Posts com Tag ‘Gianfranco Rosi’

Notturno

Publicado: maio 2, 2021 em Cinema
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Notturno (2020 – ITA)

Trata-se da fórmula Gianfranco Rosi de fazer documentários num retrato dos escombros de guerras civis em países como Iraque, Curdistão, Síria e Líbano. Escombros esses dos edifícios, da geografria, mas, principalmente os escombros humanos que tentam sobreviver com tantas feridas, violência, o verdadeiro horror. Digo a fórmula porque quem conhece o estilo do documentarista italiano já pode imaginar o formato observacional, o ritmo lento, a predileção em testemunhar detalhes de cotiadiano dos personagens, enquanto fica evidente a herança que os conflitos trouxeram.

Em seu filme anterior, Rosi punha em foco os imigrantes chegando à Europa, dessa vez ele vai às origens desses imigrantes, onde estão e como vivem. É novamente um retrato bem íntimo, e até devastador, e da maneira quase poética e melodramática com que o filme usa as nuvens e os silêncios, e outros elementos, talvez um pouco explorador.

Below Sea Level

Publicado: abril 30, 2021 em Cinema
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Below Sea Level (2008 – ITA)

Visto  atualmente vai ser sempre considerado o Nomadland de Gianfranco Rosi, meio justo já que foi realizado 12 anos antes, mas a semelhança da temática será inevitável. Resumidamente é o estilo documental do cineasta italiano retratando a vida dos sem teto no EUA. Vivendo em trailers, no meio do deserto, esses esquecidos pela sociedade estão se virando para sobreviver. O filme observacional de Rosi permite que seus personagens falem calmamente, conversem ou briguem entre si, sempre sob essa falta de perspectiva, de limitações, a que a falsa simplicidade do cinema desse cineasta dá espaço pra vidar nada romanceadas.

Boatman

Publicado: abril 10, 2021 em Cinema
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Boatman (1996 – ITA)

O média-metragem observacional marca a estreia do documentarista italiano Gianfranco Rosi numa viagem pelo rio Ganges na Índia. Claro que há o apreço pelo exótico vindo de um olhar ocidental para a pobreza, a ingenuidade e as crenças indianas tão particulares. Mas, o filme se destaca por essa câmera testemunho, e pela capacidade de Rosi em fazer seus personagens falarem tão livremente sobre os costumes dos funerais, os corpos pelo rio, a critica aos europeus que perguntam os porquês de tudo que parece distante de sua cultura. 

A figura central acaba sendo o barqueiro que os guia pelo rio, mas não é o único a colaborar nessa confecção de um retrato das diferenças entre castas, da pobreza latente, do valor entre ter um filha ou um filho, nas vacas caminhando livremente pelos mercadinhos de rua exprimidos. Se o branco e preto do filme esconde a famoso colorido indiano, ele nos ajuda a não perder de vista os depoimentos, a malandragem ingenua, e as indiossincrancias que marcam as falas de todos eles.  

fogonomarFuocoammare (2016 – ITA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O nome do documentarista italiano Gianfranco Rosi já se coloca como queridinho dos festivais. Seu trabalho anterior, Sacro GRA, ganhou o Leão de Ouro (Veneza, 2013) e este mais recente trabalho foi consagrado com o Urso de Ouro. É muito sucesso para o restrito mundinhos dos festivais. Se bem que a vitória deste ano é bem entendível, afinal Berlim gosta dessa pose de “festival de temas políticos”, e  o tema da imigração na Europa é dominante nos noticiários, discussões, a ponto de estar criando absurdas movimentações políticas.

Rosi vai a uma pequena ilha italiana que fica mais próxima da África, do que do continente europeu. Portanto, fácil aos imigrantes desesperados fugirem em navios superpopulados, sem comida, e nenhum conforto. É a luta por sobrevivência. O cineasta retrata uma pequena família, cria assim um paralelo entre os nativos e os que chegam, entre as pequenas curiosidades de um adolescente siciliano, e os corpos exauridos dos mortos-vivos que naufragam nas embarcações que cruzam o Mediterrâneo.

Sua abordagem é típica de seu cinema, observacional,  aqui então é como se a câmera nem existisse, numa forma de trazer o público para dentro da realidade pacata, de gente comum. A riqueza maior está mesmo nos poucos detalhes cotidianos dessa vida local, como se o filme sobre imigração ilegal fosse colocado de lado e a filmagem se deixasse levar por esse cotiadino simples, meio ingênuo que sofre os impactos caóticos dos que só almejam sobreviver.

Sacro GRA

Publicado: novembro 29, 2013 em Cinema
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Sacro-GRASacro GRA (2013 – ITA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

As primeiras noticias eram de que o documentarista italiano Gianfranco Rosi, havia ganho o Leão de Ouro, com um filme sobre uma estrada. Onde estaria a cabeça do júri ao premiá-lor? Onde estava a cabeça deles eu ainda não sei, mas, o documentário não é bem sobre isso. Trata-se de um pequeno recorte, de vidas, de pessoas, que moram à beira do GRA (o Rodoanel que circunda Roma como um anel de Saturno).

De um pequeno recorte, a qual Rosi tenta não interferir em nada, o filme traz à tona pessoas, em sua maioria, bem humildes. Sejam famílias italianas, imigrantes latinos, religiosos lituanos, ou dançarinas de casas noturnas. Dese singelo retrato em movimento, surge a pequenice daquelas vidas, pequenos momentos, que parecem não dizer nada, ou podem dizer muito, sempre continuarão sendo pequenos recortes.