Posts com Tag ‘George MacKay’

capitaofantasticoCaptain Fantastic (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Vivemos o boom da informação, uma rápida busca no Google e Youtube e já se consegue ser especialista em assuntos até então desconhecidos, todas as respostas possíveis estão acessíveis. Nesse aspecto, criar filhos se tornou a arte obrigatória da superproteção vide cartilhas espalhadas em sites, revistas e cursos especializados. Já ultrapassaram os limites do neurótico, e em breve saberemos qual o futuro dessa geração tão superprotegida de todos os germes, males, e cobertas das mais perfeitas técnicas de educação familiar.

O diretor Matt Ross (premio de melhor direção na Un Certain Regard) tenta propor a quebra radical dessa equação. O Capitão Fantástico é John (Viggo Mortensen), pai de seis filhos que junto da esposa decidiram abandonar as regras da sociedade e criar suas crianças do seu jeito, no meio da floresta. Alfabetizados pelos pais, com acesso restrito ao convívio com outros humanos, e sob rígidos cursos familiares, a família se posiciona entre o militar e o hippie.

Metade do filme posiciona as vantagens do conhecimento adquirido, muito acima da média, pelos filhos. Até, finalmente, apresentar o elemento conflitante do roteiro, e pouco-a-pouco apontar asa fragilidades do conceito. O discurso de uma esquerda radical se perde exatamente em conceitos morais elementares, e o roteiro não se sustenta bem além de uma aventura liderada por um teimoso dono da razão. É pouco para o frisson causado em Cannes.

paraaquelesemperigoFor Those in Peril (2013 – RU) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Quando um jovem (George MacKay) é o único sobrevivente de um naufrágio, a pequena cidade escocesa se vira contra ele, acusando-o e renegando-o ao convívio em sociedade. Automaticamente, Aaron se transforma num perturbado, dividido pela perda do irmão (no mesmo naufrágio) e o distanciamento da vida em comunidade. Dúvidas pairam sobre o que haveria ocorrido naquele barco, acusações, de sobrevivente a vilão.

A direção de Paul Wright tenta ser sufocante, o garoto cada vez mais enlouquecido, solitário, perturbado. Como sobreviver a tamanha pressão e negação? Pouco a pouco o filme se transforma em ferramenta para MacKay mergulhar seu personagem na loucura, Wright não consegue fazer seu barco (filme) sair do lugar, sua estrutura é a própria ancora que o mantém preso, incapaz de qualquer movimento. Até naufragar no tédio, muitas falas desconexas e muitas cenas abstratas.

howilivenowHow I Live Now (2013 – ING) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Adaptação de Kevin MacDonald, do best-seller, escrito por Meg Rosoff, sobre um romance, em meio a uma suposta Terceira Guerra Mundial. É intrigante imaginar nossa vida atual em tempos de guerra, não só sem eletricidade, mas com cidades como Londres e Paris sendo tomadas, as pessoas tendo que viver sob confinamento, ou trabalhando em áreas militares. Mas, não é esse o interesse do diretor, ele procura uma história sobre a força do amor, quem se guiar pela sinopse cairá numa armadilha.

Trata-se de uma adolescente (Saiorse Ronan) metida a roqueira rebelde que vai parar na casa dos primos no interior da Inglaterra, se apaixona por um deles (George MacKay). MacDonald transforma essa menininha mimada em heroína (Ronan quase reedita seu papel no péssimo Hana). Das doses de romantismo às cenas de perseguição, tudo está impregnado por essa necessidade de amor além das fronteiras, uma amor contra uma guerra. Por mais que seja bem narrado, é um disparate tão sem noção, um exagero cinematográfico de proporções que praticamente eliminam a guerra e o tornam a saga de uma jovem em busca de reencontrar seu amado.

blog-welcomeDe férias pelo Canadá, não seria possível resistir à tentação de conhecer o TIFF (Festival de Toronto de Cinema), que a cada ano vem se popularizando e se tornando plataforma de lançamento nos EUA para os filmes que serão protagonistas no Oscar.

Os festivais simultaneos Toronto, Veneza e Telluride são o pontapé inicial. Vencer Toronto não é representativo, as Gala Presentations são os verdadeiros focos aqui. Afinal, o TIFF é, basicamente, um festival como o do Rio ou a Mostra SP, de exibição de filmes que correram outros festivais ao longo do ano. Tanto que o premio principal é a escolha do público.

blog - apresentador

Desde os primeiros passos pela cidade ja se é surpreendido por sinais da presença do TIFF, seja nas sacolas dos usuários de metro, nas camisetas laranjas dos voluntários, ou nos cartazes espalhados por cada canto.

O primeiro destaque é pela grandiosidade do festival. Toda fila é gigantesca, toda porta de cinema tem milhares de pessoas. As filas cruzam quarteirões. Na avenida onde ficam as principais salas (Av King) o transito é fechado, dependendo do porte da celebridade. O povo se amontoa na grade, e, a qualquer sinal, da chegada de alguma estrela, começa a guerra de flashes e gritos.

 DSC00404

Essa aproximação com celebridades desse porte é empolgante, afinal, quem não quer dar uma olhadinha, mas longe de ser o melhor da diversão. Sentir o burburinho do público, todos bem vestidos, aquela sala de cinema enorme, a projeção impecável em digital, despertam uma admiração pela estrutura em si, mas principalmente pela magia do cinema que permanece vibrando em cada um que por ali está.

scarlett

Minha sessão inaugural (já com o TIFF em sua metade) foi com a Special Presentation do filme Don Jon, no grandioso Princess of Wales (2000 lugares, teatro usado para musicais, exibido num digital impecável), onde se pode comprar um refrigerante e uma pipoca murcha por 6,00 dólares canadenses.  A diferença entre Gala e Special Presentation é que na Gala é o lançamento mundial, enquanto o Special é o lançamento para mercado da América do Norte.

Marca a estreia na direção de Joseph Gordon-Levitt, e no elenco Scarlett Johansson e Julianne Moore. Se a Julianne não apareceu, Scarlett foi ovacionada na rua, no cinema, em todos os lugares.

blog - scarlett josephA dupla apareceu antes e depois da sessão, Scarlett trançava as pernas no palco (como pode ser visto na foto abaixo), não desenvolve bem seu discurso, sem as falas decoradas, repetindo “you know”, com sotaque nova-iorquino, a cada 5 segundos.

Já o dono do filme, Gordon-Levitt, estava à vontade, respondendo perguntas e falando, sério, de uma comédia tola e divertida sobre o Don Juan da atualidade que troca flores por pornografia.

blog-scarlett legsGordon-Levitt falou da influencia de Nolan e Spielberg (diretores com quem trabalhou recentemente), da insegurança de pensar numa história e acreditar que ninguém vai se interessar por ela, ou que já foi contada. Além, é claro, da tietagem, das perguntinhas que tentar conectá-lo ao personagem, coisas do tipo.

No fim, aquele povo todo elegante, caminhando pelas ruas a caminho de restaurantes, ou do metro, Toronto fervendo numa noite de terça-feira.

blog-saoirse riNo dia seguinte a sessão era mais comum, do diretor Kevin MacDonald, com os atores Saiorse Ronan e George Mackay como os protagonistas desse romance no meio da Terceira Guerra Mundial. Um cinema menor (Bloor Hot Docs Cinema), longe do circuito central, ainda assim casa cheia.

Ao final da sessão o casal de atores aparece para perguntas, estrelas simpáticas e cativantes enquanto respondiam sobre seus personagens, o livro, as influencias do diretor e alguns aspectos como filmar em meio de florestas por algumas semanas.

blog-saoirseÉ o primeiro grande papel de Mackay, meio acanhado na frente do público, já Saiorse tem feito filmes de  grande envergadura, sempre trabalha bem em filmes ruins (infelizmente), e, ali, na frente de todos fica super à vontade, como se recebesse a todos na sala de sua casa.

blog-roy thomsomO terceiro capítulo foi a Gala Presentation de uma comédia dirigida por Joel Hopkins, com Emma Thompson e Pierce Brosnan. O cinema era o espetacular Roy Thomson Hall (foto acima), a sala reservada para as apresentações de gala, por isso, já deu para ter uma idéia do tamanho daquele lugar (2630 lugares), num misto de luxo e modernidade.

blog-pierce emma

Foi uma rápida apresentação, o diretor abriu com algumas palavras de agradecimento ao público. Brosnan é exatamente o que se espera dele: classe, elegancia, porte e simpatia. E Emma Thompson roubou a cena, entrou por último, aparetemente caiu saindo do backstage, e por isso desistiu do salto alto. Entrou descalça em um dos pés, causou tantas gargalhadas que ninguém sabe o que mais ela falou, o público já estava conquistado. Mais um pouco de risadas, e lá foi ela interpretando no palco a personagem do filme, aliás comédia pastelão (com P maiusculo).

PS: fotos de @crislumi