Posts com Tag ‘futebol’

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Por fim um interessante artigo sobre o modelo MUBI de ver filmes [Otros Cines]

Il Mundial Dimenticato (2012 – ITA/ARG)

De tempos em tempos nos deparamos com uma ideia nova, uma forma diferente de narrar uma história, qualquer coisa que saia do mais do mesmo. Esse falso documentário sobre uma suposta Copa do Mundo de futebol, que teria acontecido em 1942, na Patagônia, é o tipo de alívio que podemos encontrar de vez em quando (bem de vez em quando).

Participações de João Havelage, Roberto Baggio e Gary Lineker (o craque britânico mergulha de cabeça na história) enriquecem, mas o grande trunfo é a seriedade com que é tratado o tema, com toda a pesquisa, imagens de arquivo e depoimentos de ex-jogadores que teriam participado desse grande (esquecido) evento. Brasil, Alemanha e Itália enfrentando seleção da Patagônia ou dos Mapuches, um cinegrafista que morreu abraçado em sua câmera, triângulos amorosos, e um juiz filho de Butch Cassidy. Sem dúvida, o filme de Lorenzo Garzella e Filippo Macelloni é uma jóia hilariante.

(2011)

O craque maldito, o gênio, o Gilda do futebol carioca (alusão ao clássico personagem de Rita Hayworth), a vida do ídolo do Botafogo nos anos 40 foi vivida intensamente. Charmoso, requintado, elegante, cafajeste, conquistava mulheres com a mesma volúpia que marcava gols e que causava brigas e confusões com colegas de clube. Heleno é o típico personagem movido pela emoção, e essa linha foi a grande aposta do cineasta José Henrique Fonseca. Ele permite toda a liberdade para Rodrigo Santoro explodir em cena, explorar até os excessos essa coisa excentrica e intempestiva, essa fúria acumulada por paixão em tudo que fazia.

Foi seu temperamento que o destruiu, instável, viciado em eter e lança perfume, diagnosticado com sifílis e nunca se tratou, Heleno náo só queria ser o melhor dos melhores, como sua arrogância o fazia crer e com ela sua ruina. Alinne Moraes, Angie Cepeda, as mulheres entram e saem de cena, falta consistencia aos personagens, são coajuvantes de luxo. O roteiro opta pela ausencia de cronologia, fotografia em preto e branco, são sempre elementos interessentes (ainda mais se estamos retratado os anos 40-50 entre cabarets e praias cariocas), só que, temos a sensação exageradamente limpa, o problema principal está mesmo na cronologia.

O vai-e-vem chega a um ponto em que já se conhece toda a biografia e as pequenas lacunas de sua história já foram preenchidas em nossa mente, o ritmo empaca, o filme já cai na redundância, e entre anos no sanatório e as tentativas de retomar a carreira (a passagem pelo Boca Juniors é pouco explorada, por Santos nem citada e pelo América tão confusa que fica impossível entender que se tratou de apenas uma partida). Triste testemunhar o fim melancólico do jogador, mais triste ainda assistir a mais um filme tentando transformar (na questão imagem) um esporte coletivo em individual, com luzes de estrela e todos os holofotes num único personagem/jogador.

Montevideo, Bog te Video! (2011 – SER)

Quando alguém nesse planeta realizará um bom filme sobre futebol? Esse enigma ainda não foi solucionado, e o ator sérvio Dragan Bjelogrlic (assumindo pela primeira vez a direção de um longa-metragem) é outro dos que fracassaram. Se bem, que este aqui, pode-se dizer, foi um fracasso retumbante já que a história interessantíssima sobre a história real da formação da primeira seleção iugoslava de futebol  cai num marasmo ridículo de cenas tolas, melodramas e clichês insuportáveis.

Difícil imaginar o mundo amador do futebol nos anos 30, se comparado com a riqueza milionária da atualidade.  Tirke (Milos Bikovic) e Mosa (Petar Strugar) são as figuras centrais (ficaram marcados na história como dois dos grandes ídolos do futebol iugoslavo), mas o diretor os transforma em dois garotões inconsequentes que estão mais preocupados com firulas e mulheres. Enquanto os romances se misturam com situações tolas e ingênuas, e as sequências filmando partidas demonstram uma precariedade (de quem não sabe jogar o esporte). Resumindo, troca-se o espírito do amadorismo esportivo e do surgimento de uma “paixão nacional” pela obviedade do melodrama fácil e um conjunto de cenas jogadas ao público de maneira esdrúxula e didática, outro desperdício de tema interessante.

* indicado pela Sérvia ao Oscar de Filme Estrangeiro

Meninos de Kichute (2010) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O filme de Luca Amberg é delicioso, no meu caso, excepcionalmente, fica ainda mais delicioso por ter visto tantas semelhanças com minha infância (por mais que a minha tenha sido na década posterior), foram anos e anos jogando futebol de kichute, com um pai rígido que tentava coibir meu gosto pelo esporte (não era por motivos religiosos), e outros etcs. É outra mostra de narrações do ponto de vista de uma criança que oferecem um misto de ternura e ingenuidade, aqui se tem como pano de fundo os dramas e dificuldades financeiras de tantas famílias, como essa, em meados da década de setenta. Temos esse universo infantil de figurinhas, futebol, e molecagens, e por mais que haja irregularidades técnicas evidentes, há uma essência cativante, há personagens interessantes (show de Arlete Salles) , há a genuidade de um Brasil que existia e ainda existe, e o garoto que faz o Beto (Lucas Alexandre) que deixa a todos encantados com suas travessuras.