Posts com Tag ‘George Clooney’

Suburbicon (2017 – EUA) 

Curioso que Matt Damon esteja, no mesmo ano, em duas produções tão questionáveis, de cineastas consagrados, e que se passem em comunidades perfeitas para o sonho americano, e ambos com estreia mundial no mesmo festival. Pequena Grande Vida (de Alexander Payne) ainda vem ai, enquanto isso temos em cartaz esta nova comédia de humor negro, de George Clooney, com roteiro dos Irmãos Coen.

Suburbicon é um desses modelos perfeitos do american way of life dos anos 50, uma comunidade em que as casas não tem muros, o gramado bem cuidado e as famílias vivem em harmonia. Adicionando a questão racial, porque o ambiente perfeito é confrontado com a chegada de uma família negra no local. Os moradores protestam, fazem manifestação na casa do tipo de pessoas das quais eles tentaram fugir em Suburbicon.

Na casa vizinha, a verdadeira da trama ocorre, onde a família de Gardner Lodge (Damon) sofre as consequências da invasão violenta de bandidos em sua casa. Filho (Noah Jupe), esposa (Julianne Moore), e cunhada (Moore também) amordaçados, insultados, agredidos. Dai em diante, o roteiro tenta nos convencer da verdadeira personalidade de cada um dos personagens, um jogo de sordidez, golpes meticulosamente planejados e consequências tardias.

O todo sofre da mesma ingenuidade de seus personagens, e a comédia de erros soa frágil enquanto tenta se camuflar na panela de pressão racial prestes a explodir na casa ao lado. Caricaturas incongruentes e exagero de situações que tentam perpetuar toda a proposta do universo de personagens que os Coen consagraram no cinema (se bem que não é a primeira vez que não funcionam bem), enquanto isso, Clooney parece mais preocupado com o cacoetes desses personagens, do que em dar uniformidade ao seu filme.


Festival: Veneza

Mostra: Competição Principal

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Hail, Caesar!Hail, Caesar! (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A nova comédia dos Irmãos Coen é mais um filme sobre a indústria cinematográfica de Hollywood. Eles já foram muito bem sucedidos no tema com Barton Fink, mas dessa vez voltam muito mais irônicos numa espécie de provocação aos áureos anos 50 dos estúdios de cinema. É interessante como os Coen são capazes de reunir todas as suas características, como se fosse um breve resumo da carreira, englobando desde a série de comédias, até os personagens mais “interioranos” (Alden Ehrenreich como ator chulo de westerns é a melhor coisa do filme) e, como em outros de seus filmes, personagens sequestrados. Só a violência fria e calculada passa longe dessa vez, substituída por esse humor de deboche.

A trama central tem um executivo (Josh Brolin) responsável por fazer com que as filmagens funcionem. Ele trata dos egos das celebridades, acompanha dia-a-dia de orçamentos e filmagens, participa do casting, e usa métodos que forem necessários para tudo transcorra bem. Nesse dia, um dos astros (George Clooney) é sequestrado por um grupo Comunista.

Desse plot, os Coen criam uma série de coadjuvantes e subtramas, que funcionam como esquetes de humor. A somatório é irregular, mas tem seus momentos imperdíveis (como a curta cena com Frances McDormand ou a apresentação musical com Channing Tatum). O conjunto unificado das esquetes não dá um filme redondo, principalmente porque os personagens centrais (de Brolin e Clooney) soam frios à plateia, burocráticos dentro da narrativa. Além, é claro, que muitas das piadas ou inserções parece que funcionaram melhor na cabeça dos criadores do que em sua realização. O lançamento do filme, no Festival de Berlim, já era indício de que este seria um filme menos inspirado, afinal, os Coen teriam lugar garantido em Cannes, e mais ainda na corrida a qualquer Oscar.

cacadoresdeobrasprimasThe Monuments Men (2014 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Quando nos damos conta de mais um filme com George Clooney e sua trupe tem-se a impressão de algo estilo Onze Homens e Um Segredo ou Bastardos Inglórios. Aquela sensação de que os atores estão se divertindo mais ao gravar do que o público em assistir (não que o público não se divirta). Mas não é bem assim nessa nova incursão de Clooney pela direção. Sua motivação aqui são grandes temas, um resgate do cinema dos anos 40, aquele que tem o herói John Wayne e uma trilha sonora animada que beira o patriótico.

Plena Segunda Guera Mundial, os aliados encurralando Hitler, eis que surge uma equipe de oito bravos homens dispostos a dar a vida em prol de resgatar e proteger as obras de arte de Michelangelo, Picasso e etc, que foram roubadas pelos Nazistas. Vamos salvar a arte, e isso é assunto sério, então Clooney não pode ficar com piadinhas. O pouco do alívio cômico ou está entregue no trailer (Matt Damon pisando na mina) ou fica a cargo de Bill Murray. Mas é pouco, quase nada, Clooney queria mesmo resgatar a áurea de bravos soldados numa causa nobre, e meteu os pés pelas mãos.

JJ_Abrams_Set_Star_Wars• A abertura da próxima edição do Festival de Berlim será com Wes Anderson e seu Grand Budapest Hotel [Deadline]

• Quem também estará em Berlim, com filme novo, é George Clooney dirigindo The Monuments Men [Deadline]

• Star Wars VII ganhando corpo, o diretor J. J. Abrams soltou uma foto, via Twitter, do querido R2-D2 [Rolling Stone]

• O filme coletivo Rio, Eu Te Amo está saindo, aqui artigo com informações do elenco dos curtas, sinopses e algumas fotos [AdoroCinema]

• Azul é a Cor Mais Quente, trailer legendado de um filmes mais aguardados do ano, vencedor da Palma de Ouro [AdoroCinema]

• Michael Fassbender e Marion Cotilard em adaptação de Macbeth, aguardem [Vanity Fair]

gravidadeGravity (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A solidão e a luta pela sobrevivência no espaço. Talvez, desde 2001: Uma Odisséia no Espaço, não se via sequencias, no espaço, tão magníficas. O Planeta Terra, pelos olhos dos astronautas (Sandra Bullock e George Clooney) é de uma imensidão azul fabulosa, hipnótica. Alfonso Cuarón se preparou para realizar um filme para marcar época, se tornar referência em tecnologia, e realmente o fez. Para isso, foram desenvolvidas técnicas de filmagens específicas, um aparato técnico que ajudará o desenvolvimento do cinema.

Numa das cenas, o público vê o espaço, estações espaciais, e tudo mais, por dentro do capacete de astronauta. Essa não é a única forma de simular imersão que Cuarón e se equipe conseguiram desenvolver, a sensação de presença no espaço é forte, como se saíssemos flutuando a qualquer instante. Um fato inesperado, a luta (ou escolha) pela sobrevivência, Cuarón não escapa da tentação de dramatizar, uma pena.

Ao transformar o espaço sideral num terapeuta infinito, onde, alguém desequilibrado emocionante, busca luz, uma válvula de escape, ou, simplesmente sobreviver longe da realidade, dá espaço ao roteiro para cenas melodramáticas, trilha sonora típica e a polarização do suspense nesse drama apostilado (made in Hollywood). Segue visualmente lindo, mas, a superação – não pela situação em si, mas por um bem maior, ligado ao drama pessoal da personagem de Sandra Bullock, é artifício barato capaz de desperdiçar o acontecimento cinematográfico que o filme parecia construir.

The Descendants (2011 – EUA)

Alexander Payne não precisou de uma carreira extensa para fixar seu nome entre os destaques do cinema atual, principalmente seus últimos filmes são comédias dramáticas misturando humor (de bom ma gosto) com altas doses de melancolia dos personagens centrais (As Confissões de Schmidt e Sideways). Ambos são quase road movies, e neste novo trabalho a proposta é muito semelhante. Não temos um aposentado cruzando os EUA, nem uma despedida de solteiro pelas vinícolas californianas, mas uma ir e vir pelo Hawaí.

No filme, um advogado (George Clooney) se vê em situação delicada quando a esposa sofre acidente grave e corre grande risco de não sobreviver. De um pai ausente, para o único responsável pelas filhas, o sujeito percebe que não sabe o que fazer nessa posição de pai-mãe. Mas, o roteiro não está interessado nisso exatamente, e sim em manter essa fórmula de divertir usando a melancolia, o drama, por isso vem o personagem do garoto boboca, e outras pequenas situações (como a procura incessante pelo corretor de imóveis) para divertir e aliviar a tensão do público.

Diferentemente dos filmes anteriores, o teor dessa melancolia não encontra o ponto certo, a toda hora o filme busca cortes para paisagens magníficas hawaianas (e trilha sonora também típica da região), flerta com a comédia dramática na decisão dos primos de vender um patrimonio “histórico” familiar, um turbilhão de acontecimentos enquanto o homem quer apenas sofrer sua possível perda e aprender a lidar com suas filhas. No fligir dos ovos, Payne apresenta um filme irregular, que brinca além da conta com coisa séria e leva menos a sério o que deveria, mais um exemplar dos personagens dos filmes indies americanos, aqui sem o excessivo poder loser, ainda assim um pouco além da conta. Ainda assim, há a cena final, simples, corriqueira, silenciosa, e basicamente graciosa.

The Ides of March (2011 – EUA)

Não tente entender como funciona a estrutural eleitoral nos EUA, quanto mais os anos passam, mais voce descobre que a complexidade é muito maior do que um simples leitor de notícias possa compreender. Tendo isso em mente, viajemos com o sempre engajado politicamente, George Clooney, em alguns dos meandros políticos. Aqui partimos das prévias para se escolher o candidato Democrata ao governo do país, o próprio Clooney é um desses candidatos, mas a trama está nos bastidores, nos assessores que fazem toda essa estrutura andar.

Negociatas, acordos, jogo de interesses, vazamento de informações à imprensa, as cartas são as mesmas, joga quem melhor souber utilizá-las, o foco surge do assessor de imprensa novato (Ryan Gosling), um idealista que acredita que pode fazer política apenas por princípios, mesmo entre raposas (como os personagens de Philip Seymour Hoffman e Paul Giamatti). Clooney mira diretamente em seu alvo (sem deixar de realizar um belo trabalho de direção, com uso de muitos planos-fechados, de sensualidade em algumas cenas), critica a política de forma geral, no caso dos Republicanos é contundente, mas não evita os escândalos entre seus queridos Democratas (é o ruim com eles, pior sem eles). Sua visão, parcialmente, otimista traz astucia a seu personagem, faz o público vibrar com artimanhas e estratégias, até mesmo com a manutenção de princípios (meio porcos), é filme para lotar salas de cinema, com elenco de peso, com força de tema universal e vitória garantida, mesmo que haja peso excessivo na pele desse coiote.