Posts com Tag ‘Forest Whitaker’

A Chegada

Publicado: novembro 28, 2016 em Cinema
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achegadaArrival (EUA – 2016) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A grandiosidade de Dennis Villeneuve agora chega ao espaço. Interessante como o cinema americano voltou a explorar ativamente esse gênero nos últimos anos após um curioso hiato. A abordagem do cineasta canadense é existencial, semelhanças facilmente perceptíveis com Arvore da Vida, de Terence Malick, até nos enquadramentos e distancia da camera de sua protagonista (Amy Adams). 

Passada essa primeira similaridade, podemos refletir do quanto Villeneuve busca inspiração em Kubrick e seu 2001 porque é pela incomunicabilidade que a narrativa desenvolve todo seu alicerce. Doze ovnis se espalham pelo planeta, imóveis. No misto de curiosidade e medo, os países se aproximam, tentam se comunicar enquanto participam do jogo diplomático com as demais nações (o que revelar e o que não revelar), ao invés de unir forças. 

A presença extraterrestre fica diminuída a capacidade linguística de desenvolver conhecimentos para estabelecer comunicação. Villeneuve usa como pano de fundo essa preocupação com o coletivo humano, mas realiza seu filme totalmente calcado nas experiências individuais de uma única pessoa (Amy Adams) e seus dramas pessoais a partir do contato com os heptapods. Dessa forma, o clima de mistério e interesse é canalizado na banalização individual quando o desfecho se encaminha.

Nocaute

Publicado: setembro 10, 2015 em Cinema
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nocauteSouthpaw (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A volta do boxe ao mundo do cinema. A estrutura é basicamente a mesma dos filmes do gênero, chegada ao ápice (título mundial), a queda catastrófica (financeira) e de confiança, e o retorno rumo à redenção. Guarda algumas diferenças ao mais celebrado do gênero, Rocky tem o charme desajeitado, a ingenuidade de um coração maior que a força de seu punch. O filme de Antoine Fuqua é uma modernização, do hip hop à ingenuidade agressiva, perde o humor e mergulha em cargas dramásticas mais profundas.

Tecnicamente, além de uma câmera que parece tomar murros dos boxeadores, a não utilização de contra-plongée no ringue, o resto é bastante semelhante. A aposta é toda em Jake Gyllenhaal e o peso da tragédia que arrebata sua vida. A perda da esposa (Rachel McAdams), o afastamento da filha, e o quase mendigar para o novo treinador (Forest Whitaker). É pouco, porque falta o charme, o romantismo da época áurea do boxe, e sobra a rigidez de um filme executuado para todos os públicos, violento e comportado.

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platoonPlatoon (1986 – EUA)  estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Esse foi um daqueles filmes que soavam como “clássicos” na minha memória de adolescente, mas que a história parece não ter lhe dado este status atualmente. Já pouco se fala de Platoon, mesmo tendo ganho Oscar de Melhor Filme e o Leão de Prata em Berlim. Oliver Stone também já dá sinais de estar na parte descente da curva de sua carreira. O mito foi quebrado ao finalmente  assistir, e temo que uma revisão em alguns anos possa ser ainda mais prejudicial.

Oliver Stone foi combatente na Guerra do Vietnã, ele retorna às suas memórias dos horrores da guerra. O filme é narrado segundo a visão de um jovem (Charlie Sheen) que se alistou, voluntariamente, no exercito norte-americano. Idealista, acreditava piamente no dever cívico de lutar por seu país. Seus olhos são as testemunhas de mutilações, massacres, estupros, e demais violências. Tom Berenger, em atuação impecável, encarna o sargento ambicioso, psicopata e sangue-frio que causa temor entre os recrutas. Seu contraponto é outro sargento, mais humanista e sensível, interpretado por Willem Dafoe. Este confronto perfaz um dos melhores momentos do filme. Eles comandam um batalhão que passa por vilarejos, e encara a guerra no corpo-a-corpo. Enquanto a violência assusta, o filme sai também em busca de questionamentos: da convocação apenas dos pobres para combaterem, o heroísmo americano e essa guerra de fome contra um povo já tão sofrido.