Posts com Tag ‘Ethan Hawke’

Cymbeline (2014 – EUA) 

Tragédia shakespeariana adaptada aos dias atuais. O cineasta independente americano, Michael Almereyda, já havia filmado Hamlet, com Ethan Hawke, e repete a dose, com um extenso elenco de famosos aos adaptar Cymbeline (que tem, facilmente reconhecíveis, traços de Romeu & Julieta). Manter o linguajar formal do século XVII, inserindo no mundo dos celulares e gangues de motos é tarefa complicada. O risco de parecer pedante, das interpretações exageradas, são características complicadas para transpor ao cinema atualmente. E Almereyda, realmente não consegue escapar da armadilha que seu autodesafio criou. Seu filme de intrigas, um quê de poesia em cada diálogo, romances e amores desiludido,s tem o sabor de uma velharia com roupa moderna. Além de aproveitar alguns de seus personagens e acabar refém da limitada Dakota Johnson no papel da mocinha romântica e indefesa.

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oplanodemaggieMaggie’s Plan (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Agora é a vez de Rebecca Miller dirigir Greta Gerwig num tipo de papel que a atriz não tem cansado de se repetir. Porque nada mais é a Francês Ha (dos filmes de Noah Baumbach), só qué dirigido por Miller que tem notória carreira de personagens com tons femininos. Mas, a baixa originalidade não para por aí porque Ethan Hawke também traz tratos marcantes do Jesse (da trilogia de Richard Linklater) e assim temos esse estranho encontro impensável.

É a velha história do homem maduro, num casamento desgastado, que se encanta pela mulher jovial. Há também a questão de egos profissionais entre o casal (Juliane Moore), mas tudo isso são apenas elementos para complicar ainda mais a vida de nossa eterna atrapalhada heroína. Miller jamais deixará a zona de conforto que criou e brinca de desenvolver e e baralhar os três personagens enquanto tenta dar novos graus de amadurecimento a cada um deles.

boyhoodBoyhood (2014 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Um trabalho audacioso de Richard Linklater, na execução. Foram dozes anos de filmagens, com sua filha (Lorelei Linklater), Ethan Hawke, Patricia Arquette, e o garoto, e protagonista (Ellar Coltrane). As crianças foram crescendo com o passar dos anos, os adultos envelhecendo, as passagens de tempo são discretas, acompanham as transformações físicas dos personagens.

O filme é simples, é tão vida. Segue a história de Mason, desde sua infância até o início da faculdade. A vida de pais separados, as dificuldades de rearranjo familiar. O dia-a-dia de escola, professores, colegas de classe, bullying. E os personagens falam, muito, tal como Linklater gosta de seus trabalhos.

boyhood2A trilha sonora indie rock é farta, ajuda a trazer esse clima charmoso, a sensação de assistirmos a um primo, ou vizinho, crescer, com influências que são as mesmas que as minhas, A tradução de boyhood seria algo como “meninices”, e é bem isso mesmo, um filme sobre um garoto, coisas de um garoto, transformações de um.

Da inocência doce de bem jovem, à rebeldia adolescente, os primeiros amores. Linklater troca explosões dramáticas por pequenos momentos que marcam a vida de qualquer um, seu carinho e dedicação são inspiradores, 12 anos para representar as meninices que provavelmente digam muito sobre si. Fica a dúvida sobre quais caminhos o cinema de Linklater deve tomar, Boyhood tem o sabor de resumo de sua carreira, de final de página para uma nova fase. Tomara, ele é, de longe, um dos mais interessantes cineastas americanos da atualidade.

blackcoalthinice Festival de Berlim divulgou hoje os vencedores, contrariando o favoritismo de Boyhood (do Linklater que ganhou direção), o Urso de Ouro ficou para o noir chines Black Coal, Thin Ice. Conheça a lista completa de vencedores [Berlinale]

Grande notícia que o filme brasileiro Hoje Eu Quero Dormir Sozinho, dirigido por Daniel Ribeiro, ganhou o Teddy Awards e o prêmio FIPRESCI na mostra Panorama [Indiewire]

• O trailer de Praia do Futuro, que representa o Brasil na Mostra Principal do Festival de Berlim. Filme dirigido por Karin Ainouz [Youtube]

• Entrevista com Hayao Miyazaki sobre aposentadoria, Oscar, Vidas ao Vento, e seu estúdio [Indiwire]

• Dica do RD, Ethan Hawke e Julie Delpy no Jimmy Kimmel [Parte 1, Parte 2, Parte 3]

• Pessoal de São Paulo já deram uma olhada na programação do Verão de Clássicos da Cinemateca? Vale uma espiada [Cinemateca Brasileira]

• e como os Legos estão no cinema, nada melhor que uma versão-Lego dos indicados a Melhor Filme no Oscar [Revista Exame]

• Mico da Semana: video onde um apresentador de tv confunde Samuel L Jackson com Laurence Fishburne ao vivo. [Sky]

• No Caixa Cultural (RJ), a imperdível Mostra sobre o Cinema de Nicolas Klotz [Cinefrance]

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Uma Noite de Crime

Publicado: outubro 4, 2013 em Cinema
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umanoitedecrimeThe Purge (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Imagine a violência chegando a níveis tão agudos que o governo dos EUA opta por uma lei absurda. Uma noite ao ano, durante doze horas, a violência está totalmente liberada. Qualquer um pode esmurrar, assassinar, fazer o quem quiser, com quem quiser, e não será julgado, preso, nada. São 12 horas de total liberdade, não haverá ambulâncias, bombeiros e nem policiais para socorrer ninguém. Essa lei derrubou os níveis de violência no país a quase zero, se tornou um orgulho nacional.

James DeMonaco não está discutindo a violência em si, ou propondo uma absurda maneira de controlá-la. Apenas um filme de suspense, com um plot interessante. Uma noite para colocar os pingos nos i’s, seja com seu chefe, algum parente, o vizinho, ou qualquer um na rua, não importa. O filme acompanha a noite da família de James (Ethan Hawke), um vendedor de seguros para proteger casas, daqueles que não eram participar da carnificina.

A trama de suspense ia muito bem, DeMonaco constrói de maneira coerente crises familiares, e um inesperado que coloca a vida de todos daquela casa em jogo. Mas, a tentação foi maior, quando Ethan Hawke assume uma faceta Duro de Matar, só resta lamentar e esperar que os 85 minutos terminem logo. Já não importa se o tema principal era vaidade, inveja, ou apenas um bom plot para um filme de suspense, DeMonaco já perdeu qualquer chance de manter a dignidade.

antes_da_meia_noiteBefore Midnight (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Foram mais nove anos de espera sobre o “o que teria ocorrido em Paris com Celine (Julie Delpy) e Jesse (Ethaw Hawke)?” Na Grécia a resposta. O olhar de Richard Linklater continua leve sobre os personagens, acompanhando os dois em conversas durante caminhadas ou dentro de um carro (longa cena sem cortes).

Sobretudo um filme sobre o amor, de uma forma pé-no-chão, como se a maturidade tivesse finalmente chegado aos corações dos dois (nos outros filmes o amor era mais romântico, já os temas debatidos com certo grau de maturidade). Crises, inseguranças, dúvidas, todo o misto de choque de emoções estão presentes nessa longa história de idas e vindas, Celine e Jesse são como nós, um casal de altos e baixos. E adoram argumentar, defendem e atacam, e nisso o texto e o ritmo dos diálogos vão além do maravilhoso, atingem o real.

Nada pode ser mais real do que insinuações, divididas com questões do dia-a-dia, permeadas pela beleza de um local paradisíaco, enquanto falam de trabalho e sexo (e como falam de sexo).  Chega um ponto em que a relação de Celine e Jesse se dissocia de qualquer relação que o público já tenha vivido, por outro lado ela é cada vez mais possível e presente nas memórias e experiências de cada um. Porque eles não passam de pessoas, com individualidades, opiniões, e corações transbordando de emoção. Eles são de carne e osso, amam e brigam e tem dúvidas como nós, são a própria representação de um casal idealizado por uma geração, se filmarem 50 filmes nos emocionaremos 50 vezes.

The Hottest State (2007 – EUA)

O amor com todas as suas imperfeições, explosões de emoção e fúria. Com toda sua paixão, os picos de alegria, e a dor. A frustração, os acessos ensandecidos de loucura, e as horas trancafiados num quarto de hotel descobrindo as formas do corpo do outro. Dias e dias de discussões, que jamais levarão a nada. Puros ímpetos de radioativa emoção. Ele era tão intenso que ela foi incapaz de manter e sobreviver àquela relação.

A forma como o ator Mark Webber nos faz mergulhar no mundo apaixonado e metafórico desse aprendiz de ator é mais que alucinante. Seu modo de encarar o amor é como um gráfico de ações da bolsa, um sobe e desce entre razão e emoção. E toda essa congruência é tão comum àqueles que acreditam, e se entregam, completamente ao amor. Ethan Hawke filma com leveza e charme. Cheio de enquadramentos descolados, um desejo de ser cool. Uso esperto da trilha sonora, e principalmente, demonstra grande capacidade em lidar com o amor, sem pompa, sem exageros.

E, além de toda essa explosão de amor, frente uma personagem tão reservado com seus sentimentos como Sarah (Catarina Sandino Moreno), há também,  algumas frases de efeito, que quem só, realmente, sofreu algumas mazelas de amor entenderá sabiamente: “Você não acha estranho que quando somos crianças todo mundo nos diz para seguirmos nossos sonhos e quando crescemos as pessoas ficam ofendidas se ameaçamos tentar?” e principalmente a fantástica: “Quem desiste do amor, não merece ser amada”.