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Lawless (2012 – EUA)

A adaptação do livro The Wettest County in the World (de Matt Bondurant), dirigida por John Hillcoat vem cheia de violência e sangue escorrendo. Pode parecer antagônico, mas peca no classicismo narrativo dos filmes da época de Al Capone e a Lei Seca. A violência crua, ao invés de romântica de alguns filmes do gênero, é pouco para dissociá-lo de mais uma história de gangsteres, policiais corruptos e disputas de poder. Além da presença de mulheres passivas e algum herói em atos heroicos inesperados.

Hillcoat não consegue ir além da máxima de mocinhos e vilões, por mais que todos sigam e vivam sob suas próprias leis. Emprega ritmo arrastado, o filme se arrasta na disputa entre o corrupto (Guy Pearce) e os irmãos durões (Tom Hardy, Shia LaBeouf e Jason Clarke), enquanto a elogiada fotografia parece limpinha demais, e as relações amorosas-pessoais variam entre o passivo e o bobinho.

E quando chegam os momentos mais eloquentes, as grandes disputas entre mocinhos (vilões) e vilões, sobra exagero e ressurreição. No começo a história se apresenta como baseada em fatos reais, o que não precisava era parecerem tão super-heróis assim.

The Dark Knight Rises (2012 – EUA) 

Nada na carreira de Christopher Nolan se compara, em grau de grandiosidade, com este terceiro capítulo da saga de Batman (dizem ser o último, mas ficaram tantas questões e possibilidades abertas que fica difícil acreditar que seja mesmo o fim). O tom é de definição, de eloquência, tudo é faraônico. A história recomeça oito anos após o filme anterior, Gotham City (imagino eu nunca foi tão assumidamente NY) se tornou uma cidade pacífica, Batman desapareceu (até por falta de necessidade), o ricaço Bruce Wayne vive recluso.

Intrigas político-economicas e um vilão bombado, Bane (Tom Hardy), são as armas de Nolan para retomar o caos em Gotham. Mas como disse, dessa vez a gradiosidade é ilimitável, guerra civil e explosões por cada canto da cidade são apenas algumas das artimanhas poderosas do filme. A verdade é que o filme tenta não perder o folego, nesse quesito o som (e a trilha) são fatais, criando situações-climax a torto e a direito (principalmente nas revelações finais). Parte do público nem se contém, tamanha vibração.

Ainda há espaço para a sensualidade com Anne Hathaway numa irresistível mulher-gato (por mais que nunca seja batizada assim), e também para sequencias dramáticas exageradas, carregadas, realmente fracas (e nisso, a comparação com o Coringa de Ledger torna ainda mais sofrível tais cenas. Marion Cotilard e Tom Hardy, coitados). O desfecho parecia perfeito, Nolan estava prestes a fazer um golaço, mas peca um pouco depois da explosão-crucial, cria história onde não precisaríamos e perde a oportunidade de fechar com coragem essa trilogia.

Um filme de super-herói que pretende ser “humano”, fora das possibilidades tecnológicas, que deseja acreditar em superação, em insistir no sombrio e apostar na moralidade, Nolan vai muito bem quando enlouquece com cenas de ação impressionantes, e se enrola nos meandros da história.

Tinker, Tailor, Soldier, Spy (2011 – ING)

Pelas mãos do cineasta Tomas Alfredson nasce um filme elegante sobre espionagem na Guerra Fria. Não que os britânicos fossem neutros no jogo de guerra velada entre capitalismo americano e comunismo soviético, mas eles eram um terceiro, que até flertavam com um lado, mesmo estando sempre mais propensos a outro. Nessa perspectivas de inexistencia (estrutural) de vilões, se desenvolve nova adaptação do livro escrito por John Le Carré (em 1979 fora uma mini-série da tv com Alec Guinness no elenco).

Primeira palavra a vir a mente é timing, Alfredson o estabelece e imprime em cada um dos fotogramas, há unidade, um compasso que segue sereno, harmonico. E o timing se estabelece também com a figura central da trama, o agente aposentado (Gary Oldman) após uma missão fracassada na Hungria, e que volta à tona para investigar e descobrir quem é o espião duplo entre a mais alta cupula da Inteligência Britânica.

 É bem verdade que falta ao roteiro um desenvolvimento dos personagens (principalmente dos suspeitos), são apenas tipos britânicos que desconfiamos e aguardamos descobrir qual deles é o vilão, sem que tenhamos perfis psicológicos, ou interesses mais explícitos (as subtramas até se encaixam no desfecho, ainda assim pouco relevantes). O filme é todo de Alfredson (sua escolha pelo mínimo de detalhes, oferecendo maior nuance aos atores, e isso não falta a Gary Oldman), destacando-se o virtuosismo que ele evoca ao todo, um desfilar sobre nossos olhos de maestria (por exemplo, numa cena, a câmera foca a nuca de Smiley, ele vira o rosto levemente, e só no movimento das sobrancelhas percebemos o ar de decepção).

 Momentos de tensão, de dúvida, sempre num tom calmo e sereno, em tons cinza e nebulosos. E a promiscuidade das relações , colocadas sempre de forma sutil, é daqueles filmes em que “o como” vale muito mais que o “o que”, engenhoso na trama e na forma de se contar, Alfredson se estabelece como um cineasta que merece todas as atenções. E aquele desfecho então, a canção francesa, os personagens em suas novas perspectivas, nenhuma fala, um charme.

The Dark Knight (2008 – EUA) 

Christopher Nolan dirigiu um filme alucinante. O assalto a banco, da primeira cena, é apenas o prefácio de um filme longo, que passa num tiro. Duas horas e meia que não se dá conta que se foram, tamanha agilidade na narrativa e capacidade de entreter. O cineasta britânico esquematizou seu filme em dois alicerces: roteiro e cenas de ação. No roteiro criou uma série de acontecimentos que oferecem ramificações, não só para esse filme, como para suas continuações, explicações para as origens dos vilões, pequenas aparições de vilões anteriores, isso sem perder o foco no homem da vez: Coringa.

Contudo, Gotham está infestada de mafiosos, e surge um promotor incorruptível que pretende colocar atrás das grades os bandidões, eis a figura de Harvey Kent. No meio disso, a continuação tão frágil do caso de amor de Bruce e Rachel, dessa vez um triângulo.

Se o roteiro dá cabo de toda essa série de coisas acontecendo, as seqüencias de ação são realmente eletrizantes, porém Nolan acelera tanto que há cenas em que se torna impossível distinguir o que está acontecendo, é pancadaria deliberada sob a noite sombria de Gotham. Aliada a canastrice cada vez mais exagerada de Christian Bale, temos um terreno completamente livre para Heath Ledger brilhar, e como brilha. Seu Coringa é um debochado, um genioso e astuto ladrão, daqueles que nunca tem nada a perder, e suas idéias infalíveis parecem vindas dos HQ, e dos desenhos infantis que marcaram minha infância. A lentidão no modo de falar, as expressões, Ledger barbarizou. A cena do interrogatório, desde já antológica, coloca todas as cenas de ação no bolso (isso sem falar nele vestido de enfermeira).

Há ainda duas discussões que Nolan teima incessantemente, uma é a discussão do herói, a necessidade da população em ter figuras cristalinas para focar suas esperanças, e essa lenga-lenga cansa. Outro ponto são as bombas colocadas em dois navios que tenta coloca um alento na discussão da alma humana, o egoísmo, e tantos outros valores que, num momento tão “delicado”, como aquele, são colocados a prova de maneira tão leviana, e com um resultado tão clichê.

A verdade é que O Cavaleiro das Trevas é uma epopéia épica inesquecível, um exemplo típico da magnitude que seu cineasta vem tomando, mas cuja interpretação de Ledger torna-se algo tão indescritível e atordoante, que mesmo seus tons exagerados são engolidos pela capacidade de criar sequencias de um exímio apuro técnico.

Batman Begins (2005 – EUA) 

Christopher Nolan reinicia a saga de Batman no cinema, pautando a história sob o medo, conduzindo o super-herói pelo processo de desmistificação de seus pesadelos. A lenga-lenga (para alguns) do início, que compreende a morte dos pais e a fase em que Bruce Wayne aprende artes marciais, e principalmente o processo de autoconhecimento, por mais bem colocada no contexto, chega a ser aborrecedora. Muito da culpa é do próprio Christian Bale, e sua face de canastrão. O rapaz equilibra-se entre o preciso e o não convincente, além de algumas das razões de seu personagem serem inconsistentes. Outra opção de Nolan foi a descentralização do vilão, temos três em níveis diferentes, o Espantalho, que deveria ser o principal, perde terreno para o carismático personagem de Liam Neeson, e por mais aterrorizante que possa parecer deixa o embate derradeiro para o líder da Liga das Sombras na cena do metrô.

A preocupação em rechear o filme com coadjuvantes de luxo tem acertos e exageros, Ken Watanabe entra apenas com seu nome, enquanto Michael Caine esbanja desenvoltura, e um típico humor britânico impagável (que não funciona com outros atores). Katie Holmes é um poço de graciosidade, porém em momento algum o romance com Wayne decola (não por culpa da moça). São essas pequenas coisas que diminuem o impacto do filme que promete reiniciar com sucesso a história cinematográfica do homem-morcego.

No quesito ação, não há nada a se queixar de Nolan. O diretor oferece esse lado extremamente humano de Batman, essa ausência de superpoderes que é substituída por armas mirabolantes, tornando assim o personagem mais próximo do público, quase algo crível. O batmóvel aparece para arrepiar os fãs, com um estilo bem diferente daquele usual, quase um tanque de guerra. As lutas têm cortes bruscos demais, mesmo assim funcionam com precisão milimétrica na arte de entreter. Nolan se notabilizar por ums dos maiores criadoes de entretenimento do cinema atual. O clima dark de toda a narrativa oferece aos morcegos função  chave para o surgimento de Batman, mas pode representar o tom dessa criação autoral de Nolan.

umtirodemisericordiaState of Grace (1990 – EUA/RU) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Terry Nooan (Sean Penn) é um delinqüente juvenil que sumiu por uns tempos e volta a aparecer em seu antigo bairro. Lá ele procura um velho amigo, em busca de ajuda, após ter matado dois homens numa negociação de drogas. A proteção é oferecida pelo amigo desajustado Jackie Flannery (Gary Oldman), que faz parte de uma família mafiosa cujo líder é seu irmão, o frio Frankie Flannery (Ed Harris). Terry é bem aceito na gangue e começa a trabalhar em parceria com seu velho amigo. A volta às origens marca, também, o reencontro com seu antigo amor, Kathleen (Robin Wright), irmã de Jackie e Frankie.

Kathleen é totalmente contra ao estilo de vida dos irmãos, mas a paixão antiga bate forte em seu coração e, obviamente, vai parar nos braços de Terry novamente. Tudo parecia muito bem, até um dos dois homens “assassinados” (John Turturro em pequena participação) por Terry aparecer à sua procura. O roteiro pouco inspirado entrega ali o seu grande segredo, a reviravolta da história, colocando Terry num dilema entre amizade e a lei.

Talvez o fato mais relevante do filme ocorreu longe das telas, foi durante as filmagens que o casal Sean Penn e Robin Wright se conheceram. O diretor Phil Joanou esboça muita superficialidade em sua maneira de narrar máfia irlandesa enraizada em Nova York. Por exemplo, a cena de tiroteio no bar, onde os envolvidos trocam vários tiros, frente a frente, acertando apenas as garrafas, é um daqueles momentos péssimos do cinema! O show fica por conta de Gary Oldman (sempre ele) que transforma Jackie num excêntrico adorador de violência, sexo e bebida, mas com um sorriso inocente e cativante.