Posts com Tag ‘Geraldine Chaplin’

oquartoproibidoThe Forbidden Room (2015 – CAN) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

E as loucuras de Guy Maddin, dessa vez divide a assinatura do filme com Evan Johnson, ataca novamente. O canadense que revive os primórdios do cinema mudo e preto e branco, cheio de texturas e efeitos visuais que dão impressão de um filme centenário, está de volta com uma de suas maiores viagens.

E na questão ousadia, longe que este é o que vai além desse conceito. Com uma geleia mortal dentro de um submarino, e uma dezena de filmes-dentro-do-filme, que une diversos atores e outros nomes famosos do cinema mundial (como Jaques Nolot, Geraldine Chaplin, Charlotte Rampling, Maria de Medeiros ou Mathieu Amalric), o roteiro extrapola os limites do racional, sem dó e nem piedade do público.

A dupla de diretores está mais interessado em brincar com iluminação, texturas, colagens e sobreposições, e a diversidade de filtros que transformam ssistir numa experiência quase sensorial. Dessa vez os personagens tem falas, uma das sequencias é quase um musical. Há ainda um humor peculiar, meio escroto, meio deboche, é tudo over. O exagero fantasioso, a radicalidade nas propostas anárquica, Maddin foi muito além e o excesso nunca é benéfico.

wanttogohomeI Want to Go Home (1989 – FRA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Alain Resnais sempre tentando incorporar outros tipos de arte aos seus trabalhos. Não basta ter um cartunista como protagonista, Resnais traz um pouco desse mundo para dentro de seu filme, personagens animados, pequenas colagens, um eterno renovador.

Pena que seja seu filme mais desengonçado. A eterna piada das diferenças entre as culturas americana e francesa, sempre naquele tom debochado, de quem acha estranho, e pode se encantar, ou não, mas que confere um tom de quase humor físico. Festas à fantasia, franceses pouco delicados com o visitante (que é convidado de honra), infidelidade desenfreada, filha fugindo do pai, nada muito excepcional. Falta mesmo acertar o tom da comédia, que flerta até com Fellini, e passa longe do charme costumeiro com que Resnais nos conduzia em seus filmes anteriores.

avidaeumromanceLa Vie Est Un Roman (1983 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Alains Resnais volta com outra proposta grandiosa. Narrado em dois tempos, aborda os sonhos revolucionários de um conde milionário (Ruggero Raimondi) de criar um palácio, ou mais que isso, uma sociedade formada por seus amigos, que viveria isolada, sob o alicerce do amor e outras crenças próprias. Porém, veio a primeira guerra mundial.

Na década de oitenta, o palácio se tornou uma escola experimental que está prestes a sediar um congresso sobre “Educação e Imaginação” recebendo especialistas das mais diversas áreas da educação, que não só discutem o tema, mas se inter-relacionam.

Outra ousadia de Resnais, dessa vez nem tão bem realizada que seus trabalhos anteriores. Por mais que haja pontos interessantes por todos os lados. Uma espécie de fábula musical que mistura imaginação, libido, formas de se relacionar com amor, loucuras eloquentes. Resnais trata de tantos temas, métodos educacionais, relações humanas de forma leve, ainda assim intensa. Fragilidades e conquistadores, influciáveis e influenciadores, e no meio desse pandemônio de opiniões e experiências, as crianças que se divertem com o que tiverem a seu alcance.

falecomelaHable con Ella (2002 – ESP) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Deixando um pouco de lado as mulheres e mergulhando no universo masculino. O diretor Pedro Almodóvar começa contando a história de Benigno (Javier Cámara), um enfermeiro que trabalha exclusivamente para Alicia (Leonor Watling). A moça está em coma há quatro anos após sofrer um acidente automobilístico. O enfermeiro cuida de sua paciente com dedicação extra, entrega-se em massagens com cremes, conversa com ela, lê muito, facilmente percebe-se que ele é, completamente, apaixonado pela moça. Em flashbacks o filme nos conta que essa paixão é anterior ao acidente, e que ele vive um estranho sentimento de satisfação por ter encontrado uma forma de aproximar-se dela.

O filme passa a contar a história do jornalista Marco (Darío Grandinetti) e da toureira Lydia (Rosario Flores). Ela tornou-se muito famosa por seus feitos nas arenas e acabara de terminar seu relacionamento com outro toureiro quando conheceu Marco, que queria apenas uma entrevistar. O romance é interrompida quando Lydia sofre um acidente na arena e também entra em coma. Lydia é internada no mesmo hospital que Alicia. Marco e Benigno tornam-se amigos. Começa a exploração, de Pedro Almodóvar, dos sentimentos masculinos. Marco é introvertido, não sabe demonstrar sentimentos. Benigno expressa tudo o que sente, dedica-se de corpo e alma, ao seu amor.

Almodóvar continua trabalhando com roteiros amplamente arquitetados, cheios de nuances, encontros de personagens, revelações. As mulheres são as grandes inspirações destes personagens masculinos. O diretor espanhol usa seu talento para inserir elementos que antes não eram encontrados em seu cinema, como o delicioso filme (dentro do filme) mudo, ou a emocionante cena de Caetano Veloso cantando Cucurucucu Paloma (talvez o grande momento).

As cores fortes seguem presentes, mas com menor intensidade. É um Almodóvar delicado, ele resgata a feminilidade entre personagens masculinos. Há encanto da maneira como eles tratam de suas amadas, amorosos ao extremo. há momentos que beiram o brilhantismo, principalmente quando os fatos são clareados, as verdades veem à tona, e descobrimos detalhes transformam príncipes em vilões. As citações ao Brasil não param em Caetano, menciona-se Tom Jobim e há uma música lindamente cantada por Elis Regina logo no início.