Posts com Tag ‘Gaspard Ulliel’

eapenasofimdomundoJuste La Fin Du Monde / It’s Only the end of the World (2016 – CAN) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Quanto falta para Xavier Dolan deixar de ser histérico? Não fosse isso, seu novo filme poderia ser bem mais interessante, mas o histerismo é mais forte do que o ainda jovem diretor. Lá está ele com novos diálogos à flor da pele, planos bem fechados nos atores, e cortes e mais cortes com conotação de grande intensidade. Fica tudo a ponto de explodir, mas diferente de um Segredos e Mentiras, são apenas todas as cenas assim, apenas todas, e desse excesso histérico que o que há de melhor escapa-lhe pelas mãos.

Louis-Jean (Gaspard Ulliel) vem visitar sua família, após doze anos só por cartas. A visita não é à toa, ele é um doente terminal, e vem contar seu drama à família. Lá encontra todos amargurados pela distância, em discussões intermináveis e recorrentes, que nada resolvem e muito machucam. Com mais sensibilidade, esse encontro de Nathalie Baye, Vincent Cassel, Marion Cotillard e Léa Seydoux poderia ser um filme não menos que inesquecível. Acabou sendo apenas estridente aos ouvidos.

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saint-laurentSaint Laurent (2014 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

É exatamente o que se poderia esperar de Bertrand Bonello, o cineasta francês, que tanto carrega o sexo como temática, mergulha nos anos mais agudos de vida de Yves Saint Laurent (Gaspard Ulliel), de 1967-1976. Não se aproximada da biografia quadradinha, que cobre os fatos de uma vida. Seu filme carrega a sensibilidade de tentar traduzir um pouco do gênio silencioso, vaidoso, tímido, e desenfreado por viver seus prazeres.

Nada melhor que transcorrer essa década, absorver a atmosfera do estilista feito, a relação com Berge (Jeremier Renier), as orgias, as fraquezas, o consumo desenfreado de drogas, as festas, o caso com Jacques (Louis Garrel) – grande responsável por Saint Laurent descobrir o lado mais “obscuro” de sua vida. E também as coleções, capturar pequenos detalhes da arte da custura.

Os últimos anos de vida surgem num salto cronológico, são cenas melancólicas, a tristeza do afastamento dos holofotes, a solidão. É a decadência social, pesada como a mobília dos luxuosos aposentos. É um filme para o público francês, ou para os que conhecem bem a figura de YSL. Mas, também, um filme que possibilita uma abordagem mais lúdica, evfervescente, que parte em busca da essência do biografado. Bonello e sua sofisticação traduz momentos em pura atmosfera, o sexo nem é tão escandaloso assim, está mais insinuado que efetivo, mesmo assim é uma arma poderosa em suas mãos.

Cena-chave quando Jacques conhece Saint Laurent, numa balada, um longo plano-sequencia em travelling lateral, capta o olhar de Jacques, a câmera atravessa a pista de dança até encontrar Saint Laurent no outro extremo, e vai, e volta, o olhar malicioso, a música tomando a pista, as pessoas dançando, vejo aqui o perfeito resumo do que é Bonello refletindo Saint Laurent.