Posts com Tag ‘Festival do Rio 2017’

Last Men in Aleppo (2017 – DIN) 

Cinema-verdade daqueles com câmera na mão, no meio das explosões e ataques áereos na Síria. O documentário vencedor do Grande Prêmio do Juri em Sundance dialoga muito com o curta que ganhou o oscar (Os Capacetes Brancos). Os diretores Feras Fayyad e Steen Johannessen tratam do mesmo grupo de homens que trabalha nos escombros, tirando adultos e crianças soterrados após os ataques.

Portanto, é de uma tristeza sem fim. Serve sempre para relembrar que os noticiários de todo dia não podem passar indiferentes a nós, acostumados a ler uma noticia ou outra entre a manchete do futebol e do que está rolando no BBB. A tragédia é irreparável, a Europa sente na pele com os imigrantes, mas quem está morrendo aos montes são os sírios, e seguir um pouco alguns dos Capacetes Brancos nos fazem enxergar o absurdo que ocorre diariamente.

Ak-Nyeo / The Villainess (2017 – COR) 

Foi exibido fora de competição na última edição de Cannes. A abertura se dá com um plano-sequencia alucinante, a câmera se colocando como os olhos de um personagem desconhecido que entra por corredores entre golpes e tiros, destruindo uma quadrilha até finalizar a ação numa escola de artes marciais. Quase no final dessa grande sequencia descobre-se que trata-se de uma mulher e a câmera se separa quando sua cabeça bate num espelho.

Haverá outras grandes cenas de ação, o diretor Jung Byung-Gil dá um folego novo entre seus travellings e cortes bruscos. Só que entre elas, o roteiro peca pelo excesso de explicações dos dramas pessoais da assassina profissional Sook-Hee (Kim Ok-Vin), sua infância, o relacionamento com o “vizinho” e o antigo amante que volta a tona. The Villainess fica bom quando a porrada corre solto, mas é uma tradição do cinema coreano de dramatizar seu cinema de ação, dialogando assim com outros públicos que possam enxergar pontos de interesse onde só haveria sangue e artes marciais.

The Big Sick (2017 – EUA) 

Eis a nova comediazinha romântica indie do momento. A direção é de Michael Showalter, mas o nome que se destaca é mesmo do paquistanês Kumail Najiani que assina o roteiro, e protagoniza o filme, que não deixa de ser parte da história de sua vida. O momento de Uber que tenta a vida como comediante de stand-up e se apaixona por Emily (Zoe Kazan).

Espere por todos os cacoetes do filme fofo, beijos e carinhos, o humor, e as brigas e separação. O combo completo está lá até que ela adoece e a trama toda rumos inesperados. Estão lá os pais da garota com senões para o ex que não-foi-o-par-perfeito, ou a família paquistanesa que tenta acertar o casamento arranjado para o filho. Sobra não só humor  e o clássico choque de culturas, além das doses de arrependimento, mas no fundo algo genuíno que só quem se entrega na história de Kumail pode perceber. Por entre os clichês e a ingenuidade que o filme se estabelece como destaque dentro de suas pretensões pequenas e atuações singelas.