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Dois Irmãos

Publicado: janeiro 19, 2011 em Uncategorized
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Dos Hermanos (2009 – ARG)

De repente o equilíbrio dos filmes de Daniel Burman caiu assustadoramente, depois de bons filmes (apenas bons) como Abraço PartidoAs Leis de Família e até o divertido Todas as Aeromoças Vão para o Céu, além de um processo cronológico de observação da estrutura familiar (relação pai-filho, casamento e filhos pequenos), além do tema dos Judeus argentinos, o cineasta pulou para a terceira idade em Ninho Vazio e neste Dois Irmãos. E perdeu a mão completamente, este último chega a ser constrangedor tamanho equívoco de personagens e situações.

A história do irmão pacato, apegado por demais aos familiares (mãe e irmã, sim Burman segue fiel ao tema família), enquanto a irmã, ofensiva corretora de imóveis, invejosa destruidora da paz familiar, uma manipuladora incontrolável, não oferece grandes resultados dramáticos. Querer corrigir a personalidade da irmã é tarefa ingrata demais ao filme, e esse anseio de via teatro trazer alguma aventura ao pacato senhor também surte efeito algum. Por isso o filme roda, roda, e acaba sempre com os dois na casa uruguaia, um querendo se livrar do lugar, enquanto o outro toma aquilo como seu refúgio incontestável.

En Familie / A Family (2010 – DIN)

Na vida é assim, as coisas vão acontecendo e surgem os momentos de escolhas. Planejamos a vida, os passos, não dá para planejar o inesperado. O filme de Pernille Fischer Christensen é sobre uma família cujo pai é obcecado e apaixonado pela padaria que o avô dele fundou há anos e fornece até a família real dinamarquesa. Todas as suas conversas, suas metáforas, envolvem a arte de fazer pão. E se conheceremos mais a fundo essa família de quatro irmãos (em dois casamentos), é o ingrediente do inesperado, da doença em um dos membros da família quem vai sacudir completamente essa harmonia, quem vai brincar com os planos de todos. É um filme duro, triste, mas é acima de tudo um filme sobre abrir mão em prol do que se mais ama, de sofrer as conseqüências, de se enfrentar o que se tem pela frente.

 
Derecho de Familia (2006 – ARG)

Daniel Burman novamente numa crônica familiar, e novamente retratando uma família judaica. Dessa vez Ariel é um homem metódico e acomodado, buscou a mulher com quem almejou casar-se, buscou o emprego que lhe daria conforto, buscou a mais cômoda proximidade com o pai que lhe fosse possível (proximidade bastante distante inclusive). Até frisa numa passagem do filme pagar uma escola cara para não ter que participar de tudo aquilo que a escola deseja que os pais participem.

De forma contida, amistosa e bem-humorada, o filme traça uma visão extremamente masculina de se encarar casamento e relacionamento familiar, a forma ideal para um homem comum viver nessa bolha de laços e relações. O não se envolver bastante, o não participar dos problemas do dia-a-dia, o não se preocupar. Mas Ariel é um cara especial, (acomodado, mas especial), e quanto sente-se pressionado busca em seu estilo desengonçado as armas necessárias para enfrentar seus desafios, sejam eles aproximar-se do filho, seja demonstrar ciúmes da esposa. E assim Ariel, entre acomodações e atitudes, ama sua família, do seu jeito, e nos oferece um filme rico nesse ambiente familiar, nesse relacionamento eternamente problemático (e ainda assim delicioso), e prova que essa redoma criada por Ariel para brindar os incômodos acaba se mostrando um escudo contra as coisas que lhe farão o verdadeiro bem.