Posts com Tag ‘ennio morricone’

investigacao-sobre-um-cidadao-acima-de-qualquer-suspeitaIndagine su un Cittadino al di Sopra di Ogni Sospetto (1970 – ITA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Que preciosidade esse clássico, do cinema político italiano, dirigido por Elio Petri. O clima meio debochado, a trilha sonora de Ennio Morricone que presta mais que um serviço a narrativa, e as nuances do peso da culpa sobre os ombros do culpado. O inspetor de polícia (Gian Maria Volonté) mata sua amante (Florinda Bolkan) e culpa um esquerdista qualquer. Sujeito de reputação inabalável, pouco se preocupa com as provas.

As investigações correm, ele cada vez mais ligado à vítima, pressão por todos os lados, Petri é avassalador ao criticar o abuso do poder, o jogo de interesses, e a necessidade pública de manter a “instituição” inabalável. O inspetor quase enlouquece, não tem mais por onde fugir, e essa mistura de deboche crítico e a trilha sonora fundamental e magistral, resultam nesse retrato contundente e alarmante do mundo políticos de ontem, hoje e sempre.

Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo (1966 – ITA/ESP)

Fica imaginando meu olhar hipnotizando ao rever o duelo final deste filme, como é possível filmar com tanta tranquilidade e desenvolver tanta tensão? Não sei, só Sergio Leone teria essa resposta. Três pistoleiros, cortes rápidas entre os rostos atentos e as mãos próximas das armas, esperando o momento certo, na ânsia de ser o mais rápido. Falemos também da trilha sonora de Ennio Morricone, que deve ser a trilha mais famosa da história do cinema, e repleta de sons e vozes, num misto perfeito de sensações com a paisagem árida e áspera por onde os três homens partem em busca de uma pequena fortuna enterrada num cemitério.

É o que se pode dizer de uma amizade de interesses, nenhum deles é flor que se cheire, os caminhos do destino os colocaram lado a lado numa dependência mutua e meta única (dinheiro). São planos e mais planos repletos de uma exibição estilística impecável de Leone, de tiroteios e a lentidão do velho-oeste, de paisagens secas e pores-do-sol inesquecíveis. Filme de pequenos prazeres, de olhares atentos, e de um humor requintado.

Per Qualche Dollaro in Più /For a Few Dollars More (1965 – ITA/ESP/ALE)

Dois caçadores de recompensas na caça dos bandidos “mais rentáveis do velho-oeste. De um lado a juventude e vivacidade do homem sem nome (Clint Eastwood), de outro a experiência e sagacidade do Coronel Mortimer (Lee Van Cleef). Entre eles uma relação de ajuda e rivalidade, concorrentes que se ajudam, traçam planos juntos (e quase sempre respeitam os planos). Ennio Morricone, direção de Sergio Leone, voce já sabe o que esperar de mais esse reencontro.

Se bem, que, dessa vez, os planos característicos de Leone (que estão lá), tornam-se coadjuvantes nessa rivalidade de caçadores. A ideia de estar sempre um passo à frente, de surpreender, traz um humor sutil e a graça da disputa entre Eastwood e van Cleef, enquanto eles se envolvem com o bando de El Índio (Gian Maria Volonté). E os planos fechados nos personagens, principalmente nos momentos de tensão? E a cena do fósforo sendo aceso na nunca de um bandido? Pequenos momentos deliciosos que oferecem prazer nesse fiapo de história.

Per un Pugno di Dollari / A Fistfull of Dollars (1964 – ITA/ESP/ALE)

Um pistoleiro chega numa cidade dividida e dominada por duas famílias e ve ali uma grande chance de conseguir um dinheiro fácil. O pistoleiro é Clint Eastwood, que além de ser rápido no gatilho possuía algo que os pistoleiros não tinham: cérebro. Numa rápida pesquisa pode-se descobrir que foi esse o filme que colocou os nomes de Clint e do cineasta Sérgio Leone no cinema mundial e que este é o primeiro filme da conhecida “Trilogia dos Dólares”.

Não serão necessários mais que meia dúzia de minutos para sacar exatamente o que vem a seguir, seu segredo está realmente no como contar e não no que contar. E os ingredientes do como contar trazem aquele misto de herói rude, de aspereza com humor, o árido e o interesseiro, e ainda assim guardando algo de bom no coração. E por trás, Leone apresentando características que marcariam sua pegada autoral.

A Árvore da Vida é o tão aguardado novo filme de Terrence Malick, os festivais disputam a tapa seu filme, já fora prometido para Cannes em 2010, parece que dessa vez entra na seleção oficial. Sean Penn e Brad Pitt estão no elenco.

Days of Heaven (1978 – EUA) 

Você fica olhando aqueles campos de trigo, eles quase hipnotizam. A relação de Terrence Malick com a natureza, tão presente em seus filmes. A força que ela surge como personagem, como uma voz ativa dentro de sua obra. E a trilha de Ennio Morricone, e a fotografia de Nestor Almendros, captando tudo, em raios de luz do sol, que quase atingem nossos olhos, parece que podem nos cegar. Realmente o cinema contemplativo tem tudo para atrair fãs incondicionais.

Aqui, a história resgata um triângulo amoroso, uma discussão moral, um casal de trabalhadores braçais fingindo serem irmãos até caírem na tentação da paixão do fazendeiro. Sob a ótica de uma adolescente, a história transcorre trágica, suntuosa. Faltam sorrisos, e sobra a beleza da natureza presente a cada fotograma, num filme que encanta muito mais os olhos que a mente. Mesmo o embate entre Richard Gere e Sam Shepard fica no contemplativo, fugindo do melodramático, assim como do crucial.

opoderosochefao2The Godfather (1972 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

O primeiro plano, fechado, lentamente a câmera vai se afastando, do homem pede um favor, e abrindo mais a imagem. Um escritório, a silhueta do rosto se forma, um breve gesto: Don Corleone (Marlon Brando). Uau! Sua figura domina qualquer cena, seus pequenos gestos parecem colossais, tamanha liderança e potência com que sua presença domina tudo. Respeito, charme do clássico italiano, temor. Don Corleone fala manso, é carinhoso, prima pela família e por seus códigos éticos.

Sinto como se também fosse convidado para a festa de casamento da filha de Don Corleone, as sequencias se dividem entre a fila de favores pedidos e os festejos animados à italiana, e Francis Ford Coppola vai deixando o público se familiarizar, tornar um pouquinho parte da Família, criado do best-seller escrito por Mario Puzzo.

opoderosochefao1Eles são fascinantes, mafiosos, violentos, sejam calmos ou explosivos. O cinema tem esse dom de nos fazer apaixonar por vilões, serial-killers, bandidões. A maior trilogia do cinema faz mais, te convida a participar da família, quase dividindo a função de consigliere com Tom Hagen (Robert Duvall).

Sonny (James Caan), o filho braço-direito de Don Corleone, Michael (Al Pacino), o caçula protegido que diz ser diferente e não pretende fazer parte dos negócios. Um atentado contra a vida do patriarca, o início da transformação.

Se Marlon Brando é soberano, com a fala mansa e o poder de liderança nato, é Al Pacino quem opera o milagre da virada do personagem, de maneira discreta, a transformação se fazendo no olhar, em gestos, o poder hereditário que aflora do ex-soldado. Em contrapartida há Kay Adams (Diane Keaton), a namorada cujas cenas parecem apenas para pontuar a diferença de caráter de Michael da família. Nada disso, cada mínimo detalhe da trama está interligado com acontecimentos futuros, o olhar revelador da porta, antes de ser fechada, na cena final, é apenas parte da importância que a presença feminina de Kay tem na trama. Sutil e definitiva.

As cenas memoráveis (o atentado a Corleone na quitanda, Michael matando Sollozzo (Al Lettieri), a cena do pedágio, a conversa entre Corleone e Michael onde ele avisa o que está por vir e o batismo na igreja intercalado com uma série de assassinatos) se amontoam enquanto a saga dos Corleone enche de sangue a Nova York dos anos 40. Porém, a violência é charmoso, tal qual o sotaque italiano, a macarronada na mesa e o respeito com que a família é colocada acima de tudo. E a trilha sonora de Ennio Morricone? É filme para ser visto de pé, com aplausos entusiasmados a todo momento.

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