Posts com Tag ‘Eva Green’

D’après Une Histoire Vraie / Based on a True Story (2017 – FRA) 

O novo thriller de Roman Polanski é bem genérico, ainda mais se lembrarmos que Elle (de Paul Verhoeven) é tão recente e bem mais desafiador, ou mesmo com os últimos filmes que ele próprio fez recentemente. A trama também é movida por elementos que já vimos recentemente em seus trabalhos, da escritora ghost-writer, até o protagonismo de Emanuelle Seigner, com flerte bem mais tímido para o lado erótico.

O roteiro pega um momento de instabilidade emocional de uma escritora renomada, que acaba manipulada social e psicologicamente por uma misteriosa ghost-writer (Eva Green). Uma relação de dependência e desconfiança, com traços de Louca Obsessão, muito suspense psicológico, e um desenrolar bem preguiçoso. Polanski segue filmando anualmente, talvez pudesse depurar melhor suas ideias, quem sabe até nos poupar dessas supresinhas de roteiro tão batidas.


Festival: Cannes 2017

Mostra: Special Screenings

passarobranconanevascaWhite Bird in a Blizzard (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Gregg Araki volta com seu universo oitentista, de cores mais berrantes e visual muito mais kitsch do que a década realmente mereceria. Mas, é este o universo que Araki gosta de desenvolver seus filmes, sempre com temática gay, adolescência, e o sexo como facilitador das relações pessoais.

Dessa vez ele exagera nas doses dramáticas, ou melhor, na caricatura das mulheres. A mãe infeliz (Eva Green) é a própria caricatura da dona-de-casa, o pai (Christopher Meloni) então eleva esse retrato infiel à enésima potência. Porém, o foco é a filha (Shaileine Woodley), descobrindo sua sexualidade, pagando de madura, enquanto sobrevive tranquilamente ao desaparecimento da mãe, sem vestígios. A vida segue, os amigos esquisitos, a faculdade. A mãe como uma sombra de uma lembrança.

Mas, este é mais um indie americano, a trilha fofa está sempre presente, o ar lúdico, a neve caindo em ritmo lento. São apenas losers, com o mesmo peso dramático de qualquer filme de Sundance. Até o final revelador do paradeiro da mãe, com todas as pitadas possíveis do cinema de Araki. Sem dúvida, um trabalho coerente a sua carreira, isso não perdoa essa criação de personagens tão perfeitos para seu filme, tão impossíveis ao mundo.

300aascensaodoimperio300: Rise of an Empire (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Parece um filme melhor resolvido do que seu antecessor. Isso também não significa muito. Não é exatamente uma continuação, mais um complemento do que ocorria enquanto (antes e depois) os 300 Espartanos lutavam contra o deus-rei Xerxes e seus persas. O nacionalismo exacerbado dos discursos (que preguiça), o clamor por liberdade e o pagar com a morte pela democracia grega seguem lado-a-lado com o melodrama. O estilo da graphic novel é mantido intacto, preto e cinza predominante, litros de sangue que jorram a cada espada que corta o corpo humano, em momentos de câmera lenta, no meio das lutas, intensificando o melodrama e pagando de estiloso.

Artemisia (Eva Green) é uma vilã bem mais interessante que Xerxes (Rodrigo Santoro), obdestinada pela vingança, euma estrategista de uma frieza exemplar, enquanto Xerxes segue na linha intocável de abajur que enfeita a sala de estar. O filme tem grande preocupação em trazer conteúdo, em longas narrações em off conta a história de Artemisia e Xerxes, assim como a do grego Themistokles (Sullivan Stapleton), o grande líder da marinha grega no filme. Dessa vez são duas mulheres em cena (Lena Headey repete sua contribuição como rainha), e não apenas uma, olha que progresso.

Casino Royale (2006 – ING/EUA)

Skyfall me levou a voltar atrás e conhecer essa nova fase do 007, mais truculento e menos charmoso. Tantos elogios porque o agente secreto de Daniel Craig apanha, soa, sofre, o que não ocorria com Pierce Brosnan. Isso já levanta outro ponto, como todos os personagens clássicos estão se transformando em brutamontes especialistas em artes-marciais. Se bem que, não é exatamente o caso, há uma roupagem diferente, um estilo, mas ainda há charme, e os absurdos beirando o insuportável, é claro.

Martin Campbell não demonstra capacidade de manter o filme sob seu controle, a força do personagem sobressai, a presença de Craig também marca o acerto no novo escolhido. O enlace romântico com direito a musiquinha melosa e tudo mais faz a história despencar, enquanto disputas de pôquer novamente provam que tem tudo a ver com cinema. A grande sacada é mesmo o reboot, tentar explicar o início do agente, desprezar o passado (que aliás já tem 50 anos), como se o agente secreto acabasse de nascer para uma nova plateia.

ossonhadoresThe Dreamers (2003 – ITA/EUA/FRA/RU) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

As ruas de Paris fervilhando, a juventude intelectual bradando em protestos contra a demissão de Henri Langlois do comando da Cinemateca Francesa. Movimentos estudantis e operários de esquerda, munidos de coquetéis molotov, confrontavam-se com a polícia, governos acusados ferozmente de fascismo. Os protetos de maio de 1968 mobilizaram o mundo, jovens de grandes centros como Praga, São Paulo e Rio de Janeiro também manifestavam seus ideais comunistas. Sem dúvida, Paris foi o grande rolo propulsor da efervescência cultural e política que tomou conta da juventude naqueles anos, nomes como Truffaut e Godard eram alguns desses idealistas.

Bernardo Bertolucci vem com a adaptação do livro The Holy Innocentes, revive os anos efervescentes. Os três personagens dão o ar da graça pelas ruas, apenas um leve gostinho do tema político. A verdadeira revolução dos três acontece dentro de um apartamento. No meio do tumulto da demissão de Langlois, na porta da Cinemateca, os irmãos gêmeos Theo (Louis Garrel) e Isabelle (Eva Green) conheceram o ingênuo norte-americano Matthew (Michael Pitt), e os cinéfilos inveterados convidam o estrangeiro a passar uns dias no apartamento da família enquanto os pais estariam viajando.

A fuga completa da realidade é estabelecida por esses jovens, a relação mais do que íntima dos irmãos encontra em Matthew a perfeita simetria de desejos libertários. Jogos sexuais envolvendo adivinhações cinéfilas, conversas pseudo-filosóficas, discussões inflamadas pela preferência por Hendrix ou Clapton, Keaton ou Chaplin, a descoberta do corpo e do amor. Enquanto discutem seus ideais reacionários, no conforto do lar regado a um vinho caro, milhares manifestavam nas ruas essas idéias panfletárias. Uma espécie de realidade paralela.

Os Sonhadores parece embalado para o mercado comercial americano, além de falado em Inglês, quase tudo o que é discutido baseia-se na cultura artística dos EUA, seja pela maravilhosa trilha sonora de Janis Joplin, The Doors e outros, seja pelas referências cinéfilas como Fred Astaire, Howard Hawks, Nicholas Ray e companhia. O filme faz a alegria dos cinéfilos, mas perde-se pela exclusão do momento, pela exaustiva maratona de transformar esses personagens na própria. Bertolucci está certíssimo em afirmar que seu filme não é político,pende mais para realização de sonhos de jovens excêntricos.