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American Graffiti (1973 – EUA)

George Lucas resume a geração jovem dos anos 60 numa única noite. Numa cidade da California, garotos e garotas perambulam por lanchonetes, paqueram nos semáforos, buscam aventuras, dançam no baile, é a efervescência dos hormônios, sem grande compromisso. A fase em que esses jovens devem deixar suas casas, e sua pacata cidade, e partir rumo à universidade, ao mundo gigante e desconhecido que os farão maduros (longe do convívio diário dos pais e amigos de sempre). Lucas oferece uma noite deliciosa e tola, com uma edição ágil e crucial à estrutura dinâmica de várias histórias se entrecruzando a todo o momento, há rachas, muita paquera, gangues, términos de relacionamento e muita azaração. A trilha sonora de clássicos (por exemplo, The Platters), o zigue-zague entre romantismo e galinhagem, praticamente um percussor de John Hughes, num carrossel de personagens e desencontros.

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starwars_epsisode3Star Wars: Episode III – Revenge of the Sith (2005 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Ainda que meio torto, por “n” motivos, nada tira o mérito de encerrar com dignidade, a mais bem sucedida saga cinematográfica de Hollywood. George Lucas usou como desculpa a tecnologia precária à época (anos 70) para filmar a história do meio para o fim, e só duas décadas depois, retomar ao início a saga. A estratégia não cronológica rendeu um dos maiores segredos do cinema, finalmente revelados: a origem de Darth Vader, Luke Skywalker e Princesa Leia. Com esse artifício, Lucas cultivou segredos, construiu a imagem de seu temível vilão, e levou Star Wars a esse fenômeno avassalador.

As seqüências de ação não nos deixam respirar. Os poucos momentos de descanso ao público são nas cenas, a sós, entre Anakin (Hayden Christensen) e Amidala (Natalie Portman). De resto são lutas nos mais longínquos planetas, batalhas espaciais e duelos com sabre de luz com os mais diversos participantes. Adrenalina pura. Todo o foco voltado na transformação de Anakin em Darth Vader. Se na interpretação, até consegue ser convincente, os motivos não chegam ao indiscutível. O desejo de poder colabora, mas Lucas escolheu o amor como forma de levar o jovem Jedi ao lado negro da força, simples e eficaz. Encontrar pequenos defeitos não é tarefa das mais difíceis, o desenvolvimento comprometido de Amidala, a pressa atropelante em fechar algumas arestas, a forçada de barra em algumas cenas, são inúmeros casos.

Enquanto Obi-Wan (Ewan McGregor) e Darth Vader duelam num planeta imerso em lava vulcânica, Yoda enfrenta Lorde Sidious numa batalha eletrizante, eram momentos como esses que os fãs da saga esperavam ansiosamente, nada daquela coisa mecânica de lutas coreografadas. George Lucas, enfim, resgatou um pouco do espírito dos filmes anteriores, o romantismo dos combates, a emoção dos confrontos entre espaçonaves, os duelos esgrimistas “com a faca entre os dentes”, e importânicia da disputa política e a sedução pelo poder.

Ao final, toda a história passa rapidamente pela cabeça, os seis episódios formam um compêndio altamente apaixonante. Ver a máscara preta sendo usada pela primeira vez causa emoção. Darth Vader talvez seja o grande vilão do cinema, comovido pelo amor, pela relação familiar, e ainda assim tão temível a ponto de descartar qualquer um.

starwars_episode2Star Wars: Episode II – Attack of the Clones (2002 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

E a saga intergaláctica continua. Dez anos se passaram, o jedi Obi-Wan (Ewan McGregor) é o mestre responsável pelo aprendiz Anakin Skywalker (Hayden Christensen), Padmé Amidala (Natalie Portman) agora é senadora da República. No enredo político, intrigas, exércitos secretos de clones e uma forte movimentação separatista contra a República dão a tônica que desemboca em Amidala sofrendo constantes atentados, ao ponto de Anakin e Obi-Wan serem designados a protegê-la.

Aparentemente o diretor George Lucas não tem a menor preocupação com o lado dramaturgico de seu filme, impressão é de tamanho fascinio pelo apuro técnico. Com isso, as cenas transcorrem mal elaboradas, preguiçosamente filmadas, como se Lucas quisesse chegar rapidamente ao que interessa.

O lado romântico lembra as novelas brasileiras, são cenas de planos curtos, falas rápidas e finalização apressada, completamente ausentes de emoção. Não que os atores sejam muito culpados, Hayden Christensen bem que tenta alternar doçura e maquiavelismo, Natalie Portman é uma menina de talento. Só que Lucas filma suas cenas, que não são poucas, como filma os embates com sabres de luz.

E o filme insiste, Anakin vai atrás da mãe, o roteiro tenta explicar o comportamento que será firmado no derradeiro filme, porém, de tão mal acabadas, as seqüências não causam espanto, fúria, não causam nada. E pior ainda, os momentos que deveriam ser empolgantes, com os grandes embates, estão escondidos pela pomposa utilização dos recursos técnicos. Sequencias coreografadas e pouco apaixonantes, ficou fácil matar um jedi.

Quase no final do filme aparece alguma luz acalentadora, Yoda demonstra sua agilidade com o sabre de luz, finalmente o esperado momento glorioso aparece. Talvez falte ao filme humor, Jar Jar é mero coadjuvante, os robôs pouco espaço têm. São esses detalhes que fizeram da saga, algo fora dos padrões, se tornando a maior franquia do cinema. A dúvida entre ser Jedi, e se apaixonar. Os sonhos que perturbam a cabeça de Anakin. A tristeza pelos ocorridos com a mãe são pouco até aqui para Darth Vader. Os dois primeiros episódios dessa nova trilogia não fazem jus à saga.

starwarsIStar Wars: Episode I – The Phantom Menace (1999 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

E aguardadíssimo retorno da saga Star Wars, a mais poderosa franquia do cinema. Há tempos que o primeiro filme da série havia sido numero como IV, portanto havia uma trilogia a ser filmado, que contasse o antes. Em entrevistas, George Lucas disse ter preferido alterar a ordem porque imaginava que a tecnologia dos anos 70-80 não lhe daria o suporte desejado. Finalmente chega a hora de retomar a saga, e entender de onde surgiu a lenda Darth Vader.

A história é sempre a mesma, algum plano mirabolante, de um grupo, para invadir e dominar outro grupo (ou planeta). Aqui a Federação impôs um bloqueio ao planeta Naboo, e o senador Palpatine (Ian McDiarmid) finge proteger Naboo e a Rainha Amidala (Natalie Portman), quando é um dos líderes da invasão. Entram em cena Jedis para proteger Naboo, e um jovem garoto escravo, Anakin Skywalker (Jake Lloyd), piloto de corridas de pod, que o destino faz ajudá-los nessa empreitada. Qui-Gon Jinn (Liam Neeson) sente uma presença forte da Força no garoto, ele pode ser o escolhido, aquele que trará equilíbrio e passa ser treinado nas práticas Jedi.

E o resultado é a dominação dos efeitos especiais. Depois da burocrática iniciação da trama, com acordos comerciais e explicações demais, o filme vive apenas das possibilidades que os efeitos oferecem. Os personagens não são nada carismáticos, a trama infantilizada. Sobrevive da sombra da saga, funcionando como trampolim para os dois próximos filmes. A corrida de pod é um dos momentos melhores, porém é a luta dos Jedis, contra Darth Maul, e seu sabre de dois lados, o grande momento deste filme decepcionante.