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O Rio

Publicado: agosto 22, 2019 em Cinema
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Ozen / The River (2018 – CAZ)

Agora em seu terceiro filme, Emir Baigazin segue fiel as características marcantes de sua filmografia. Pelos temas, novamente partindo do prisma de crianças e adolescentes, bullying, conflitos, amadurecimento precoce e rivalidade. O Anjo Ferido trazia quatro contos, de diferentes jovens, em suas situações desse tipo. Mais vigorosa era sua estreia, Lições de Harmonia, com mais foco em bullying e e violência caseira. Não é diferente nessa história de cinco irmãos vivendo numa vila remota, longe de tudo e de todos. O pai nunca os levara ao rio, perto de casa, e a descoberta desencandeia a trama.

Agora podemos falar na questão visual, e Baigazin segue com seus planos que mais parecem fotografias belíssimas, um cuidado meticuloso com cada posicionamento de câmera, com cada ângulo que possa entregar a conjunção perfeita entre homem e natureza, as vezes flertando com a natureza morta de quadros de Paul Cézanne, em outras com o resplendor do encontro entre céu e rio. A trama em si pouco se desenrola além dos conceitos morais de crianças tão ingênuas, um deles desaparece e há o peso da culpa recaindo. Além disso, as interpretações não são nada naturais, quase sempre falam em posição estática (assim como os planos fixos permanentes). Ocasionando assim, em mais um filme lindo, mas que não instiga.

Ano chegando ao fim, hora de eleger os preferidos. A primeira lista é composta com filmes (vistos em 2013) que não estreiaram no circuito nacional, e nem estão programados (segundo o FilmeB). Só valem filmes produzidos entre 2011-2013.

Felizmente, o circuito brasileiro anda cada vez melhor, a oferta de bons filmes melhorando com novas distribuidoras. Mas, ainda assim, esses filmes fizeram falta nos nossos cinemas em 2013. Documentários surpreendentes, diretores bem conhecidos em filmes pequenos, e até outros com grandes astros que acabaram preteridos pelas distribuidoras.

top 10 2013 off Circuito

licoesdeharmoniaUroki Garmonii / Harmony Lessons (2013 – CAZ) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Dirigido de forma austera e rigorosa, marca a estreia do jovem diretor Emir Baigazin. Arslan (Timur Aidarbekov) é o espectro de estudo sobre as várias faces da violência. Seja ela entre humanos, animais, justificáveis ou injustificáveis. Na escola, um grupo de malandros usa da violência para coletar dinheiro e amedrontar a maioria, é a mesma violência que Arslan emprega em sua obsessão por baratas (após assistir um programa de tv). E as baratas devoradas pelos pequenos répteis que ele coleta e guarda em vidros.

licoesdeharmonia2Do bullying à violência caseira, aparentemente inofensiva, por meio de planos abertos e visualmente colocados como quadros, de poucos elementos, que juntos formam uma pintura desgastada pelo tempo. É nesse universo que Baigazin choca com a violência infantil, cenas de torturas, ofensivas provocações verbais, ou outros tipos de violência que aceitamos solenemente (matar um animal para comer sua carne). São tantas formas de violência que estão tão enraizadas em nosso cotidiano, que só Baigazin para nos fazer refletir sobre sua constelação de consequências.