Frantz

frantzFrantz (2016 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

É com elegância que François Ozon conduz o drama romântico, pós primeira guerra mundial, remake de Não Matarás (Ernest Lubitsch). Não é seu primeiro filme de época, mas fazia tempo que o cineasta francês não entregava um filme, relativamente, bom, como é o caso aqui. Filmado em branco e preto (apenas algumas cenas ganham cores, e tem significado velado para causar diferenciação), a trama é sobre um alemão indo à França (invertido na comparação com o original) visitar os familiares do amigo francês que morreu na guerra.

Os sentimentos dos lados opostos correm na fúria dos olhos, os resquícios do ódio entre alemães e franceses vive em cada cena do filme, não importa qual dos países seja o cenário. Adrien (Pierre Niney) visita o túmulo do soldado falecido, carregado de tristeza, saudade, remorso, não se sabe ao certo o que se passa com ele. E os segredos só são revelados, pouco-a-pouco, quanto mais ele se aproxima da família de Frantz, principalmente de sua noiva (Paula Beer).

O filme caminha para um desenlace romântico inesperado, mas ganha contornos inesperados após revelações, cartas, e a ida da jovem à França. Dessa forma, o filme mostra o outro lado aos olhos da jovem corajosa, e nos permite vagar por um desfecho inesperado, coerente, que é apenas o melhor resultado para um filme que vai crescendo perto do seu fim. Sempre com essa elegância que Ozon teima em impregar em seu trabalho, dessa vez um tiro certo.

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Uma Nova Amiga

umanovaamigaUne Nouvelle Amie (2014 – FRA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A carreira de François Ozon dava sinais mais promissores do que efetivamente se estabeleceu. A sensualidade nos suspenses (À Beira da Piscina), a predominância feminina nas comédias (8 Mulheres), e o tom intimista nos dramas (O Tempo que Resta) – só para citar filmes produzidos num espaço curto de tempo – passou. Ozon carrega o eclético, como também o irregular. Os temas permanecem (sensualidade, sexualidade, prioridade pelo feminino), a pegada, e a desenvoltura, há tempos não é mais a mesma. Neste novo filme, Ozon lembra Almodovar, porém faz de seu galã (Romain Duris), e protagonista, uma caricatura de um travesti. Aprofundamento raso, a comédia quase avergonhada.

Infelizmente, o filme faz todo sentido na carreira de Ozon, principalmente dentro dessa irregularidade que parece ser a tônica da última década. O cineasta parece o típico nome que goza de prestígio, mas que teima em não acertar mais. O inusitado em ver Duris, vestido como uma diva, se sustenta por poucos minutos. A falta de profundidade só traz uma simpatia marota pelos personagens, e um desenrolar de trama profundamente desinteressante.

Repercussão: Cannes 2013 – dia #2

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A primeira exibição de filmes da competição ocorreu ontem à noite, e hoje a abertura oficial das demais mostras paralelas. Dia de filmes elogiados, mas nenhum que o frisson fosse geral (quer dizer, na sessão noturna sim, mas esse só tem no post de amanhã). O italiano Salvo abriu a Semana da Crítica, e aparentemente passou em branco. Mas calma, o festival está apenas começando.

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THE BLING RING

theblingring

Sofia Coppola parte de um artigo da Vanity Fair sobre um bando de jovens, se aproveitando das redes sociais para assaltar mansões de celebridades em Hollywood (Paris Hilton, por exemplo). Mais um capítulo de seus estudos de juventude x solidão? Cheirando a cult para um público mais jovem.

Críticas: The Guardian – Little White Lies – Film Comment

Termômetro: de olho

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HELI

heliComeçou apanhando da crítica no Twitter, logo após a sessão de ontem à noite. Depois, algumas críticas um pouco mais animadoras. Basicamente, um filme chocante do mexicano Amat Escalante, com muitas cenas de violência explícita enquanto aborda o eterno tema do tráfico de drogas. Comentários o situam entre Reygadas, Brillante Mendoza e o toque sádico de Anticristo (Lar Von Trier). Parece que muitos abandonaram a sessão, foi o primeiro da Mostra Competitiva.

Críticas: HitFixUOL Cinema – Little White Lies

Termômetro: morno

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JEUNE ET JOLIE

Young and Beautiful aka Jeune et Jolie film stillO outro competidor da mostra principal foi François Ozon. Contando a história de uma jovem que da primeira experiencial sexual, num romance de verão, parte para a prostituição de luxo, vivendo uma vida-dupla escondida de sua família. Os comentários falam de mais um filme de  Ozon com elegância, porém um Bela da Tarde adolescente.

Críticas: Cine-VueScreencommentLittle White Lies

Termômetro: de olho

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THE CONGRESS

thecongressEntre a animação e o live-action, e com uma história bem inventiva, está de volta Ari Folman a Cannes. Abriu a Quinzena dos Realizadores e transformou várias estrelas do cinema em personagens animados, com Robin Wright estrelando seu filme, e novamente agradando a maioria. Bom humor e um mundo onde atores precisam se tornar animações para manter suas carreiras.

Críticas: HitFixRoger Ebert – IndieWire

Termômetro: de olho

Dentro da Casa

dentrodacasaDans la Maison (2012 – FRA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

De uma redação tirando o tédio de um professor de frances, para um jogo de manipulação e sedução protagonizado por um adolescente invadindo uma familia comum de classe média. François Ozon volta ao suspense, flerta com Hitchcock e Chabrol, cria numa série de capítulos um perigoso jogo de envolvimento aluno-professor que fere a ética, tudo em prol de se tornar o mentor de um talento, ou de um capricho vouyer.

Interessante c omo Ozon envolve a trama, tanto na interação de leitura do professor (Fabriche Luchini) e sua esposa (Kristin Scott Thomas), com quem divide as novas aventuras de seu aluno, quanto na invasão de privacidade do jovem Claude Garcia (Ernst Umhauer). O garoto tem em suas mãos a tudo e todos, de forma tão hábil que perde o ponto do crível, Ozon vai além do que poderia e perde a mão do que parecia um engenhoso formato.

O fascínio ganha espaço do que parecia ser um misto de ficção e realidade, e dos aprendizados de um aluno até culminar na destruição desnecessária de personagens tão ligados ao poder do fascínio.

Angel

angelAngel (2007 – ING/BEL/FRA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Pode-se dizer tantas coisas sobre François Ozon, entre naturalismo e irregularidade surgem uma enormidade de adjetivos que em algum momento de sua carreira cabem aqui e ali. Porém, de sua coragem não se pode negar, as variações de sua carreira, primam, acima de tudo, por uma coragem de quem não tem o mínimo medo de errar. E seu primeiro filme britânico é prova cabal. Ele parte de sua França natal para uma história clássica do século XIX, com toda a pompa e cafonice que se pudesse imaginar nos cenários da época.

E ele vai além, cria um grupo de personagens que em nada se parecem simpáticos, a garota sonhadora e pobre que engata sua carreira de sucesso como escritora de livros tolos é a personificação de seus próprios livros. Fútil, sonhadora, vive na bolha do amor-romântico ao extremo, porém faz o tipo socialite irritante, sem classe, metida, e distante das coisas importantes da vida que não sejam o amor que ela sente no peito. O amado surge também como um dono da razão, depressivo e infiel.

Desse mundo criado Ozon adiciona uma artificilidade proposital e meramente plástica e uma breguice visual que extrapola sua narrativa simplesmente banal. Nada se coloca como minimamente interessante nesse mar de excessos.

Potiche

Potiche (2010 – FRA)

Que prazer quando um cineasta sabe utilizar artimanhas cinematográficas a seu favor, logo no primeiro diálogo François Ozon já imprime o que será o ritmo do filme (leve, divertido, e de temas discordantes, o feminismo principalmente), um casal discute sutilmente e naquele pequeno diálogo já estamos inseridos em quem são, no estilo de vida e o que mais relevante havia. Ozon talvez seja o mais versátil dos cineastas franceses na atualidade, aqui ele flerta com seu 8 Mulheres (Catherine Deneuve também encabeçava o elenco), mas o filme chega ao limite tênue entre comédia e musical, faltou quase nada para que os diálogos não se tornassem apresentações musicais.

O roteiro é bobinho, leva tudo com muito humor, a greve na fábrica, o feminismo, a sensação das mulheres de seu papel de “vaso” nas decisões familiares, a incongruência entre o artístico e o industrial. E Ozon une bem todos estes elementos, ainda com doses de crise conjugal e paixões do passado, a verdade é que o filme surge prazeroso, para aqueles que acreditam que, às vezes, precisamos de um filme bobo onde se pode deixar o cérebro em casa, Potiche vem provar que isso é uma ignorância profunda, é possível fazer um filme leve e versátil e cheio de elementos críticos e temas fortes. Atenção especial ao personagem da filha, talvez o mais próximo do real entre todos os personagens.

O Refúgio

Le Refuge (2009 – FRA)
O filme começa com um casal se drogando, num quarto com colchão no chão eles finalmente sentem alívio quando a agulha entra pela veia. Início forte, overdose, morte. Ela açoda no hospital, ele não, ela grávida, vida maluca, algo do amado nascido em sua barriga. François Ozon leva sua personagem a um exílio, uma casa num local paradisíaco, fugindo de tudo e de todos, agora sim Ozon mostra seu estilo melancólico de outros filmes.
O irmão dele vai visitá-la, a gravidez é indesejada pela família, e naquele convívio ora ofensivo, ora amistoso e intímo, descobrimos mais sobre aquelas duas vidas ligadas ao acaso por tristezas, por personalidades díspares, por pessoas carregadas de sentimentos e de uma vontade de libertação maior do que alguns podem aceitar. Num refúgio eles se abrem para o que são, ou se escondem de si mesmos, até que possamos entender verdadeiramente seus espíritos, sem que isso tudo se torne realmente um grande filme.