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Estamos em 2015, mas o cinema brasileiro ainda não se encontrou como indústria. Ainda temos, somente, 2 grandes grupos de filmes: as comédias Globo Filmes, e os documentários ou filmes de ficção, pequenos, que buscam um grande apuro artístico, e pouco contato com o público. Onde estão os filmes que carregam a indústria de cinema da maioria dos países? Incrível como há um grando hiato de filmes mais “normais”? As comédias bobas carregam bilheterias pelo mundo todo, assim como os filmes pequenos tem seu público. Porém, o Brasil ainda não encontrou uma produção robusta de filmes de gênero, ou com cara de Oscar, ou típicos de um Ricardo Darin local, não importa, o rótulo, não temos.

Ainda estamos procurando um Oscar de Filme Estrangeiro, mas a fraca quantidade de títulos nacionais nos principais festivais do mundo é sinal de que ainda vivemos de pequenos e raros talentos. Falta investimento, e algo mais. Falta uma indústria, uma premiação, aquilo que cria a curiosidade do público médio em não só escolher o filme enquanto está na fila da bilheteria. Por isso que ganha minha admiração os cineasta que conseguem fincar uma carreira, capazes de criar uma filmografia. Posso até não gostar dos filmes, mas eles merecem respeito numa indústria que vive de primeiros e segundos filmes, e para por ai.

Olhando meus preferidos, tento enxergar uma cara, um rumo, do nosso cinema. Não vejo. O topo da lista, entre os filmes que estrearam no circuito comercial em 2014, é mais um destes documentários pequenos, pessoais, onde o filme se mistura com o próprio diretor. Sim, porque a jovem diretora não fez um filme sobre seu pai (militante da esquerda e intelectual), e sim, um filme para se aproximar dele, entendê-lo. Realiza uma interação interessante, e intrigante, entre ela x pai x filme x edição e suas possibilidades. Difícil definir quem é o dono do filme, sabemos apenas que a última palavra foi dela (via edição), mas esse embate entre ideias e aflições próprias contamina o documentário, de forma positiva, trazendo à tona sinplicidade e vigor.

Filmes com temáticas jovens. Com propostas visuais diferentes, se apropriando bem dessa proposta para explorar o personagem. Ou um competente thriller, são esses os filmes que formam essa lista. Essencialmente filmes pequenos, que fogem do cinema favela que estamos acostumados a exportar. A indústria segue rastejando, tentando encontrar seu rumo. É verdade que em Recife temos um pólo de cinema se formando, criativo, inventivo, mas ainda é muito pouco. O advento da câmera digital aumentou a produção, não que isso tenha resultado em qualidade. O cinema nacional precisa dar o próximo passo.

 diascomele

  1. Os Dias com Ele, de Ana Clara Escobar
  2. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro
  3. O Homem das Multidões, de Marcelo Gomes e Cao Guimarães
  4. Meninos de Kichute, de Luca Amberg
  5. O Lobo Atrás da Porta, de Fernando Coimbra
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OLoboatrasdaPortaO Lobo Atrás da Porta (2013) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Uma criança sequestrada numa escola de periferia do Rio de Janeiro. Na delegacia, pais e suspeita prestando depoimentos contraditórios, nas ruas a polícia investiga pistas e envolvidos. Em sua estreia na direção, Fernando Coimbra apresenta um filme tenso, cheio de flashbacks, idas e vindas, e diversos pontos de vista para um mesmo fato. Não se trata de uma estrutura narrativa nova, mas, quando bem empregada, funciona positivamente, como é o caso.

Os depoimentos servem como start cada um dos flashbacks, trazem à tona casos extra-conjugais, a relação marido-mulher, e o grau de obsessão de uma paixão. O triângulo é formado por Leandra Leal, Milhem Cortaz e Fabiula Nascimento, e até que a polícia (Juliano Cazarré em aparições incríveis) desvende o misterioso sequestro, mergulhamos num típico caso de infidelidade, levado ao extremo. Em algum momento, Coimbra perde a mão do suspense, exatamente quando deveria ocorrer o clímax, a montagem do quebra-cabeças cria uma transição do suspense para mais um drama sobre conflitos extra-conjugais. O que parecia mistério se dissipa numa conclusão que mais parece caso psiquiátrico.