Posts com Tag ‘Emmanuelle Seigner’

D’après Une Histoire Vraie / Based on a True Story (2017 – FRA) 

O novo thriller de Roman Polanski é bem genérico, ainda mais se lembrarmos que Elle (de Paul Verhoeven) é tão recente e bem mais desafiador, ou mesmo com os últimos filmes que ele próprio fez recentemente. A trama também é movida por elementos que já vimos recentemente em seus trabalhos, da escritora ghost-writer, até o protagonismo de Emanuelle Seigner, com flerte bem mais tímido para o lado erótico.

O roteiro pega um momento de instabilidade emocional de uma escritora renomada, que acaba manipulada social e psicologicamente por uma misteriosa ghost-writer (Eva Green). Uma relação de dependência e desconfiança, com traços de Louca Obsessão, muito suspense psicológico, e um desenrolar bem preguiçoso. Polanski segue filmando anualmente, talvez pudesse depurar melhor suas ideias, quem sabe até nos poupar dessas supresinhas de roteiro tão batidas.


Festival: Cannes 2017

Mostra: Special Screenings

Reparer Les Vivants (2016 – FRA) 

Indicado a melhor roteiro no César e integrante da Mostra Horizonte, do Festival de Veneza, o novo filme da diretora Katell Quillévéré muda completamente a rota, da leveza dramática de seu filme anterior (Suzanne), para o peso do drama familiar que enfrenta tragédias e nova esperanças. De um lado a fatídica morte de um jovem, de outro a possibilidade de recuperar a vida com um transplante de órgãos.

Quillévéré cria a falsa leveza nas primeiras cenas, um acidente de carro quase hipnótico, para a seguir tratar da dor da perda dos pais, enquanto, em paralelo, corre a história de uma mãe que nem subir as escadas sozinha consegue e precisa, desesperadamente, de um coração. Não deixa de trazer à tona o sempre importante tema da doação de órgãos, mas não precisa gastar mais de vinte minutos vislumbrando um coração batendo, durante uma operação de transplante. Se perde num drama banal, para um tema tão urgente.

apeledevenusVenus in Fur / La Vénus à la Fourrure (2013 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Não poderia haver trama mais simples. Um diretor de teatro, Thomas (Mathieu Amalric), está em busca da atriz principal para sua nova adaptação, Vanda (Emmanuelle Seigner) chega atrasada, quando o teatro já estava sendo fechado, mas insiste muito para realizar seu teste. O filme é o teste. Simples não?

Nada simples, Roman Polanski é o responsável por essa adaptação do texto de Leopold von Sacher-Mashoch (o livro e o nome que deram origem ao termo masoquista). Thomas e Wanda interpretam a peça, e vivem uma complexa relação de atração e ódio, de deslumbramento e fúria. Além de interpretar, discutem, argumentam, Wanda atua no tom perfeito, mas discorda de tudo. Com elegância e fortíssima sensualidade, os dois se dividem no comando das ações, alternam na posição do martelo e da bigorna num vai-e-vem alucinante, com pitadas de interferências externas que jamais aparecerão no filme.

Polanski está bricando o tempo todo, a câmera gira pelos personagens, invade o palco tornando-o tridimensional, oferecendo ao público a possibilidade de assistir a mais que um teste, e sim uma análise crítica da obra e das relações humanas, atualizando, de alguma forma, os jogos sexuais, a posição amante-escravo, para um mundo contemporâneo, com fetiches, peles de animais e celulares.

oultimoportalThe Ninth Gate (1999 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A trama é mais uma daquelas histórias de invocação do demônio, partindo do mundo de colecionadores de livros raros, a adoração por relíquias e preciosidades, desemboncando diretamente na magia negra e seitas religiosas demoníacas. O especialista em livros antigos, Dean Corso (Johnny Deep), recebe a proposta tentadora para encontrar o exemplar original do livro que teria sido escrito com ajuda de Lucifer, e que seria um portal para invocá-lo. O resultado final não chega ao satisfatório, o célebre diretor Roman Polanski esbarra em muitos clichês, e um mistério facilmente “sacável”, culminando na atmosfera morna e previsível.