Posts com Tag ‘Gena Rowlands’

umanoitesobreaterraNight on Earth (1991 – EUA/FRA/ITA/FIN) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A noite num táxi. Nos EUA, na Europa, em qualquer canto do mundo. Taxistas são grandes protagonistas de histórias. O cineasta Jim Jarmusch vai a 5 cidades diferentes, e com humor conta 5 histórias (possíveis ou impossíveis). Do taxista estrangeiro que ainda não aprendeu a dirigir, e vai no banco do passageiro durante as corridas, ao italiano que tanto fala que nem percebe que seu passageiro morreu em silêncio. A taxista que poderia virar estrela de Hollywood, ou aquele que transforma seus passageiros em ouvintes de suas desgraças.

Jarmusch trata da imigração, religião, crises familiares, preconceito, aborda diferentes culturas (americana, europeia, latina, africana). É uma forma de condensar o mundo, numa noite, num táxi. As histórias são dinâmicas e singelas, o humor negro se mistura com a fumaça dos cigarros e dos sotaques. É puro cinema, mas também um cinema meio-moleque, meio-imaturo, de quem não tem medo de errar e acertar, mas de apenas polir sua ideia e se divertir. Los Angeles, Nova York, Roma, Paris ou Helsinque, não importa onde estejamos, há sempre um táxi, numa noite qualquer, e infinitas possibilidades que podem surgir, de uma conversa a um acidente no semáforo.

Amantes

Publicado: fevereiro 19, 2011 em Uncategorized
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Depois de ter assistido praticamente a toda filmografia, meu filme preferido de John Cassavetes continua sendo: Noite de Estréia

Love Streams (1984 – EUA)

John Cassavetes une aqui dois desajustados, não seriam desajustados, apenas com emoções destrambelhadas. Dois irmãos quarentões problemáticos, que se agarram um ao outro, difícil é saber quem é capaz de ajudar quem nessa história. Ele solteirão divorciado, escritor, preenche sua solidão entre mulheres e algo perto da putaria, enquanto ela vive de arroubos emocionais que a afastam cada vez mais da família. São dois personagens por demais exagerados, tudo bem que toda a problemática psiquiátrica de Sarah (Gena Rowlands), porém o filme vai definhando na loucura de seus personagens a um ponto onde a razão já é algo tão distante daqueles dois corpos perdidos que a câmera parece captar a loucura em sua essência, mesmo que seja com um bando de animais refugiando-se dentro de uma casa que até dois dias atrás estava empestada de lindas mulheres. Algo não encaixa nessa dramatização toda.

Glória

Publicado: fevereiro 18, 2011 em Uncategorized
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Para muitos, John Cassavetes foi o pai do cinema independente americano, seus trabalhos como ator visavam principalmente a possibilidade de obter dinheiro para seus trabalhos como diretor.

Gloria (1980 – EUA)

O charme de Gloria é sua falta de charme. Gena Rowlands e seus cabelos loiros, na mão uma arma empunhada, no coração uma espécie de código de conduta (se prometi devo cumprir), não faz o tipo de mulher fatal, está mais para aquelas desbocadas e duronas, estereótipo perfeito para trabalhar no submundo. Querendo ajudar os vizinhos latinos cuja a família corre risco após o marido se envolver com a máfia, Gloria aceita cuidar do caçula, começa um jogo de gato-e-rato, onde Gloria sabe muito bem quais as artimanhas do adversário. É óbvio que um garoto sob os cuidados de uma estranha torna-se arisco, desobediente, ainda mais quem não tem filhos trata crianças de maneira mais áspera, isso tudo sob a condução de John Cassavetes torna-se um tempero interessante, quanto temos um thriller conduzido de maneira fluída e pungente onde a palavra de ordem chama-se determinação.

Assim Falou o Amor

Publicado: fevereiro 17, 2011 em Uncategorized
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Aproveitando para fazer uma mini-especial Cassavetes, com três dos filmes dele.

Minnie and Moskowitz (1971 – EUA)

Ela cansada do relacionamento com um homem casado, curadora no museu onde trabalha. Ele com seus longos cabelos loiros (isso sem falar no bigode) trabalha em estacionamentos com seu estilo despojado e irreverente. Nada em comum, uma confusão na porta de um restaurante, ele insiste e ela se apaixona. Nasce um relacionamento que John Cassavetes esforça-se a emplacar ao público com uma única vertente em comum, a paixão dos dois por ver filmes de Bogart no cinema. Por mais que as interpretações sejam puras e cativantes e Cassavetes sabe como poucos o que fazer atrás das câmeras, falta, falta o amor que o filme tanto quer pregar entre pessoas tão diferentes. A relação conturbada, desejo latente dos dois de exterminarem a solidão, nada se equivale em tão pouco tempo à relação tão explosiva e forçada desse casal desequilibrado.