Posts com Tag ‘Eva Mendes’

Holy Motors (2012 – FRA)

É clara a proposta de Leos Carax em transformar seu filme numa joguete do virtuosismo a seu dispor e das infinitas possibilidades que esse vistuosismo poderia oferecer ao ator Denis Lavante a plataforma perfeita para que ele prove sua versatilidade, seu talento inegável.

Para isso ele cria mecanismos (o filme dentro do filme), desfila por Paris com uma limusine branca enquanto o protagonista interpreta inúmeros personagens. Esse pequeno conjunto de histórias resulta num filme sem sentido, focado no brilho de Lavante e na arrogância de Carax, enquanto alguns absurdos se misturam com histórias tão corriqueira que não fazem menor sentido de existir. Criar a fantasia para desculpar sua incapacidade de realizar algo bem amarrado e elaborado, muito fácil assim Carax.

Last Night (2010 – EUA/FRA)

Três anos de casamento, um apartamento charmoso em Nova York, o casal se arruma para a festa e praticamente não interage um com o outro, são momentos de duas pessoas que  apenas dividem o mesmo espaço. Ok, o cineasta estreante Massy Tadjedin já posicionou o conflito (não chega a ser crise), e a festa será motivo de despertar ciúmes de assumir atração física por uma colega de trabalho, e sair em viagem de negócios deixando cada um deles com a pulga atrás da orelha. Uma noite, duas frentes, Michael (Sam Worthington)
passa sua noite sob as investidas da sensual Laura (Eva Mendes), são cenas e mais cenas onde não se cansa do clichê e das atuações fracas. A tensão é falsa, aliás a falsidade está explícita na feição de dúvida, é tão óbvio onde tudo aquilo vai terminar.

Enquanto isso, a esposa (Keira Knightley) teve um encontro casual com seu antigo namorado (Guillaume Canet) e aceita o convite para um jantar. Aqui também há o clichê da mulher com medo de ser traída, frágil, quase uma presa fácil de um conquistador qualquer. Porém, ele não é um conquistador qualquer, e se há algo no filme de verdadeiramente interessante é essa relação. O frances de passagem pelos EUA em momento algum esconde seus sentimentos, e testa os limites que a garota impõe (me fez acreditar que se não estivesse acontecendo a outra perna dessa história, a relação de intimidade exacerbada seria a mesma, afinal, no meio da noite ela declara que “ama os dois”).

A vida também tem dessas coisas, as coisas acontecem naturalmente, relações terminam mesmo que na hora errada, quando ainda havia significados, coisas a se viver, e no reencontro essa sensação do se não seria melhor estarem juntos. Pouco importa o destino desses dois casais, Tadjedin consegue (pelo menos em 50% dessa história) uma tensão honesta, mesmo que por linhas tortas, ele pode até ter errado o tiro, mas conseguiu acertar um alvo, e isso já é alguma coisa. Mais um filme americano que vai atingir em cheio ao público médio, ainda assim, pode fazer um ou outro enxergar um quê de sinceramente em um ou dois personagens que sim, vivem suas carências, mas também essa inquietude da incerteza se o caminho escolhido foi ou não o melhor.

We Own the Night (2007 – EUA)

James Gray tem algo diferente no trato da imagem, ou melhor, na forma como ele a explora, é algo vouyer dentro de um estilo próprio, talvez nos traga a sensação de estarmos manejando a câmera, ao invés de apenas observando. Essa sensação vem desde a primeira cena quando o gerente da boate El Caribe, Bobby Green (Joaquin Phoenix) encontra sua sexy namorada Amada (Eva Mendes) masturbando-se num sofá e ele assume carinhosamente a situação até ser obrigado a parar com a diversão (ossos do ofício). O roteiro, bem amarrado, não guarda surpresas, reviravoltas, há nele o peso familiar, o comportamento revoltado do “ovelha-negra”, mas há a ligação fraterna.

Bobby mantém distancia do irmão (Mark Wahlberg) e pai (Robert Duvall) policiais, enquanto vive da noite nova-iorquina e da proximidade com o trafico de drogas capitaneado por gangsteres russos até que seus familiares correm risco e ele é obrigado a optar por um dos dois lados. A seqüência avassaladora de perseguição de carros na chuva (em emoção e sentimentos) é apenas outro grande momento onde Gray demonstra todo o peso de sua mão condutora, mas sua força onipresente é mais forte nos pequenos momentos, na angustia de Bobby e Amada, na cena com a escuta no isqueiro, na solidão que o até então “dono da noite” divide num hotel às escondidas. De forma clássica, por mais que peque em alguns excessos como o sermão dos policiais na igreja (moral e religião elevadas), Gray resgata o gênero policial esquivando-se de tortuosas cenas de ação para privilegiar a justiça do homem, a lealdade de suas convicções, como nos velhos westerns.