Posts com Tag ‘Gene Hackman’

operacaofrancaThe French Connection (1971 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Buddy Russo (Roy Scheider) é a personificação do parceiro fiel, sabe que seu companheiro é quem brilha, e não se importa com uma posição “coadjuvante” na dupla. Enquanto Popeye (Gene Hackman) se faz presente nos ambientes, fala grosso, violento e ofensivo, faz questão de ser notado (praticamente um xerife). Seguindo o faro policial, os dois caem numa investigação envolvendo uma quadrilha de traficantes e um grande carregamento, oriundo da França, capitaneado por um distinto cavalheiro (Fernando Rey).

A tantas, após muitas cenas de vigilância, de investigação, há a cena de perseguição entre um carro e um bandido dentro de um vagão de metro, que é, literalmente, de tirar o fôlego por seu realismo impressionante. Toda a sequencia é de uma intensidade incomparável, primazia de William Friedkin numa direção notável, e da alucinante atuação de Gene Hackman que nos faz delirar frente ao volante daquele carro desgovernado. Sua obsessão pela captura praticamente o cega para carros pela rua, mulheres com carrinho de bebe atravessando à sua frente e a ansiedade de chegar tão logo à próxima estação.

Ainda que a sequencia seja antológica, Friedkin conduz a trama pelos clichês do gênero sem que nos demos conta deles, tamanha sensação de controle da história, de veracidade, de filmagem ao vivo de fatos reais por meio de tomadas engenhosas e uma paciente da condução da história que troca segredos pela imposição de sua veia policial nata.

The Royal Tenenbaums (2001 – EUA) 

A consagração em seu terceiro longa-metragem. Wes Anderson já havia sido bem recebido pela critica com Três É Demais (Rushmore), e agora repete os elogios e conquista seu púbico com essa excentricidade dominante. Desde o formato dividido em capítulos como num livro, passando por seus personagens esquisitos, mórbidos e desembocando no humor negro, e num certo grau de ousadia do roteiro co-escrito por Owen Wilson, sempre a excentricidade como figura capital.

No centro de uma familia de prodígios está o patriarca inescrupuloso, o advogado Royal Tenenbaum (Gene Hackman). Os três filhos, um deles adotivo, demonstram talentos natos para as finanças, artes ou esportes, quando crianças. Após ser desmascarado pela família, Royal é obrigado a deixar a casa e se afastar. Mais tarde, completamente falido, descobre que sua esposa Etheline Anjelica Huston) pretende casar-se com o contador. Royal planeja retomar seu lugar na família, inventando uma doença terminal, e desse modo, acabando também com seus problemas financeiros.

A genialidade infantil foi perdida entre problemas familiares e desencontros amorosos, cada um a seu modo, vive amargurado, solitário, ou melhor… perdido. Aquela capacidade precoce foi canalizada para uma tristeza explícita e cíclica. Wes Anderson imprime, com muita personalidade, o astral de seus personagens, vai além disso, todo o pesar e sofrimento são ressaltados com maquiagens, cores de móveis e paredes, direção de arte em sintonia total com a melancolia presente. O humor negro, Anderson descontrói o mito do american way of life, de maneira caricata e abusivamente esquisita.

Gene Hackman brilha, apoiado num elenco de peso, em atuações sob medida ao tipo de cinema que Anderson tenta criar. Mas é uma narrativa calcada numa visão tão nerd de mundo, numa simetria estética que se contrapõe as cores berrantes. Vale, além da corrosiva critica à sociedade americana, a questão dos problemas psicológicos encontrados em  talentos infantis que não se concretizam quando adultos. São inúmeros os casos de adolescências perturbadas e brigas entre familiares gananciosos. Macaulin Calkin está aí para não me deixar mentir.

FIRM, THE, Wilford Brimley, Tom Cruise, 1993

The Firm (1993 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Houve uma época de uma febre de filmes baseados nos livros de suspense policial, envolvendo advogados e júris, do escritor John Grisham. Sob a direção de Sydney Pollack, o best-seller sobre ética profissional não passa de um típico produto do cinema de Hollywood da década de 90, quando este tipo de suspense criou astros e marcou grandes bilheterias. A previsibilidade do roteiro, desfechso mirabolantes, sempre conectados com narrativas de prender a atenção marcaram o gênero na época e Pollack não conseguiu desvencilhar-se desse movimento.

Quando dois advogados morrem, misteriosamente, em um acidente com um barco em Cayman, é que o promissor récem-formado advogado, Mitch McDeere (Tom Cruise), descobre as verdadeiras facetas da firma (câmeras os observando, telefones grampeados, chantagem) que parecia preocupar-se tanto com o bem estar de seus funcionário, pregando a estabilidade, apoiando os casais a terem filhos, e mantendo a inabalável estatística de nenhum funcionário divorciado.

O FBI investigando os donos da firma, acusados de lavagem de dinheiro. Mitch é forçado a roubar provas, em troca de sua proteção, e da liberação de seu irmão que está preso por homicídio. Entra em cena a discussão da ética, do juramento de advogado, frente a própria sobrevivência. A dúvida ética é logo substituída pelo thriller de ação e perseguição, tão presentes nos livros de Grisham.

 

opoderabsolutoAbsolute Power (1997 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

E se você presenciasse um assassinato? E se o envolvido fosse do alto escalão do governo? Delicado, não? Mas, e se você estivesse assaltando o local na hora do crime? Eis a premissa proposta pelo filme de Clint Eastwood. Luther (Clint) é um assaltante que há tempos não atua, até que decide entrar na casa do magnata Sullivan (E G Marshall). O assalto corria bem, mas Luther ouve barulhos de um casal e se esconde no cofre. O casal era formado pela esposa do magnata (Melora Hardin), e Alan (Gene Hackman), ninguém menos que o presidente dos EUA. Começam uma discussão que acaba em agressão, os seguranças do presidente, assustados, invadem o quarto e disparam. Clint transforma Luther num assaltante-mártir após assistir um discurso do presidente na TV, ficando revoltado contra a injustiça e impunidade. Exagera nesse lado bonzinho, nessa ânsia pelo correto, enquanto o roteiro cria uma rede de policiais e estratégias para incriminá-lo. O resultado é bem banal, e até difícil de engolir.

umlancenoescuroNight Moves (1975 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

É difícil analisar os filmes mais antigos, muitas vezes histórias que foram inovadoras na época podem estar saturadas agora. Atrapalhando assim nossa percepção inexperiente. Também é muito difícil pensar hoje, em como o filme foi visto na época. Um Lance no Escuro soa como um típico filme policial, sem nada de especial, com situações inverossímeis e pretensamente desconexas.

Harry Moseby (Gene Hackman) é um detetive particular, vivendo crise conjugal, após descobrir que sua esposa Ellen (Susan Clark) está lhe traindo. Ele é contratado para encontrar o paradeiro de uma garota de dezesseis anos (Delly – Melaine Griffith) que desapareceu há duas semanas. A mãe da garota é uma ex-atriz de segunda, famosa por seus casos extraconjugais, vivendo da pensão do ex-marido que é vinculada à guarda da garota.

Rapidamente Harry descobre o paradeiro de Delly, na casa de seu padrasto, e tenta de todas as formas convencê-la a voltar para casa. Enquanto isso, Harry se interessa pela bela Paula (Jennifer Warren). Convencida a voltar, Delly sofre um estranho acidente. Harry não descansará até descobrir o culpado pelo acidente, enquanto enfrenta as crises de sua vida conjugal. Dirigido pelo prestigiado Arthur Penn, a alma do filme é Gene Hackman. Impressionante sua habilidade em cena.

oespantalhoScarecrow (1973 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Dois desconhecidos correndo atrás de carona, bela abertura para o filme. Max (Gene Hackman) ficou seis anos na cadeia e agora pretende abrir um lava-rápido. Lion (Al Pacino) é um jovem marinheiro, que passou cinco anos no mar, deixando sua namorada grávida, e agora pretende conhecer seu filho e reatar com ela. Procurando carona os dois se conhecem na beira de uma estrada, por muita insistência de Lion tornam-se amigos. Desempregados e sonhadores, o encontro de dois losers. O diretor Jerry Schatzberg cria um paralelo entre os dois sujeitos comuns e um espantalho, tratados de forma alheia pela sociedade. Ainda mais corrosivo pela percepção de Lion de espantalhos, sob sua visão os corvos o consideram engraçado e não atacavam a plantação.

Lion ce seu jeitão bem-humorado cativam lentamente o durão Max, que lhe oferece sociedade no tal lava-rápido. Partem num road movie por Detroit e outras cidades dos EUA, entrando em encrencas e trazendo um pouco dos rincões americanos. É um filme sobre gente carente, com ótimas atuações e cenas incríveis como a conversa de Al Pacino com um bêbado ou o striptease de Gene Hackman no bar.