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oimpossivelLo Imposible (2011 – ESP)

Juan Antonio Bayona incorpora leves toques da atmosfera de filmes de terror (seu anterior foi o ótimo O Orfanato), nesse dramático filme-catástrofe baseado no recente Tsunami (2004) que devastou a Indonésia. Surpreende o realismo com que as ondas, corpos e objetos (incluindo veículos) são levados pela água, de uma veracidade absurda que incomoda, que te leva para bem perto do horror.

A ótica será de um casal de europeus (Naomi Watts e Ewan McGregor) passando férias com os três filhos, a água leva tudo, separa a família que, obviamente, se desespera, e se divide entre a sobrevivência de cada um, e encontrar os demais. Espero cenas de melodrama, espere reencontros, tristezas, drama, sofrimento, fora sangue e hematomas. Bayona não foge do esperado, insere esse clima de terror, mas faz um filme enxuto, realista, e cheio de emoção. Só de relembrar os fatos, os pobres locais e os turistas de sunga, completando devorados pela violência da natureza, traz um milésimo da sensação de enfrentar tudo aquilo.

Contágio

Publicado: dezembro 18, 2011 em Uncategorized
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Contagion (2011 – EUA)

Deveria ser um thriller eletrizante, abordando uma corrida desenfreada da ciência em estudar, e encontrar uma forma, de parar um virus letal, que se espalha pelo planeta rapidamente. Essa corrida existe, ainda assim, não há nada de eletrizante. O filme de Steven Soderbergh está mais preocupado em declarações à imprensa com novos numeros de casos x mortos, em retratar pequenos dramas pessoais, e, tentar montar, o quebra-cabeças da pesquisa científica.

Lembranças e comparações com Ensaio sobre a Cegueira são automáticas, os limites éticos do ser humano colocados à prova, o ponto em que nos tornamos animais em busca de comida, e/ou, abrigo. Contágio é um filme sem vibração, um elenco cheio de estrelas, um jornalista-blogueiro atrevido, e um tosse-tosse causando mortes ao redor do mundo, enquanto encontra-se uma explicação para demonstrar a fragilidade absurd a que estamos expostos diariamente.

 

Blindness (2008 – CAN/BRA/JAP)

Fernando Meirelles não cansa de ressaltar, com orgulho, o ótimo trabalho técnico da equipe, a fotografia esbranquiçada que traz sensação ao público da cegueira branca do best-seller de José Saramago, e o som extremamente presente que é parte dos olhos dos cegos. De uma fidelidade ferrenha ao texto de Saramago, o filme torna-se morno e peca exatamente nesse ponto. Não seria possível retratar todos os personagens e acontecimentos num filme comercial, porém o descompasso dos dois está na questão moral, o filme não passa de um acumulo de imagens (muito bem filmadas) que contam uma história de uma epidemia inexplicável que assola uma grande metrópole devastando sua população, e trazendo o caótico à sociedade.

Aquele ritmo de parábola narrada por um ancião (como se ouvíssemos o autor recitar sílaba por sílaba) chega ao filme como uma seqüência de ação, que não nos oferece tempo para pensar, para digerir, aquele amontoado de cenas pouco-a-pouco cria uma historia muito bem contada, impecavelmente reconstituída, e morna, porque a mensagem de uma sociedade que libera seus desejos oprimidos, sua ganância ressentida e o egocentrismo primitivo, fica implícita no desejo e não na realização. Mais importante do que colocar na boca da mulher do médico (Julianne Moore) que as roupas estão sujas, apresentar as mulheres no banho da varanda, ou recriar a cena de sexo do médico (Mark Ruffalo) com a garota de óculos escuros (Alice Braga), seria trazer personagens que na dubiedade de suas ações demonstram toda a complexidade que o livro projeta quando tirado elemento tão vital da vida humana.

Quase tudo do livro está lá, mas falta o essencial, e fica claro que Meirelles queria mesmo expor essa urgência da obra, essa crítica social marcante e arrebatadora e por mais que tenha elementos comerciais, fez um filme forte (especialmente na fantástica cena dos cães e a da saída do supermercado), transformou São Paulo (divertido reconhecer tantos pontos da cidade) num local realmente caótico, sujo, feio, desesperador, porém faltou um ritmo compassado em alguns momentos, e que a aflição dos personagens não estivesse só no ritmo do filme, como também em suas emoções.