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Belmonte (2018 – URU) 

O cineasta Federico Veiroj vem fincando uma filmografia interessante nos últimos anos. São filmes de personagens masculinos problemático, em torno dos quarenta anos, vivendo crises, e cuja narrativa foge das respostas fáceis e clássicas. O Apóstata trazia um adulto ainda dependente dos pais, bem mais interessante era A Vida útil com o calvário de um funcionário da cinemateca demitido, e que, coincidentemente, também vivia com sua família.

Belmonte é bem mais independente que esses dois, ainda que sua família seja parte crucial de sua vida. Pintor separado, só encontra refúgio quando está com sua filha. De resto, ele está sempre arisco, comprando pequenas brigas e pouco preocupado com convenções sociais. O filme de Veiroj é sobre essa sensação de não-pertencimento, a complexidade de suas frustrações enquanto se relaciona com clientes, com os problemas familiares, e frequenta ópera. Realmente um cinema de perguntar, jamais de respostas, do amadurecimento que repele as pessoas, de comportamentos que beiram o egoísmo ou apenas confirmação de que tudo aquilo não o satisfaz.


Festival: Toronto 2018

Mostra: Gala Presentations

oapostataEl Apóstata (2015 – ESP) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O título faz referência a quem desej abandonar sua religião. No caso específico, Gonzalo (Álvaro Ogalla) entra com um longo processo, na Igreja Católica, para ter seu nome eliminado de livros e demais banco de dados. Filmando na Espnha, o uruguaio Federico Veiroj desenvolve essa comédia sobre um personagem em crise de identidade, já na vida adulta, mas ainda dependente dos pais, incapaz de se estabelecer financeiramente e que carrega a rebeldia de ideias como cerne para a vida.

Veiroj dá um tom infatilóide, enquanto tenta expressar a confusão da vida do personagem, refletida por suas próprias convicções frágeis. E esse quê de ingenuidade do roteiro é ainda mais flagrante na relação de Gonzalo com as mulheres, um adolescente já em pele de adulto.