Posts com Tag ‘Emma Thompson’

walnosbastidoresdemarypoppins2Saving Mr. Banks (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Os making-off’s dos DVDs trouxeram à tona a possibilidade de saciar parte da curiosidade, saber mais sobre os bastidores, desvendar mistérios. A onda agora é realizar filmes sobre o processo de filmagem de outros filmes, alguns trabalhos de Hitchcock foram revisitados recentemente, e suspeito que não pare por ai.

O que há por trás do musical Mary Poppins? John Lee Hancock narra os percalços pelo qual passaram Walt Disney (Tom Hanks) e a equipe técnica de seu estúdio para filmar e convencer a autora (Emma Thompson) das ideias que tinham para a adaptação.

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Por mais que Tom Hanks esteja exemplar encarnando Walt, e que boa parte da trama seja realmente sobre o processo criativo de composição das músicas e alterações no roteiro, a verdadeira protagonista do filme é a relação pessoal da escritora britânica P. L. Travers com sua própria obra.

No longo flashback que vai-e-vem durante o filme, o resgate da sua infância e as influências claras para os personagens perfazem um melodrama típico do mundo da Disney, e pouco efervescente ao mundo do cinema. Emma brilha com os fricotes e intempestividades de sua personagem, ainda assim incapaz de salvar o resultado final da enfadonha assinatura do estúdio que o produziu.

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thelovepunchThe Love Punch (2013 – FRA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

É notório que as carreiras de Emma Thompson e Pierce Brosnan já passaram do auge. Depois de ser o protagonista do 007, e ela com algumas indicações ao Oscar, chegaram num momento em que poucos atores se mantém na crista. Só reparar em seus últimos trabalhos para confirmar isso. Eis que unidos pelo diretor Joel Hopkins surgem nessa comédia (romantica, pastelão, chamem como quiserem).

Parte de uma ideia absurda para justificar seus absurdos, e nisso o diretor e seu roteiro não economizam. Ex-casados, os protagonistas se metem numa confusão envolvendo roubo de jóia, com o intuito de fazer justiça e salvar a vida financeira deles e dos colegas de trabalho dele, quando a empresa onde ele trabalhava é, misteriosamente, fechada.

Eles ainda contam, nesse momento de loucura, com outro casal, Timothy Spall e Tuppence Middleton, para que as estripulias sejam realizadas. E haja estripulia, cruzar um lago a nado para irem a um casamento, disfarçados, é só um exemplo. Tudo é tão absurdo, mas tão bem humorado, que as risadas vem do ridículo, das situações, e de ver os atores nesse patético misto de aventura romântica e comédia tola.

blog-welcomeDe férias pelo Canadá, não seria possível resistir à tentação de conhecer o TIFF (Festival de Toronto de Cinema), que a cada ano vem se popularizando e se tornando plataforma de lançamento nos EUA para os filmes que serão protagonistas no Oscar.

Os festivais simultaneos Toronto, Veneza e Telluride são o pontapé inicial. Vencer Toronto não é representativo, as Gala Presentations são os verdadeiros focos aqui. Afinal, o TIFF é, basicamente, um festival como o do Rio ou a Mostra SP, de exibição de filmes que correram outros festivais ao longo do ano. Tanto que o premio principal é a escolha do público.

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Desde os primeiros passos pela cidade ja se é surpreendido por sinais da presença do TIFF, seja nas sacolas dos usuários de metro, nas camisetas laranjas dos voluntários, ou nos cartazes espalhados por cada canto.

O primeiro destaque é pela grandiosidade do festival. Toda fila é gigantesca, toda porta de cinema tem milhares de pessoas. As filas cruzam quarteirões. Na avenida onde ficam as principais salas (Av King) o transito é fechado, dependendo do porte da celebridade. O povo se amontoa na grade, e, a qualquer sinal, da chegada de alguma estrela, começa a guerra de flashes e gritos.

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Essa aproximação com celebridades desse porte é empolgante, afinal, quem não quer dar uma olhadinha, mas longe de ser o melhor da diversão. Sentir o burburinho do público, todos bem vestidos, aquela sala de cinema enorme, a projeção impecável em digital, despertam uma admiração pela estrutura em si, mas principalmente pela magia do cinema que permanece vibrando em cada um que por ali está.

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Minha sessão inaugural (já com o TIFF em sua metade) foi com a Special Presentation do filme Don Jon, no grandioso Princess of Wales (2000 lugares, teatro usado para musicais, exibido num digital impecável), onde se pode comprar um refrigerante e uma pipoca murcha por 6,00 dólares canadenses.  A diferença entre Gala e Special Presentation é que na Gala é o lançamento mundial, enquanto o Special é o lançamento para mercado da América do Norte.

Marca a estreia na direção de Joseph Gordon-Levitt, e no elenco Scarlett Johansson e Julianne Moore. Se a Julianne não apareceu, Scarlett foi ovacionada na rua, no cinema, em todos os lugares.

blog - scarlett josephA dupla apareceu antes e depois da sessão, Scarlett trançava as pernas no palco (como pode ser visto na foto abaixo), não desenvolve bem seu discurso, sem as falas decoradas, repetindo “you know”, com sotaque nova-iorquino, a cada 5 segundos.

Já o dono do filme, Gordon-Levitt, estava à vontade, respondendo perguntas e falando, sério, de uma comédia tola e divertida sobre o Don Juan da atualidade que troca flores por pornografia.

blog-scarlett legsGordon-Levitt falou da influencia de Nolan e Spielberg (diretores com quem trabalhou recentemente), da insegurança de pensar numa história e acreditar que ninguém vai se interessar por ela, ou que já foi contada. Além, é claro, da tietagem, das perguntinhas que tentar conectá-lo ao personagem, coisas do tipo.

No fim, aquele povo todo elegante, caminhando pelas ruas a caminho de restaurantes, ou do metro, Toronto fervendo numa noite de terça-feira.

blog-saoirse riNo dia seguinte a sessão era mais comum, do diretor Kevin MacDonald, com os atores Saiorse Ronan e George Mackay como os protagonistas desse romance no meio da Terceira Guerra Mundial. Um cinema menor (Bloor Hot Docs Cinema), longe do circuito central, ainda assim casa cheia.

Ao final da sessão o casal de atores aparece para perguntas, estrelas simpáticas e cativantes enquanto respondiam sobre seus personagens, o livro, as influencias do diretor e alguns aspectos como filmar em meio de florestas por algumas semanas.

blog-saoirseÉ o primeiro grande papel de Mackay, meio acanhado na frente do público, já Saiorse tem feito filmes de  grande envergadura, sempre trabalha bem em filmes ruins (infelizmente), e, ali, na frente de todos fica super à vontade, como se recebesse a todos na sala de sua casa.

blog-roy thomsomO terceiro capítulo foi a Gala Presentation de uma comédia dirigida por Joel Hopkins, com Emma Thompson e Pierce Brosnan. O cinema era o espetacular Roy Thomson Hall (foto acima), a sala reservada para as apresentações de gala, por isso, já deu para ter uma idéia do tamanho daquele lugar (2630 lugares), num misto de luxo e modernidade.

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Foi uma rápida apresentação, o diretor abriu com algumas palavras de agradecimento ao público. Brosnan é exatamente o que se espera dele: classe, elegancia, porte e simpatia. E Emma Thompson roubou a cena, entrou por último, aparetemente caiu saindo do backstage, e por isso desistiu do salto alto. Entrou descalça em um dos pés, causou tantas gargalhadas que ninguém sabe o que mais ela falou, o público já estava conquistado. Mais um pouco de risadas, e lá foi ela interpretando no palco a personagem do filme, aliás comédia pastelão (com P maiusculo).

PS: fotos de @crislumi

emnomedopaiIn the Name of the Father (1993 – IRL/ING)

O drama da familia Conlon é tão absurdo que discorrer sobre ele é como chover no molhado, a história de transformar Gerry Conlon (Daniel Day-Lewis) e seus familiares em bode expiatório a fim de acalmar a opinião pública e proteger a polícia diante de sua ineficiência em proteger os cidadãos dos ataques terroristas do IRA (naquela época os noticiários eram tomados pelos protestos à bomba do grupo irlandês) é mais que cinematográfica, era mais que urgente à época.

O irlandês Jim Sheridan com seu estilo bastante convencional e seu cinema de pegada política deixa que a história fale por si, transforma seu filme num drama de presidio e tribunais. Começa bem com a Belfast tomada por marginais e terroristas, as ruas como campo de guerra e a população parceira do IRA. Estão no roteiro o conflito pai-filho, a fibra da luta por justiça, a corrupção policial (aqui a corrupção moral), e o peso de uma advogada habilidosa e determinada (Emma Thompson).

Todos elementos capazes de criar empatia com o público, se não é um filme apelativo ao melodrama, está carregado de seus temas, oferecendo assim ao público um terreno conhecido. Pouco importa, a história fala realmente por si, há momentos extremamente emocionantes, principalmente em sua fase final, emoção fácil, ainda assim flamejante.