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Porco Rosso

Publicado: janeiro 11, 2015 em Cinema, Domingo de Clássicos
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Porco-Rosso-wallpaper-porco-rosso-29177412-2560-1510Kurenai no Buta (1992 – JAP) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Um porco piloto de hidroaviões, gentil e cavalheiro, sofisticado. E também corajoso. Um caçador de recompensas, numa época em que piratas do céu aterrorizam a região do Mar Mediterraneo. Tem um quê de apaixonante, afinal, como pano de fundo a década de 20, o pós Primeira Guerra Mundial. Num dos grandes trabalhos de Hayao Miyazaki, o mestre japonês dá os primeiros sinais de seu fascínio pela aviação.

Os hidroaviões e seus pilotos são como lendas, Miyazaki cria um interessante universo de piratas, ex-combatentes da guerra, caçadores de recompensa, amores não realizados, jovens prodígios em aviação, cabarets. Isso, sem perder a inocência da animação, a fantasia, como no protagonista que sofreu um feitiço e tem essa aparência de um porco. Romantismo, singeleza, caça piratas, sem que mate seus perseguidos. Miyazaki brinca com Hollywood, além de pontuar com humor, novamente insere garotas como heroínas-protagonistas, abraçar assim todos os tipos de públicos.

ocontodaprincesakaguyaKaguyahime no Monogatari / The Tale of Princess Kaguya (2013 – JAP) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Assim como Miyazaki, Isao Takahata promete que este é seu último longa-metragem. Feito nas técnicas tradicionais de animação, desenhado e pintado à mão, para só depois ir para o computador, a história resgata um antigo conto popular japonês do cortador de bambu que encontra uma jovem princesa no caule de um bambu. É outro filme lindo de Takahata, desde o deslumbramento visual com traços leves e simples, cores pastel suaves, até a fantasia da princesa que veio da Lua.

Takahata gosta de lidar com crianças fofas, provoca encatamento e empatia, enquanto desenvolve seus temas morais de maneira simples, direta. O desejo de felicidade é a grande mola propulsora de todos os personagens, desde a princesa que não sabe de suas origens, passando pelos pais humildes que mudam completamente de vida tentando encontrar a felicidade da garota. Até nos príncipes que prometem mundos e fundos, almejam conquistar o coração da bela princesa, sendo que ela enxerga neles a falsidade, ainda assim há dentro daquela falsidade um instinto de busca da felicidade. Takahata é feliz em todas as fases de sua história, da vida simples no corte do bambu, ao mundo da mansão e da realeza, seu último trabalho oferece ao cinema o mais puro da cultura milenar japonesa, repleta de crenças e fantasia.

otumulodosvagalumesHotaru no haka / Grave of the Fireflies (1988 – JAP) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Pelos traços doces e fantasiosos da animação de Isao Takahata, surge uma das mais duras e tristes histórias da Segunda Guerra Mundial. Baseado no romance de Akiyuki Nosaka, o cineasta japonês que fundou os Estídos Ghibli (com Myiazaki), realizou aqui uma pequena obra-prima. O pai marinheiro na guerra, a mãe morre durante um ataque áereo americano, restam os dois filhos a lutar pela sobrevivênvia. Tempos de guerra, de fome, de dificuldades, de compaixão ausente.

Orgulho e fantasia fazem as crianças tentarem a vida sozinhas, o irmão mais velho cuida da doce irmãzinha. A poucos dias da rendição japonesa, a situação é caótica. Takahata equilibra a miséria humana com a magia infantil, os vagalumes que iluminam as noites, a caixinha de balas de fruta que oferece outros tipos de esperança, a fome que castiga. E você ali, admirado com aquele belo mundo de fantasia, e embasbacado com a sobrevivência desesperada de, apenas, duas crianças.