Posts com Tag ‘Gabe Klinger’

Porto

Publicado: outubro 28, 2016 em Cinema, Mostra SP
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portoPorto (2016 – FRA/POL/POR) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Um dos bons exemplos das possibilidades que o cinema oferece, ao se fugir dos padrões normais de estrutura e narração. Ainda em seu segundo longa-metragem, o primeiro de ficção, o brasileiro radicado nos EUA, Gabe Klinger, oferece um pequeno prazer cinematográfico. Garrel, Cassavetes, Nouvelle Vague, não faltam referências que possam ser destacadas. Mas, há algo além que deve ser muito creditado a Klinger também, mesmo que seja nos personagens nem tão encantadores, e até problemáticos, de alguma forma. Seja na forma como expõe o amor fugaz com truculência e aspereza. Seja apenas por encontrar no balbuciar, muitas vezes, uma forma de expressão (diálogo).

A cidade de Porto filmada em esplendor. Noturna, romântica e iluminada, e ainda posicionada como um terceiro personagem, que se oferece de palco, para um (des)encontro infortúnio de um casal quase improvável. Os personagens praticamente presos, como reféns da narrativa, que embaralha a cronologia e os mantém ali, incapazes de seguir adante no tempo, orbitando no espaço que permite ao público flutuar pela atmosfera, e pouco importar com o que veio antes  ou depois. Basta ver Jake (Anton Yelchin) e Mati (Lucie Lucas), e esse conjunto de cenas embaralhadas, que dão cabo de contar um romance tão irracional.

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Double-Play-James-Benning-And-Richard-LinklaterDouble Play: James Benning and Richard Linklater (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A interessante amizade de dois cineastas, tão díspares em seus trabalhos, mas cuja vida fez o favor de unir. O trabalho de estreia do brasileiro, radicado nos EUA, Gabe Klinger é todo sobre cinema, Benning e Linklater falam sobre seus filmes, seus trabalhos, antigos e novos projetos, o cineblube em Austin, enquanto passam alguns dias na casa de campo de Linklater.

A câmera não faz bem ao diálogo dos dois, Klinger não consegue ligar tão bem os pontos entre os dois, e o filme mais parece um trabalho chapa-branca, de um tentando promover o trabalho do outro. O experimentalismo de Benning e os primeiros trabalhos de Linklater, não são diálogos com posições convergentes, opostas, pontos de vistas diferentes. São espécies de monólogos, onde cada um fala de si, e o outro serve de trampolim para a conversa ficar mais interativa. Falam de cinema, mas falam apenas de seu cinema, numa visão bem parcial e informativa.