Posts com Tag ‘François Damiens’

masnoticiasiparaosrmarsDes Nouvelles de La Planète Mars / News from Planet Mars (2016 – FRA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Philippe Mars (François Damiens) é um homem gentil. Tenta ser bom pai, funcionário que segue à risca a dinâmica do trabalho, compreensível com a ex-esposa e com a irmã. De alguma forma, todos abusam dele. A vida não é fácil nessa comédia dirigida por Dominik Moll. Administrar as excentricidades de todos à sua volta parece seu grande desafio.

Não há limites para se ciar situações divertidas, talvez devesse haver para a irracionalidade. O roteiro abusa a capacidade de absorver e tentar administrar tantas loucuras, mas será que nossa vida também não é assim, e aqui só se está exagerando para tornar tudo mais evidente? Moll cria uma panela de pressão, para terminar tudo numa aventura quase juvenil, mas até lá leva qualquer um à loucura com tantos veganos atuantes, filhos adolescentes, e explosões nervosas de colegas de trabalho.

tango_libreTango Libre (2012 – FRA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Ainda não acreditando no final dessa comédia pastelão dirigida por Fréderic Fonteyne. Um dos roteiristas é a própria atriz que interpreta Alice (Anne Paulicevich), a mulher cobiçada pelos três homens da trama. Dois presidiários e um dos guardas do presídio dividem o coração da desengonçada que ama dançar tango.

O filme demora em se assumir como pastelão, preferindo um tom mais feel good com toques do indie americano (François Damiens é um loser típico dos indies). Afinal, um bando de [presidiários ensaiando tango nas horas livres. Essa indecisão de tom de Fonteyne, além dos caminhos estapafúrdios do desfecho naufragam o clima simpático, de filme medíocre, porém que beirava o agradável.

gare-du-nordGare du Nord ( 2013 – FRA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Claire Simon é mais conhecida como documentarista, vira e mexe e se aventura na ficção. Dessa vez ela parte da ideia de que a estação Gare du Nord é um pequeno resumo do mundo. Não está enganada, uma das 3 maiores estações de trem/metro do mundo, numa cidade que abriga todas as nacionalidades, toda as línguas, o local é realmente um pequeno ecossistema humano. E, dessa forma, poderia dar cabo a tantas histórias, tantas pessoas.

A trama tem um tripé, Ismaël (Reda Kateb) e sua pesquisa para mestrado, Mathilde (Nicole Garcia) professora de história, e Sacha (François Damiens) conhecido na tv pelas pegadinhas e câmeras ocultas. Cada por sua razão, os três estão sempre na estação, procurando alguém, ou coletando histórias, enquanto se entrecruzam. Nessa tentativa de romantizar um documentário, Simon perde o controle desde o início, seja com diálogos pouco interessantes, com a quantidade de temas e personagens, ou apenas com o desinteresse que ela causa pela frouxidão de sua condução.

suzanneSuzanne (2013 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Lacrimoso e envolvente esse drama da diretora Katell Quillévéré. Um caminhoneiro (François Damiens), viúvo, tendo que se desdobrar para criar as duas filhas pequenas. Utilizando diversas elipses, a diretora facilmente narra a vida dessas irmãs por décadas, tendo como foco a destrambelhada Suzanne (Sara Forestier), sempre contando com o suporte fraternal da “levemente” mais ajuizada (Adèle Haenel).

Pode-se até levantar a questão da propensão que uma família fragmentada (no caso a ausência mãe falecida) possa resultar numa educação não tão exemplar, e dessa forma, risco maior de filhos irresponsáveis, ou com um “espelho” familiar falho. Se bem que, aparentemente, trata-se apenas de uma história, narrada de forma doce (nunca sentimental), de duas meninas-garotas-mulheres, apostando no amor, agindo por impulso, com decisões dubiamente corajosas e covardes.

afamiliawolbergLa Famille Wolberg (2009 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A disfuncionalidade familiar capitaneada pelo patriarca (François Damiens), figura interessantíssima e complexa, amoroso e indireto, simultaneamente presente e incômodo, tanto em sua posição familiar quanto no exercício do seu cargo de prefeito da pequenina cidade do interior francês. A familia é formada pela esposa apagada, pela presença esmagadora do marido, a filha adolescente petulante e focada na chance de sair de casa, o caçula com espírito introspectivo e observador (além do cunhado praticamente um hippie europeu provindo de um charmoso road movie).

Oblíquo e bastante inquietante, eis a estreia da diretora Axelle Ropert. O filme é dono de discursos, ora prosaicos, ora iluminados, de um frescor e sapiência acima da média. Momentos como a representação da vida em pulos, por uma linha divisória imaginária, onde o tio, desapegado de laços, tenta transmitir, metaforicamente, ao sobrinho, um resumo das duas opções de caminho a trilhar. Ou a carta, de uma paixão inflamada, do pai, endereçada à filha, que completa dezoito anos (lida com uma emoção formal, desajeitada e crível) contrasta com outras cenas em que a autoafirmação do protagonista peca pelo excesso (se bem que ele é sinônimo de excessos), e a necessidade de fugir da linha para buscar uma marca autoral. Uma família remendada por super-bonder, alicerçada numa figura explosiva, altruísta, uma leoa cega ao tratar da proteção de sua cria (aqui no sentindo mais amplo, não só familiar, como no âmbito profissional, pessoal e sentimental).