) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

É sabido que o monte Everest, mesmo sendo o mais alto do mundo, não é dos mais difíceis de se chegar ao cume. Também não é só chegar lá e caminhar um pouco. Gelo, altitude, mau tempo, testar os limites do corpo, o filme prova que se enveredar é coisa de maluco. Na década de 90, um desenfreado tráfego de turistas descobriram o Everest, até a tragédia de 1996. Dirigido por Baltasar Kormákur, o filme tenta reconstituir os fatos, envolto em sua pose de Blockbuster.

Dos belíssimos planos gerais dos picos cobertos de neve, a momentos de grande tensão por desfiladeiros, a narrativa é bastante eficiente na parte do entretenimento. Ao levantar questionamentos sobre imprensa, turismo desenfreado, irresponsabilidade humana, já acaba diluído pela didática. Porém, o subjetivo da relação Expectativa x resultado é algo inexplicável, e mesmo com o melodrama emotivo do final, a sensação que fica é que Evereste entrega o que promete, sem proteger os atores principais em papéis de mocinhos de salvação convicta. Dá ao público a dimensão do frio insuportável, do corpo levado ao limite, e do gostinho da adrenalina de enfrentar uma aventura desse porte.

amennaqueroubavalivrosThe Book Thief (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Realmente não compreendo como tantas pessoas ainda estão interessadas em histórias como essa. Segunda Guerra Mundial, perseguição aos Judeus, e crianças fofas que observam o mundo sem entender o que está se passando. Outro best-seller que no cinema não tem vida, nem identidade, apenas uma história contada para emocionar, com trilha sonora melancólica e algumas cenas no melhor estilo novela das oito.

O diretor é Brian Percival, mas poderia ser A, B ou C, tanto faz, já que não há nenhum perfil cinematográfico característico. Daqueles telefilmes que com o apelo comercial ganham maior orçamento, alguns atores conhecidos (Geoffrey Rush e Emily Watson) e lotam salas de cinema com os leitores ávidos dessa cultura rasa de massa. O Menino do Pijama Listrada, O Caçador de Pipas, já podemos batizar um novo gênero cinematográfico para essas bombas todas.

Breaking the Waves (1996 – DIN)

A pequena comunidade de protestantes ortodoxos vive uma situação recorrente, as mulheres da comunidade se apaixonando pelos estrangeiros que vieram trabalhar nas plataformas de petróleo. Bess (Emily Watson) parecia um caso perdido, de comportamento mental “mais lento” que a maioria, parecia fadada a uma vida mundana com seus pais, mas o filme se abre com o casamento dela com um desses estrangeiros (Stellan Skarsgard). Dona de uma ingenuidade tão grande quanto sua bondade, ela descobre o sexo ali, na festa de casamento, no banheiro, numa experiência mecânica. Lars Von Trier obcecado por casamentos, dessa vez a cerimônia só demonstra acidez na primeira experiência sexual da protagonista desse conto de fadas às avessas.

Conhecendo o que veio a seguir na carreira de Von Trier, percebe-se facilmente as relações desse roteiro com Dançando no Escuro e Dogville, este filme parece ter criado duas estradas onde o cineasta dinamarquês desenvolveu temas como o perverso ante a maldade e o sofrimento elevado aos limites físicos e psicológicos. Desde Bess que Von Trier não demonstra nenhuma compaixão com sua “heroína”, transformando sua bondade num joguete nas mãos perversas de seu marido libidinoso. Porém, diferente de seus trabalhos mais recentes, o poder de manipulação nato do cineasta utiliza-se aqui do esconder fatos do público, do mentir, causando falsos artifícios manipulativos, para, no final, fechar de forma lírica um calvário que parecia demoníaco.

embriagadodeamorPunch-Drunk Love (2002 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Tímido e solitário, com sete irmãs buzinando ao seu ouvido, a vida não deve ser fácil. Alguns acessos explosivos de violência seriam, no mínimo, de se esperar, mas ele vai além, vive de suas manias. Desse modo que Barry Egan (Adam Sandler) convive com sua família, pressão por todos os lados, mulheres dando pitacos e mandando em tudo.

Uma misteriosa harmônica deixada no meio da rua, uma equivocada promoção de uma marca de produtos alimentícios, que troca embalagens, por milhagens aos clientes, um serviço de tele-sexo que chantageia seus usuários. O diretor Paul Thomas Anderson se aventura pelo universo das comédias românticas, equilibrando entre o puro e o singelo, e toques particulares de seu cinema, realizando assim algo completamente não classificável no gênero. Uma fábula do amor idealizado.

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A constante presença do azul e vermelho, a forma de trabalhar com o preto cobrindo os personagens em planos abertos, a guerra meteórica entre Adam Sandler e Philip Seymour Hoffman, a musicalidade presente de forma contagiante, as sutilezas visuais e humorísticas, do diretor, aliadas a um clima havaiano formam um espetáculo dissonante.

Um cara sofrendo com as pressões da sociedade, e quando embriagado de amor por Lena (Emily Watson), se vê obrigado a transpor barreiras intransponíveis, criadas por si. Em certo momento Barry Egan diz: “Eu tenho um amor. Isso me fortalece mais do que você imagina.”, Anderson em outro momento brilhante.